Genocídio – “Fort Conviction” (2024)
Urubuz Records
#DeathMetal #DeathGothicMetal #DarkExtremeMetal
Para fãs de: Nervochaos, Morbid Angel, Napalm Death, Deicide, Paradise Lost
Texto por Johnny Z.
Nota: 9,0
E cá estamos nós diante do nono álbum de estúdio de uma entidade do metal nacional. Como de costume, a probabilidade de nos decepcionarmos foi para o ralo, pois o quarteto liderado pela dupla Wanderley ‘Perna’ (baixo) e Murillo Leite (vocal/guitarra), agora somado aos novos integrantes Wellington Simões (guitarra) e Levi Tavares (bateria), deu continuidade ao magistral trabalho que vêm fazendo desde o retorno às atividades em 2009.
É impressionante que, desde o fabuloso “The Clan” de 2010, o ‘Genoca’ (para os íntimos) não tenha dado nenhum deslize sequer. Ou seja, são quase 15 anos de trabalhos brilhantes do mais puro bom gosto dentro do metal extremo brasileiro para exportação. Suas características dos primórdios de sua longeva carreira de quase 40 anos estão todas intactas. A banda continua trazendo sonoridades sombrias – algumas com os dois pés no gótico -, ora arrastadas e sufocantes, ora rápidas e dilacerantes como um rolo compressor desgovernado e sem freio!
A trinca inicial de “Fort Conviction” com a faixa-título, “Aside” (primeiro single lançado), e a maravilhosa “Devil’s Mother Cry” te esmiúça logo na primeira audição, levando-te para um território extremamente caótico de pura catarse, com brutalidade e um peso descomunal, graças também à soberba produção do ‘quinto membro’ Marco Nunes (Sacrifix, Chaosfear, etc). Falando em “Devil’s Mother Cry”, para mim, é junto com as ultra-cacetadas pesadíssimas “Maverick” e “Sourn Cult”, alguns dos pontos altos do disco, e eu duvido que alguém sairá ileso delas!
O som do Genocídio, mesmo estando dentro da esfera do Death Metal, é conhecido por não se prender a nenhum paradigma. Todos que conhecem a banda sabem que eles jamais escondem o ímpeto de absorver e incorporar sonoridades que não são muito presentes no estilo mais tradicional. Esse é um de seus grandes diferenciais que acompanha sua trajetória desde “Depression” (1990). Desde introduções com teclados fúnebres dignas de filmes de ocultismo gótico até covers inusitados – dos mais variados e inimagináveis estilos e bandas –, esses caras não têm problema nenhum em se arriscar. E posso afirmar: nunca erraram!
A textura rosnada, macabra e horripilante da voz característica de Murillo Leite é um dos grandes destaques nas 10 faixas de “Fort Conviction”. Sua voz se une de forma impactante às melodias de guitarra (me arrisco a dizer que este é o melhor trabalho de guitarras – rítmica e solo – de toda a carreira da banda!) e ao peso que chega a causar calafrios. É uma agressividade que te derruba de várias maneiras: na força, no clima e no instinto!
Faixas mais cadenciadas como “The Sole Kingdom” (adorei as palhetadas unidas a dissonâncias de guitarra) e o brilhante cover de “Never Tear Us Apart”, do – pasmem – INXS, lembram demais o Paradise Lost em seus melhores momentos, e o Genocídio aqui dá um show sombrio de muitíssimo bom gosto. Nessa última os vocais de Murillo parecem que entram nos seus ouvidos como um eco de desespero mortal!
Em “Lord Dementia”, temos o Death Metal mais tradicional, com um belíssimo trabalho de riffs que transcendem o Thrash Metal, mesclando-se a algo mais europeu, o que caiu como uma luva! Ou seja, outro grande ponto alto que vai fazer a alegria dos fãs mais ‘old school’. Acha que parou por aí? Ledo engano, temos a instrumental “Voided” que mostra uma banda que joga a favor da melodia mesmo em se tratando de som extremo. Aqui, o peso e a melodia andam de mãos dadas para um terreno fértil em novas ambientações e técnicas.
Já que o termo técnica veio a tona, “Fort Conviction” não mostra, mas escancara um nível altíssimo de excelência dos quatro cavaleiros do apocalipse de dar inveja!
A porrada “Scorn Cult”, que me lembrou vagamente um crossover de Napalm Death mais atual com o Death, ou seja, ‘old school’ até a tampa! Simplesmente um arregaço, que antecede “Never Tear Us Apart” no tracklist, dando uma dinâmica bem interessante na ordem em que aparecem.
Fechando, temos “Mourning Saviour”, com sua introdução de quase 1 minuto que me parece ser alguma melodia de igreja só que tocada ao contrário, descambando num Death Metal também ‘old school’ que te leva automaticamente para o ‘repeat’ do álbum inteiro.
Um trabalho genuinamente empolgante, muito bem composto, gravado e produzido, que merece todos os elogios possíveis, pois é sim um ‘masterpiece’. E, claro, #chupamundo, pois o Genoca é nosso… é do Brasil!
Obs: “Devil’s Mother Cry” não sairá da minha playlist por um bom tempo!