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Graham Bonnet Band – Burning House, São Paulo/SP (26/07/2026)

Graham Bonnet Band – Burning House, São Paulo/SP (26/07/2026)

Produção: Hard n’ Heavy Party / Scelza Produções
Assessoria: LP Metal Press

Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Quase treze anos após sua última passagem pelo nosso país, e em sua terceira visita por aqui, Graham Bonnet retornou ao Brasil. Lendário vocalista inglês, veio ao Brasil com sua banda solo, sendo tecnicamente sua segunda visita nesse formato, pois, em 2013, veio com o Alcatrazz. Porém, como os repertórios de ambos os projetos são similares, levaremos em conta como uma terceira vinda. Com produção da Hard n’ Heavy Party / Scelza Produções, a banda realizou uma única data no Brasil, no último domingo (26).

Com a banda subindo ao palco às 19h35, a primeira coisa que chamou a atenção foi um banco para Graham. Notório por sua energia no palco, aquilo se fez necessário, pois, recentemente, ele fez uma cirurgia no tornozelo, algo que dificultou sua locomoção. Porém, no auge dos seus 78 anos, isso passou longe de ser um problema. Devidamente posicionado, todo sorridente e com a casa cheia, a banda começou com tudo com “Eyes of the World” e “All Night Long”, ambas do Down to Earth (1979), disco que não só projetou o vocalista ao participar da lendária banda inglesa, como também marcou a difícil tarefa de substituir Ronnie James Dio no seu auge.

Inclusive, pouco após a execução da música, e esbanjando seu carisma inigualável, ainda agradeceu ao Dio por ter saído da banda, em um dos vários momentos cômicos do show. Seguindo com “S.O.S.”, do seu clássico debut solo Line-Up (1981), ainda brincou com o fato de ser uma música do Ross Ballard e que essa não seria a única da noite que ele tocaria de uma de suas maiores influências, referência que muitos pegaram na hora (risos).

Aliás, risadas foi o que não faltaram no show, pois seu senso de humor era contagiante, quase como um avô que conta histórias e as pessoas ao redor se divertem só pelo fato de ele estar ali falando.

Emendando mais uma de seus tempos de Rainbow com uma poderosa execução de “Love’s No Friend” e outro seminal clássico de seu disco solo, “Night Games”, Bonnet precisou parar um pouco para tomar um ar, muito por conta de sua cirurgia, algo que o deixava fisicamente exausto e com dor.

Enquanto isso, o guitarrista brasileiro Conrado Pesinato aproveitou para trocar uma ideia com a plateia, e o tecladista Alessandro Bertoni fez um extenso solo de teclado, brincando com alguns clássicos do Deep Purple, como “Child in Time” e “Highway Star”. A banda ainda fez uma versão instrumental de “Lazy”, tendo até um duelo entre os músicos, esbanjando técnicas apuradas, até que finalmente Bonnet deu novamente o ar da graça.

Retomando a apresentação com “God Blessed Video”, e mais uma vez brincando sobre como seu tornozelo estava incomodando, mas sem se deixar abalar por isso, o show seguiu com “Imposter”. E esse foi o momento mais engraçado do show, com Bonnet dizendo que fez essa música quando se olhou no espelho e lembrou do seu pai no reflexo. Ainda foi o único momento do show em que ele tirou os óculos, para mostrar o quanto era bonito, com ele mesmo rindo tanto quanto os presentes…

É sério, quem foi nesse show certamente voltou mais leve para casa, pois o vocalista é uma figura ímpar.

Resgatando mais material antigo, dessa vez trouxe sua participação em outro grupo lendário, o Michael Schenker Group, com a excelente “Desert Song”. Mais uma vez, uma pausa se fez necessária para que Bonnet se recuperasse. Nisso, foi a vez de rolar um solo de bateria, enquanto os músicos improvisaram o início de “Stargazer”, e foi uma pena que não tocaram ela inteira…

Bonnet retornou novamente ao palco e, brincando entre ele e Conrado que tocariam uma música nova, a banda enfim trouxe o outro cover de Ross Ballard, nada menos que a eterna “Since You Been Gone”, talvez o maior clássico que Bonnet tenha gravado em toda sua carreira. Tendo sua versão imortalizada nos seus tempos de Rainbow, foi o ápice do show. Afinal, essa é simplesmente histórica.

Seguindo com “Into the Light”, a baixista Beth aproveitou o momento para introduzir a banda e, com isso, trouxeram mais uma do MSG, “Assault Attack”. Com o vocalista já apresentando certa dificuldade para se locomover depois que tinha voltado ao palco — inclusive quase caiu quando a banda estava sendo apresentada —, Conrado, entrando no clima amigável de Bonnet, brincou com a plateia para que fingissem que a banda tinha saído do palco e voltado para o bis final. Mais um momento divertido da apresentação.

Finalizando o show com um clássico do Alcatrazz, “Too Young to Live, Too Drunk to Die”, e mais um clássico do Rainbow, “Lost in Hollywood”, a banda encerrou sua apresentação de 95 minutos, totalmente ovacionada pelo público.

Ver uma figura tão icônica quanto Graham Bonnet ao vivo, por si só, já seria algo muito bom. Mas a figura que ele é torna o show dele não só uma apresentação musical, mas uma lição de vida.

Beirando os 80 anos, exalando energia e com um senso de humor inabalável, chega a ser até doloroso ver outros artistas serem tão mesquinhos em sua existência e realizando shows protocolares. A minha régua sobre como um artista pode ser mudou totalmente depois de hoje.

Além de um repertório incrível e uma banda afiadíssima, Bonnet é um sujeito do bem. Foi um dos melhores shows do ano e, como mencionei acima no texto, eu mesmo saí até mais leve e feliz demais por ter feito parte daquele momento.

Obrigado, Graham Bonnet, por existir. São pessoas como você que nos motivam a continuar nesse mundo de Rock n’ Roll!!!

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