Festival Ferrock 2017, Ceilândia/DF (02/12/2017)

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Festival Ferrock 2017 
Local: Praça do trabalhador, Ceilândia (DF)
Data: 02/12/2017

Texto, fotos e vídeo (Elffus) por Victor Augusto

Criado com o intuito de trazer lazer e cultura, sempre abordando temas sociais, o Ferrock é um tradicional festival que ocorre na cidade de Ceilândia (30 km do centro de Brasília) e celebrou a 32ª edição nesse ano. Antes do festival em si, o Ferrock realiza atividades culturais ao longo do ano, a exemplo de programações infantis (o famoso Ferrockinho) e o dia da consciência negra.

Mesmo com um porte um pouco menor do que o de outros festivais de Brasília, a qualidade/organização é invejável e, novamente, bandas locais e de outros estados tiveram espaço no cast, que faz uma mistura bem saudável de estilos desde o Rock/Blues até o Heavy Metal/Hardcore. O público curte e respeita essa diversidade, o que torna o ambiente muito familiar. Era possível ver várias crianças com seus pais no local.

Grandes nomes já passaram pelos palcos do evento. Em 2010 o Napalm Death e Suffocation fizeram shows memoráveis e destruidores. Em 2014 foi à vez de o Uriah Heep deixar a sua marca na história do festival.

Essa edição contou com mais bandas de Rock/Blues e menos Heavy metal, tendo um dos dois palcos batizado de “Lemmy Kilmister” em homenagem ao falecido ídolo. A produção caprichou no palco (luzes, som, estrutura coberta para o público) e pontualidade foi à marca registrada. Felipe CDC (Terror RevolucionárioCaligo e Death Slam) é um velho conhecido da cena underground e foi essencial nessa organização.

Enquanto uma banda tocava, outra passava o som no palco ao lado, ajudando a agilizar o processo, e os sets giravam em torno de 30 minutos de duração, exceto as três últimas atrações, que tiveram aproximadamente 1 hora.

Ponto positivo para os preços de bebidas/comidas e, principalmente, pela sacada de montar os palcos próximos aos toldos para o público. Sem dúvidas ajudou muito com o frio e chuva leve que fez ao longo do dia todo.

OJTB (DF)

A banda toca um som com base no Punk mais tradicional e Hardcore melódico. Com um som bem agradável e tranquilo, deram uma aquecida no pouco público que já estava presente. Fato interessante é que o baterista toca em pé.

O vocalista agradeceu bastante pela presença dos poucos que chegaram cedo para prestigiar o evento.

Barbarella B (DF)

Com um Rock estilo anos 60/70, a banda canta em português tratando assuntos históricos relativos à Brasília, que ajudaram na formação da cidade. Algumas letras tratam inclusive da própria Ceilândia, cidade satélite onde ocorria o evento.

Fizeram um som tranquilo que incorpora algumas partes mais pesadas, com riffs marcantes em uma parte ou outra.

Actemia (GO)

Oriundos de Goiânia, o Actemia conta com uma vocalista/violonista e os outros membros também cantam em algumas músicas, dando uma boa diversidade nesse quesito. As partes vocais do guitarrista, segue um estilo “Rage Against the Machine”.

Rock interessante e bem executado, agitando o público que começava a aparecer mais no local.

Evil Corpse (DF)

O Evil Corpse foi à primeira banda de Metal a se apresentar no dia. O trio toca um Thrash Metal/Crossover rápido e sem frescuras. A forma como o guitarrista/vocalista executa solos matadores e retorna as bases é de impressionar pela precisão e velocidade.

A banda pouco se comunicou com o público devido ao tempo curto para a apresentação e mesmo assim conseguiu arrancar as primeiras rodas da plateia, com um show de boa qualidade.

Kábula (DF)

O Kábula é bem antigo no underground brasiliense e sabem bem como agitar o público com seu Rock n’ Roll bem animado e na cara. A banda dá boas flertadas como Heavy Metal, talvez pelos timbres mais pesados de guitarra e baixo que chegam a lembrar um pouco de Accept.

Os músicos tocam com muita técnica e seu vocalista conseguiu atrair a atenção dos presentes com a sua animação e simpatia. A todo o momento ele chamava as pessoas para perto do palco e a banda deu uma boa animada no dia.

Parafernalia (DF)

O parafernália opta por um Rock/Blues que vai mais para o progressivo, numa linha de Rush e Jethro Tull. Não dá pra deixar de mencionar a influência do Deep Purple no som, principalmente pela virtuose de seu guitarrista e do som de teclado bem destacado.

