Firewing – “Resurrection” (2021)
Massacre Records
#PowerMetal, #SymphonicMetal
Para fãs de: Rhapsody of Fire, Avantasia, Seven Spires
Nota: 8,0
Ah, como é bom ver tupiniquins representando o cenário nacional! E fica ainda melhor se for através de um álbum de estreia, injetando sangue novo num tecido já esgarçado. Apesar de sua base estadunidense, o Firewing é uma banda essencialmente brasileira, fundada pelo guitarrista Caio Kehyayan.
A banda chega com seu álbum conceitual, “Ressurection”, que conta a história da dualidade e conflito entre duas entidades místicas: Ember, uma fênix da esperança, que quer trazer esperança para almas perdidas, e Vishap, um wyvern maligno, que almeja absorver a luz dos seres vivos e prendê-la no caos.
O álbum é muito bem-produzido e estruturado. São nove faixas cadenciadas, atmosféricas e convincentes, ocasionalmente intercaladas por outras cinco faixas instrumentais, que preparam o terreno para o que está por vir. Estes e outros elementos dão uma sensação de “storytelling” bastante imersiva e original, te guiando pela história através de 14 faixas que fazem o tempo passar rápido. Uma das apostas da banda para este álbum de estreia foi a de trazer várias participações especiais; algumas bem conhecidas, como Bill Hudson (Northtale) e Raphael Dantas (Ego Absence, Soulspell), e outras já nem tão relevantes.
A maior parte das músicas são mid-tempo, mas muito bem cadenciadas. O ponto forte da banda são as linhas melódicas, bonitas e dramáticas, mergulhadas em um instrumental com riffs melódicos e bem trabalhados, e ambientações de teclado muito bem mixadas, guiadas por baterias ferozes e com bumbos bem colocados.
A voz principal, a cargo de Aírton Araújo, é consistente. A qualidade do vocalista é inegável, com um alcance incrível. Mas em alguns momentos há tanta variação e nuances na linha de voz (do assertivo ao gutural), que a real identidade vocal do Aírton pode ficar confusa, especialmente se tratando de um álbum de estreia.
Os destaques do álbum ficam com “Far In Time”, “Essence of Your Heart”, e “Time Machine”. O disco tem uma ótima audição recreativa e replay, e vale a pena ser conferido. Realmente não parece um álbum de estreia, dada a ótima produção, e da sensação de maturidade sonora que a banda passa. Apesar de não ser um trabalho revolucionário, certamente abre espaço para que o Firewing finque seus pés no cenário, e tenha a liberdade de trabalhar e refinar sua sonoridade no futuro.
Will Menezes
