Black Lion Records
Nota: 4,0
Minha mente sempre se manteve aberta a novas descobertas musicais, independente de estilo ou temática, o que me leva a uma imprevisível viagem sempre que pego uma novidade para experimentar, pois a coisa pode ser uma bomba musical de proporções mastodônticas, como foi o caso deste segundo álbum do Frowning.
Senhoras e senhores, que álbum chato!
Já em “Nocturnal Void”, com seus quase dez minutos de mesma cadência e vocais “cthulhianos”, você estará satisfeito e pedirá para trocar o disco!
Mas ainda faltam quatro faixas, completando pouco mais de uma hora, sem nenhum solo ou detalhe que te faça sair da cadência pretensiosamente hipnótica deste exemplar pouco inspirado de Funeral Doom Metal.
Como as faixas são interligadas, a sensação de “estar ouvindo a mesma música” seguirá por “Encumbered By Vermin” (com seus mais de onze minutos da mesma abordagem da faixa anterior) até o desfecho com “Frederic Chopin Marche Funebre” (que fará Frédéric Chopin revirar em sua tumba), após passarmos pelos vinte minutos angustiantes de “Buried Deep”.
O Frowning é uma one-man-band capitaneada pelo multi-instrumentista alemão Val Atra Niteris (Ad Cinerem, Heimleiden), que toca todos os instrumentos e “canta” em três das cinco faixas (as outras contam com participações de músicos da banda de apoio dos shows), desfilando uma podridão mórbida com peso gélido, esparsas passagens limpas, e vocais grunhidos.
Claro, todos sabem que dentre os subgêneros do Heavy Metal, o Funeral Doom Metal é o mais perigoso, pois, ou se cria uma obra-prima da melancolia sorumbática, ou se afunda nas areias movediças do limbo maçante da repetitividade.
E, infelizmente, a construção pouco iluminada faz com que o alongado das faixas torne tudo muito repetitivo e sem alma, como se a cadencia fosse calculada e os vocais, que deveriam ser macabros, acabam irritando.
Sei que tudo está construído sobre os preceitos do estilo, mas dá pra ser atmosférico, gélido e sepulcral por vias mais emocionais e eficientes.
Confira por sua conta e risco, mas se curte bandas como Pantheist, AHAB, Skepticism e Evoken, pode ser que aprecie este trabalho…
Marcelo Lopes Vieira