Mesmo com uma levada menos agitado, os integrantes compensaram com uma boa presença de palco, o que foi o diferencial para manter o público atento ao show.

Flashover (DF)

O Flashover é uma banda bem presente no underground nacional e vem numa boa crescente as vésperas do lançamento de seu novo álbum, o “Souls Consumed by War”. Nos últimos anos, eles tocaram com bandas do porte de BenedictionBlackning e Torture Squad, mantendo uma agenda bem movimentada, incluindo alguns shows fora do país.

O quarteto é pura insanidade no palco. O vocalista/guitarrista Itazil Júnior, guitarrista Fernando Cezar Flashover e baixista Tiago Teobaldo não param de bater cabeça e de se movimentarem pelo palco um segundo sequer. Ao fundo, o baterista Josefer Ayres não deixa por menos e “pulveriza” a bateria com rápidas levadas de Thrash Metal, blast beats e viradas insanas.

Percebe se que foi nesse momento do festival que o público compareceu em peso, com uma boa parcela sedenta por Thrash Metal. A banda correspondeu a altura com um set bem empolgante apesar de curto.

“Kill The Priest” foi a que mais teve interação da plateia no refrão. As músicas “Season in Hell”, “Land of Cannibals” e a nova, “Say My Name (Satan 666)”, também foram grandes destaques da apresentação. Ao fim do show, Itazil não poupou elogios, exaltando a proposta séria e respeitosa do festival.

Elffus (DF)

Depois da destruição do Flashover, parecia que nada mais teria graça. Grande engano, pois eis que surge o Elffus. A banda também é bem antiga na cena local e faz um Rock n’ Roll com bastante mistura de Hard Rock e Heavy Metal. O set da banda conta com músicas mais calmas, mas não deixa de lado as mais pesadas como “A Outra Face” e “Inferno”.

Além da simpatia e alcance vocal de Alberto, não há como deixar de citar o domínio de guitarra de Pedro Selva. O cara simplesmente é de uma técnica e versatilidade absurda. Junte tudo isso a um baixista e baterista que também dão um show a parte e o resultado foi uma interação e energia acima do normal da banda e do público.

Em minha opinião, o show do Elffus foi o ponto alto da noite, pois foi à banda que mais conquistou o público tanto pela resposta dos fãs, quanto pela quantidade de pessoas que foram para a grade do palco.

Golpe de Estado (SP)

Uma das atrações principais foi os paulistas do Golpe de Estado, que entre muitas mudanças de formação, até com falecimento de integrante, a banda continua com uma pegada forte se encontram numa sequência de shows comemorativos aos seus 30 anos de existência.

O vocalista João Luiz, recém-entrado para o time, não escondia a empolgação de tocar em Brasília e eles se empenharam em agitar bastante o público. Clássicos como “Noite de Balada”, “Onde Há Fumaça, Há Fogo”, “Nem Polícia, Nem Bandido” e “Libertação Feminina” fizeram a alegria dos fãs de mais idade (e os meios termo como eu também).

Show memorável, a altura do que a banda representa para o Rock brasileiro.

Nuno Mindelis (Angola)

Chegado a hora da atração principal da noite que foi o angolano Nuno Mindelis, que é um “guitar hero” do Blues/Jazz e muito consagrado na crítica brasileira. Vale destacar que mesmo com a rigorosa pontualidade do festival, a passagem de som para este precisou de uma atenção a mais, atrasando uns 30 minutos.

Tudo explicado devido ao problema de locomoção que o guitarrista apresentava e este compensou com uma simpatia incrível chegando a brincar que no “check list” pra poder tocar, o item “pessoas bonitas” já estava certo.

Início de show e como prometido, Nuno Mindelis tocou em pé, caminhando por todos os lados e beiras do palco, destilando sua técnica absurda na guitarra. Em poucos momentos precisou sentar. Sua banda suporte também não deixa por menos fazendo uma base a altura.

Juntando toda a qualidade na execução de suas músicas e um carisma enorme, Nuno fechou com brilhantismo a noite do Ferrock 2017.

Parabéns a todos os organizadores, apoiadores, patrocinadores e fãs do festival pelo dia super agradável. Todas as bandas fizeram bonito e não houve uma confusão sequer, muito pelo contrário, o que mais se via eram crianças, adolescentes, adultos e idosos curtindo o dia e os shows.

Longa vida ao Ferrock, que representa tanto para a Ceilândia e para todo o Distrito Federal e até 2018!

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