Go Ahead and Die – “Go Ahead and Die” (2021)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#DeathMetal, #ThrashMetal, #Crossover, #Hardcore
Para fãs de: Discharge, Motorhead, Sepultura (antigo), Troops of Doom, Celtic Frost
Nota: 9,0
Em alguns lugares no mundo, pessoas importantes ganham homenagens em nomes de praças, de ruas, estádios de futebol, ginásios poliesportivos ou qualquer outra coisa para que possam saber quão grande foi, ou ainda é, aquele herói para aquela nação. No Brasil, INFELIZMENTE isso só veem com a tampa do caixão sendo fechada!
Massiliano Antônio Cavalera já deveria estar estampado com um busto banhado a bronze há anos! O nosso Max se quisesse já poderia estar coçando o saco, afinal, o cara não precisa provar nada para ninguém, mas o cidadão é incansável, um workaholic, uma maquinha de ideias e riffs. Seguindo a mítica familiar, o seu mais novo projeto, Go Ahead and Die, traz seu filho Igor Amadeus no baixo e voz e Zach Coleman na bateria, formando um trio da pesada, onde a ordem da vez era ser brutal, cru e o mais oitentista possível.
“Truckload Full of Budies” e“ Toxic Freedom” abrem o disco selvagemente, “riffs” sujos, urros cavernosos trazendo uma nostalgia monstruosa, inclusive, acredito eu, que isso foi extremamente proposital algo como mostrar ao seu público que ele ainda vive naqueles tempos e que Igor fora criado com fralda de pano, leite de saquinho e passando mertiolate quando tinha algum machucado — o moleque é muito cascudo! Em diversos momentos rouba totalmente a cena do pai, sendo o protagonista dos gritos mais insanos desse disco de estreia.
Algumas das faixas têm um corpo mais trabalhado mesmo que na sua essência tenha a rispidez, existiu uma preocupação de que não bastaria ser porrada, era necessário dar a música uma certa modelagem — são o caso de “Isolated/Desolated”, “Prophets Prey” e “Punisher”, que se designam ter fragmentos de Stoner, Doom e Black Metal em suas passagens exorcizando o caos pandêmico.
Algo que deve ser glorificado é que Max e Igor não tiveram medo de colocar o dedo na ferida, aquela coisa de “passar o pano” ficou para escanteio. As letras são acidas, não poupando a sociedade suja que vivemos, não escondendo o despontamento com governantes e organizações — liricamente é um enorme foda-se a todos que se enriquecem na base do sofrimento dos menos favorecidos e dos engravatados do poder.
Neste autointitulado, os Cavaleras foram mais Cavaleras que nunca, chutaram bundas e criando uma “organização”. Levantaram mais uma vez a bandeira do ‘underground’. Max é sinônimo de barulho, e pelo visto o bastão está sendo passado brilhantemente a nova geração.
William Ribas
