Ghost – “Rite Here Rite Now” (2024)

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Ghost – “Rite Here Rite Now” (2024)

Loma Vista Recordings | Universal Music | Popecorn Cinematic Pictures
#HeavyMetal #Metal #HardRock

Para fãs de: In Solitude, Mercyful Fate, Ozzy Osbourne

Texto por Caio Siqueira Iocohama

Nota: 9,0

Quem diria que aquela banda de membros anônimos, que alguns fãs ficavam fazendo trabalho de detetive para descobrir quem estava por trás das máscaras, evoluiriam tanto musicalmente e até lançariam UM FILME?

“Rite Here Rite Now” é o primeiro filme lançado pela banda Ghost, dirigido por Tobias Forge (vocalista, fundador e líder da banda) e Alex Ross Perry, que foi acompanhado pelo lançamento de trilha sonora em forma de álbum ao vivo. Neste sentido, é o segundo lançamento ao vivo do grupo.

Com 5 álbuns de estúdio e 4 EPs, a banda consolida sua carreira musical que foi desenvolvida também com toda uma estória envolvendo os “Papas” e a liderança do “Clero” do mundo do Ghost. Tudo começou através de um vídeo no YouTube chamado “The Summoning” em que a “chefona” do Ghost, Sister Imperator esculacha os demais membros do clero e anuncia Papa Emeritus III, que seria o “irmão dois meses mais novo” do Papa Emeritus II.

3 anos depois, uma Websérie da banda se iniciou, também no YouTube, com o primeiro episódio intitulado “Chapter One: New Blood”, em que começa a se descobrir que Papa Nihil, na verdade, é o pai dos três Papas anteriores e, pela primeira vez, alguém quebraria a sua linhagem (Cardinal Copia, que se tornou o Papa Emeritus IV).

Nesta mesma série, descobre-se que, por ordem de Sister Imperator e Papa Nihil, os antigos Papas são mortos enquanto jogavam uma partida de Uno, além de que, durante o “inicío” da banda, na sua estória, Papa Nihil e Sister Imperator tiveram um “caso”. Assim, começaram a surgir teorias de que, na verdade, Papa Emeritus IV seria fruto deste relacionamento, mas a Sister não havia mencionado para Papa Nihil e esta é, bem resumidamente, o contexto em que a banda se encontrava.

De uma maneira até frustrante, tudo isso é confirmado nos primeiros dois minutos do filme, enquanto é narrado por Troy Sanders (Mastodon), sem uma profundidade que poderia ter sido melhor desenvolvida, no sentido de como que Papa Emeritus IV reagiu à notícia, como Papa Nihil descobriu, se foi a Sister que contou etc. Ao assistir em um cinema em Londrina – PR, a sala não estava muito cheia e não deu para perceber se mais gente ficou frustrada com isso ou simplesmente nem deram bola.

Logo após esta “bomba” e menos de 5 minutos de introdução, “Imperium” começa a tocar, indicando que estava para começar o show. De fato, não sabia como seria o andamento do filme. Seria o show inteiro? Show com algumas das estorinhas? E logo se percebe que seria o show inteiro, com uns breves interlúdios que trabalham brevemente toda a “lore” criada ao redor da banda.

Seguindo basicamente o setlist que foi trazido na turnê brasileira, “Kaisarion” dá o pontapé inicial com a banda no palco e uma mixagem consideravelmente boa, sendo muito superior à qualidade do “Ceremony And Devotion”, o outro álbum ao vivo da banda. A incorporação de mais membros na banda e bastante backing vocal foi uma jogada excelente.

Um detalhe interessante é que no show que se gravou o filme, foi proibida a utilização de celulares e o público podia curtir mais intensamente. Mas, convenhamos, NADA se compara ao calor e paixão do público brasileiro. Por mais que em fóruns como o Reddit, os fãs exaltaram a participação do público, foi nítido que foi dentro da normalidade para os padrões americanos, ou seja, frios.

Em “Rats”,  por exemplo, no show de São Paulo, o público reagiu como se fosse uma banda de 40 anos de história tocando seu maior clássico, repleto de histeria e todo mundo pulando. No filme, não se tem nada disso. Porém, musicalmente falando, a música ficou perfeita, com aquele riff final soando extremamente sujo e pesado, assim como o início de “Faith”.

Entre “Spillways” e “Cirice”, pode-se perceber que a Sister Imperator está de cadeira de rodas e o Papa demonstra uma grande insegurança por sentir que o seu fim na banda estaria próximo. A excelente “Absolution” aparece em seguida e é emendada por “Ritual” uma das únicas remanescentes do primeiro álbum, “Opus Eponymous”. Uma pena que ficou apenas no filme, não foi lançada na trilha sonora e o único registro ao vivo oficial da música continua sendo a extremamente mal mixada do “Ceremony And Devotion” em que a segunda guitarra no começo fica quase inaudível.

