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Flesh Grinder – “Anatomy & Surgery” (2018) (Relançamento)


Flesh Grinder
 – “Anatomy & Surgery” (2018) (Relançamento)

Rotten Fetus | Cemitério Records
#Goregrind#SplatterDeathMetal

Para fãs de: GoreLymphatic PhlegmRancid FleshDead Infection

Nota: 9,5

Imundície, degradação e selvageria em níveis insalubres. Interessou? Então vem comigo. Ostentando a honraria de ser um dos baluartes do gênero no Brasil, quiçá, do mundo, o Flesh Grinder é referência primordial quando se trata de Goregrind. Seu álbum de estréia, “Anatomy & Surgery”, lançado no longínquo ano de 97, poderia ser considerado o início, o marco zero no cenário nacional, que orientaria muitas outras formações nos tortuosos caminhos que conduzem a este universo macabro e, ao mesmo tempo, fascinante.

Um disco que não é bonito, nem tampouco erudito ou técnico, mas que emana um poder, uma brutalidade, acima da média, acima do limite comumente aceitável. “Anatomy & Surgery” é a descoberta, o desbravamento, de um mundo doentio, pútrido, onde o odor nauseabundo de tecidos em decomposição preenchem nossos alvéolos pulmonares, causando torpor e uma sensação nauseante de desolação. Soa poético? Sim! O Flesh Grinder tem o mérito de criar uma obra que transcende todos os limites do abjeto e, ainda assim, consegue transcrever todo esse sentimento em lirismo sujo, pesado e distorcido. Uma poesia excretada, em suma.

Em “Anatomy & Surgery”, o trio catarinense ainda se mostrava bastante cru, mas uma crueza que supria a contento as necessidades, afinal, o genuíno Goregrind/Splatter é avesso a qualquer refinamento ou grandiloquência. Uma audição atenta as dez faixas que compreendem esse compêndio da desgraça é equivalente a um atropelamento coletivo de ambulâncias em plena ocorrência. Pense em uma sonoridade sebosa, suja e abafada, que na grande maioria do tempo se encontra num frenetismo psicótico acachapante, atordoando o ouvinte e toda a cercania? Pois bem, esse é o Flesh Grinder na sua mais refinada essência.

Para comemorar os pouco mais de 20 anos de seu lançamento, os maiores selos especializados nesse tipo de proposta, Cemitério Records e Rotten Fetus records disponibilizaram uma versão com nova arte em slipcase, nova capa, layout e poster, além de duas faixas encontradas exclusivamente aqui. Sendo assim, além de podermos nos regozijar ao som de verdadeiras gemas preciosas do quilate de “Ophtalmologic Laceration in an Insane Moribund”, “Embolia” e “Hemorrhagical Convultions of the Gastric Ligaments” – composições que ajudaram a pavimentar a estrada do Goregrind -, temos ainda uma regravação para “700 Autopsies”, faixa presente em “Coroner’s Inquest Suit”, e a cereja podre do bolo: uma versão ainda mais exsudativa para “Slowly We Rot”, que eu não preciso nem mencionar de quem é.

“Anatomy & Surgery” merecia essa homenagem. Um disco como esse precisa ser lembrado e ter o seu legado eternizado nos anais da música extrema. Essa é a versão definitiva deste clássico máximo da obscenidade sonora, sendo obrigatória sua aquisição a qualquer custo. Bote o cadáver na geladeira e desfrute da magia do real Goregrind.

Ricardo L. Costa

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