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Górgona – “Górgona” (2024)

Górgona – “Górgona” (2024)

Dies Irae Records
#OccultHeavyMetal #HeavyMetal

Para fãs de: Angel Witch, Picture, Demon

Texto por Matheus “Mu” Silva

Nota: 9,0

Seguindo com o trabalho dedicado a bandas nacionais, a Dies Irae Records relançou o único disco de estúdio da banda Górgona até o momento, “Górgona”. Originalmente lançado em 2023, o álbum traz o que se convencionou chamar de Occult Heavy Metal, com os dois pés fincados na NWOBHM, mas focando em nomes mais obscuros do movimento, como Angel Witch e Demon. O resultado é um som altamente Old School, que bebe diretamente da fonte da época mais frutífera do gênero. A nova edição recebeu um tratamento especial, em formato slipcase, com adesivo, pôster e encarte robusto e renovado.

A introdução “Intro (Coffin Joe)”, em homenagem ao eterno Zé do Caixão, prepara o terreno para “Josefel”, que surge com uma pegada cativante, lembrando como seria se o Candlemass compusesse uma faixa mais voltada ao Heavy Metal. O tom épico se une ao metal tradicional em arranjos muito bem elaborados. “Abracadabra” parte para um heavy oitentista direto e envolvente, ideal para ouvir na estrada e cantar junto. “Under The Spell” intensifica o uso de sintetizadores, mergulhando ainda mais a audição no início dos anos 80, com uma sonoridade de proto-heavy muito bem executada. “Death Picture” mantém o conceito, com um instrumental ainda mais refinado, enquanto “Black Exorcism” evidencia fortemente a influência do Angel Witch, conferindo à música uma roupagem de época extremamente funcional.

“Thy Body Will Burn” dá continuidade à proposta apresentada até então, abrindo espaço para a furiosa “Tell Tale Heart”, que adiciona uma bem-vinda pegada Speed Metal ao álbum, com riffs rápidos, precisos e vocais dobrados que convidam à participação. “Red Mask of Death” destaca um trabalho de baixo interessante, enquanto “Headless Killer” se sobressai pelos sintetizadores marcantes, em mais um ponto alto do disco, evocando novamente a veia épica à la Candlemass, aqui ainda mais bem aproveitada. O encerramento vem com “Embodiment of Evil”, faixa de andamento soturno que flerta com o Doom Metal, revelando o lado mais oculto da banda. A canção fecha o disco de forma épica, explorando todos os elementos trabalhados ao longo da audição com coesão e intensidade, sendo a melhor faixa do álbum. Como bônus, há uma versão matadora de “Heavy Metal Ears”, clássico do Picture.

Em seu disco de estreia, o Górgona superou todas as expectativas. É difícil encontrar uma banda nacional que tenha feito algo semelhante, o que reforça a autenticidade do grupo, mesmo ao resgatar uma sonoridade clássica. Trata-se de um trabalho excelente, cheio de nuances e desenvolvido com cuidado, que começa muito bem e termina ainda melhor. Altamente recomendado do início ao fim.

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