“Call Me Little Sunshine” ficou perfeita. Visualmente falando, maravilhosa pelo fato de Papa Emeritus IV  estar com a veste papal completa. Após tirar apenas o chapéu e continuar com a roupa que claramente é desconfortável para se mexer, “Con Clavi Con Dio”, com seu baixo inicial, chega quebrando tudo, mas também ficou fora da trilha sonora. “Watcher In The Sky” merecia uma versão ao vivo e é, sem dúvidas, uma das melhores músicas do Ghost.

“If You Have Ghosts” ganha uma versão belíssima com instrumentos de corda e piano e é tocada em um “palco B”, do outro lado da arena em que tocaram. Para fazer o trajeto de volta ao palco principal, enquanto “Dominion” toca ao fundo, Papa usa uma jaqueta escrita Papa IV e luvas de boxe e dançarinos esqueletos entram no palco para uma coreografia em “Twenties”, que fora executada apenas nos dois shows em que o filme foi gravado. “Year Zero” e “He Is” aparecem em sequência e ocorre a transição para “Miasma”, música em que Papa Nihil ressuscita para tocar saxofone. Durante a música, Papa Nihil em forma de fantasma, Sister Imperator e Papa IV têm uma conversa mais “sentimental” , tipicamente de momento mais reflexivo de filmes em geral.

Após o solo de saxofone de Nihil, “Mary On A Cross” ganha um vídeo clipe em forma de cartoon dos anos 60 (tipo Scooby-Doo) e uma versão absolutamente fantástica em que os backing vocals se destacam. “Mummy Dust” (que não está na trilha sonora) traz seu peso e um vocal mais “death metal” do Papa e “Respite On The Spitalfields”, com seu breve momento de “Still Of The Night” do Whitesnake, fecha o set principal.

Papa IV não quer fazer o bis porque demonstra ter convicção de que, ao acabar o show, acabaria seu ciclo de frontman também. Depois de ser convencido por Sister Imperator, chama os demais membros para executarem mais três músicas: “Kiss The Go-Goat”, “Dance Macabre” (com a participação dos dançarinos) e a, já clássica, “Square Hammer”, terminando com o Papa fazendo a posição de crucificação que Papa Nihil pediu, com a finalidade de mostrar que deu o seu máximo, se entregou e fez tudo pelos fãs.

E agora chegou o momento que muita gente esperava: o que aconteceria com Papa IV após o show? Saindo do palco, ele sobe em um balão enquanto “Pro Memoria” toca de modo instrumental. Papa olha para baixo, vê Sister Imperator de mão estendida e surge flashbacks de toda a vida de Sister desde quando conheceu Papa Nihil (tratado no vídeo clipe de Dance Macabre), grávida, em seu parto de DOIS bebês, duas crianças correndo em um campo e tudo isso é cortado enquanto Papa IV aparece caído no chão e ao levantar observa a movimentação ao redor de Sister, que veio a falecer.

Na arena já vazia, o corpo de Sister Imperator aparece coberto enquanto Papa IV chora (forçadamente, como uma comédia pastelão) e recebe uma carta de Mr. Psaltarian, personagem NADA trabalhado no filme nem na Webserie (ninguém sabe como chegou ao Clero, qual sua função, nem nada), que Sister escreveu para Papa IV e o designou como o novo chefe: Frater Imperator (Frater – irmão).

Durante os créditos, surge a terceira música gravada por Papa Nihil “em 1969”, “The Future Is A Foreign Land”, com a vibe dos anos 60, por motivos óbvios e é absolutamente fantástica, apesar de fugir da sonoridade recente do grupo. Quem ficou para o pós-créditos (em Londrina ninguém saiu), pôde ver o agora Frater Imperator com sua nova vestimenta, cercado pelos fantasmas de Papa Nihil e Sister Imperator. Aparentemente, apenas Frater pode vê-los por que um zelador aparece e vê o cidadão falando sozinho no corredor, enquanto se preparam para a chegada do “cara novo”.

Após ser possível ver um vulto por trás da porta de entrada, encerra-se o filme, talvez como uma referência ao final de “Sopranos”, para a frustração de todos (apesar que provavelmente ninguém acreditaria que seria tão “fácil” assim aparecer um novo personagem).

Assim, “Rite Here Rite Now”, como trilha sonora, é muito melhor mixado do que “Ceremony And Devotion” e o filme perde a oportunidade de mostrar mais coisas referentes à estória da banda e foca mais no show, que é muito bom. Agora, resta aguardar novos capítulos no YouTube e esperar a nova era que está por vir.

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