Todas as Tribos music & art festival 3ª edição
Local: Centro Cultural Martim Cerere, Goiânia (GO)
Data: 04/02/2018
Produtora: FLAG Produções
Texto, fotos e vídeo (Mugo) por Victor Augusto
O festival Todas as Tribos realizou sua terceira edição com dois dias de rock no tradicional Martim Cerere, reservando o domingo para as bandas mais pesadas.
Para quem é da cidade de Goiânia, sabe que a volta de eventos de Rock no Martin Cerere é algo a se comemorar, pois o local é famoso por anos e anos de shows de Metal e outras vertentes. Pelo que se pode perceber, havia um tempo que não acontecia nada desse tipo por lá.
O espaço é bem agradável e tranquilo, contando com dois anfiteatros de excelente acústica, porém só um foi utilizado para os shows, fazendo com que o público tivesse que sair do local entre uma passagem de som e outra. A iluminação e o Backline estavam de primeira e foram essenciais para exaltar a qualidade das bandas. Todas tocaram com um som, no mínimo, impecável. O único fator negativo foi o atraso de duas horas para o início dos shows, o que acabou prejudicando as bandas que tocaram por último.
A parte externa aos anfiteatros contava com um Food Truck e bebidas num preço razoável, sendo suficiente pra atender o público do local. Via se bastantes crianças, adolescentes e famílias prestigiando os show. O número de pessoas que compareceram foi bem alto também.
Dr. Kong (GO)

O Dr Kong é uma banda de Rock formada em 2015, que possui músicos com bastante experiência na criação de som autoral e foram responsáveis pela abertura do evento.
O som é uma fusão do Rock feito no Brasil nos anos 80, estilo Barão vermelho, com influências do Deep Purple e AC/DC e cantado em português.
O vocalista Flávio, mantém se parado ao microfone, mas realiza uma excelente interpretação das músicas, como em “Protagonista”, de seu mais recente álbum. O mesmo comentou sobre os problemas de se falar o que pensa, tendo que ter muito cuidado ao expressar opiniões nos dias de hoje, devido à intolerância das pessoas e anunciou a música “Fale Tudo”.
A banda fez um set curto e agradável, mostrando que o pouco tempo na atividade não é um problema para realizarem um ótimo show.
Krakkenspit (GO)

A Krakkenspit é formada por músicos conhecidos da cena local e tem por base o Heavy Metal tradicional, mas não deixa de incorporar alguns elementos mais pesados. O baixista Julian Stella mantem a boa condução da base enquanto Aldo Guilherme fica bem solto para solar e “brincar” com sua guitarra durante as músicas.
Além das autorais como a “Fear My Name”, a banda executou excelentes covers de “Princess of The Dawn” do Accept e “Holy Diver” do Dio no final do set.
O vocalista Márcio esbanja simpatia, não parando de agitar em nenhum minuto e junto à banda, fizeram uma excelente apresentação.
Sunroad (GO)

Saindo do Rock e Metal clássico para o Hard Rock, veio o Sunroad com bastante pegada e chamaram a atenção pela versatilidade de seus músicos. O vocalista/guitarrista Andre Adonis é o que mais incorpora o visual do estilo em suas roupas, usando um lenço até na guitarra.
A banda, no geral, possui uma grande técnica e músicas que agradam a qualquer fã do estilo. Simpatia é outro fator que não os faltam, pois mesmo que mais timidamente, eles interagem com o público durante todo o set.
Pra completar, eles ainda tocaram “Rock You Like a Hurricane” do Scorpions fazendo uma grande apresentação.
Mugo (GO)

Diante de bandas com estilos tão diferentes, o Mugo foi encarregado de ser a primeira da noite com um som mais extremo. “Seeds of Pain” abriu o show como aquecimento e já mostraram de cara que estavam querendo derrubar as paredes do local.
Que presença de palco e energia! Pedro Cipriano pula e interage o tempo todo, como um frontman deve ser, além de seu vocal bem versátil. Faslen (baixo) e Guilherme Aguiar (guitarra) fazem uma “parede” sonora bem forte, que caiu muito bem com o fato da banda ter só um guitarrista. Ao fundo, Weyner Henrique não deixou por menos, alternando breakdows com vários blast beats e complicadas mudanças de andamentos. Foi nítido que esse deu um gás a mais pra segurar a ritmo do show na bateria.
Faixas mais antigas como “Get Up and Fight” e “Screams” arracaram boas batidas de cabeça, junto da nova “Race Of Disorder”. Ainda teve espaço para a “Lifer”, cover do Down, que teve uma boa receptividade, e assim fizeram o melhor e mais porrada show da noite.
Overfuzz (GO)

O Overfuzz, apesar de ter seu renome na cena local, era totalmente novo pra mim e posso afirmar a todos vocês que esses caras são de outro planeta. Que show espetacular esse trio fez.
Pra início de conversa já é difícil sacar qual o estilo deles, pois rola de punk a metal, passando por Blues e em nenhum momento eles diminuem o ritmo ou a insanidade no palco. Batem cabeça e agitam sem parar, incluindo o baterista, que também faz alguns backing vocals.
Entre uma música e outra, toda a banda conversava com o público, mostrando bastante humor. O show acabou sem ter uma música que não tivesse me impressionado. Sem dúvida, eles foram um dos pontos altos da noite.
Tributo ao Malmsteen (SP)

Uma das atrações principais, apesar de se tratar de uma banda cover, foi este tributo ao renomado guitarrista Yngwie Malmsteen, pois contou com um time de músicos bem renomados. Banda é formada por Bruno Sutter (Massacration/Detonator), Edu Ardanuy (Dr. Sin), Felipe Andreoli (Angra) e Alexandre Aposan (Oficina G3). O resultado não poderia ser diferente de músicas complexas sendo tocadas com perfeição.
Bruno Sutter tem um vocal muito bom e faz muitas piadas entre uma música e outra. Edu Ardanuy se engaja nos complicadíssimos solos de Malmsteen e apesar de menos “agitado” no palco, reproduz fielmente o que escutamos nas músicas originais. Felipe fica mais escondido, mas tem toda a técnica já bem conhecida por todos e Alexandre senta o braço na bateria, chegando a precisar trocar uma caixa devido ao “carinho” com que ele toca.
“Rising Force”, “Marching Out”, “Making Love” e “You Don’t Remember I’ll Never Forget” foram umas das clássicas tocadas. Alexandre ainda fez um belo solo de bateria, que mistura uma levada John Bonham com ritmos brasileiros e muita velocidade. Simplesmente deu uma aula.
O show foi bem empolgante e os poucos que sobreviviam até àquela hora da madrugada de domingo não se arrependeram.
O cast ainda contava com banda Ressonância Mórfica, que ficou prejudicado devido aos atrasos e acabaram tocando por volta das 03hs da manhã. Infelizmente não foi possível a minha permanência até o final, pois ainda tinha a estrada de volta para Brasília (DF) madrugada afora, para encarar uma segunda feira normal.
Afora esse detalhe, que não tirou o brilhantismo do festival, foi um dia espetacular, onde víamos bandas, público, famílias e jornalistas de mídias especializadas, todos curtindo e apoiando essa bela cena musical que o Brasil tem.





