Giant – “Stand And Deliver” (2025)
Frontiers Music | Shinigami Records
#MelodicRock #HardRock #AOR
Para fãs de: Perfect Plan, Survivor, Foreigner
Texto por João Paulo Gomes
Nota: 9,5
O ano de 2025 traz um novo álbum e uma nova formação do Giant. Mas será que ainda podemos esperar algo realmente impactante, considerando que “Shifting Time” (2022), apesar de conter bons momentos, frustrou boa parte dos fãs com sua falta de consistência e excesso de canções genéricas?
É preciso ter em mente que é praticamente impossível replicar os dias de glória de uma banda mais de trinta anos depois, ainda mais sem o cérebro criativo por trás de tudo. No entanto, usar a alcunha de um nome que carrega um legado tão importante inevitavelmente eleva as expectativas do público. É o clássico dilema: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.
Dito isso, comecei a ouvir o novo álbum com as expectativas bem baixas, já preparado para evitar a decepção e ciente de que a magia dos primeiros discos seria impossível de replicar. Esperava uma nova leva de canções previsíveis e repetitivas. Mas um sopro de esperança surgiu ao descobrir que algumas faixas foram escritas por Dan Huff — retiradas de sessões com o saudoso Van Stephenson — além de contar com uma parceria com o genial Mark Spiro, que nos deixou em março de 2024 e foi coautor de vários clássicos da banda.
Sobre o álbum: “Stand And Deliver” traz uma produção mais orgânica e natural, sem a supercompressão que drenou a vitalidade de seu antecessor. Aqui, as músicas respiram e os músicos brilham. Mas vamos ao que interessa: as canções.
Um disco que já começa com a absurdamente espetacular “It’s Not Right”, a magia “Foreigniana” de “A Night To Remember” e a colossal, arrasadora “Hold The Night” só pode ser definido como: “AVASSALADOR”. Fica claro que estamos diante de algo realmente especial.
A sensação de magia permanece em outras faixas: a furiosa música-título, com ecos de “Time To Burn”; o épico memorável “Pleasure Dome”; a dinâmica e provocante “I Will Believe”; a absurda e cativante “Time To Call It Love” (parceria de Huff e Spiro); a pulsante e poderosa “Holdin’ On For Dear Life”; a profunda e suave “Paradise Found” (duas parcerias de Huff e Stephenson); e a balada memorável “It Ain’t Over Till It’s Over”.
Vale destacar a coesão da cozinha formada por David Huff (bateria: All 41, White Heart, Skills) e Mike Brignadello (baixo: Kenny Rogers, Michael W. Smith, Petra), o brilho dos vocais incrivelmente melódicos, emocionantes e poderosos de Kent Hilli (Perfect Plan, Solo, T3nors) e, acima de tudo, o trabalho formidável de Jimmy Westerlund (guitarras: One Desire, Kometfabriken), que revoluciona as músicas com entrega, técnica, dinâmica e profundidade.
Composto de melodias impactantes, vocais impressionantes, refrães imponentes e guitarras estrondosas, “Stand & Deliver” é, sem dúvida, o melhor álbum do Giant desde “Time To Burn”. É vivido, primoroso, poderoso e viciante. Mais do que honrar o legado da banda, entrega composições marcantes, musicalidade excelente e uma consistência rara — não há uma música ruim aqui. Uma obra que mistura as raízes clássicas do grupo com a modernidade. Palmas a todos os envolvidos.

