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Green Carnation – “A Dark Poem, Part II: Sanguis” (2026)

Green Carnation – “A Dark Poem, Part II: Sanguis” (2026)

Season of Mist
#ProgressiveMetal #GothicMetal #DoomMetal

Para fãs de: Anathema, Pain of Salvation, Opeth

Texto por Lucas David

Nota: 9

Se em A Dark Poem, Part I: The Shores of Melancholia (2025) o Green Carnation nos colocou para navegar em águas melancólicas e introspectivas, em Part II: Sanguis a banda norueguesa nos joga em alto mar, no olho da tempestade.

Segundo capítulo da trilogia inspirada em Ofélia de Shakespeare, Sanguis é a continuação direta e necessária. Apresentando um álbum mais curto, com pouco mais de 37 minutos e divido em seis faixas, o disco se mostra mais volátil e pessoal.

Musicalmente, o Green Carnation mantém sua assinatura com um Metal Progressivo majestoso, com toques de Doom e Gótico, mas apostando em uma ferocidade maior. O equilíbrio perfeito entre riffs pesados e robustos, com passagens delicadas e uma produção dinâmica e claustrofóbica fazem tudo soar próximo, íntimo, como se os vocais estivessem sussurrando dentro da sua cabeça.

E a capa, mais uma vez a cargo do mestre Niklas Sundin (ex-Dark Tranquillity), traduz essa violência interna com tons de vermelho e amarelo incandescentes, bem diferente do azul melancólico da Parte I.

As faixas de A Dark Poem, Part II: Sanguis

Falando sobre as músicas, a faixa-título merece seu destaque com seus 9:05 minutos, sendo o épico do disco. O órgão Hammond começa com um tom sessentista quase psicodélico para logo explodir em um riff palhetado e uma bateria marcante, com Kjetil Nordhus entregando uma das performances mais dilacerantes da carreira, cantando sobre laços de sangue e traumas familiares.

Em total contraste, “Loneliness Untold, Loneliness Unfold” é a primeira balada do disco, cantada por Stein Sordal (baixo, guitarra e vocais) com apenas um violão. A letra, sobre um amigo lutando contra pensamentos suicidas, ganha poder justamente pelo vazio do instrumental.

“Sweet To The Point of Bitter” traz de volta o peso, com guitarras crescentes que caem como um meteoro após o minimalismo da faixa anterior, mostrando a força Prog/Doom da banda em seu estado mais puro.

Fechamento e conclusão sobre o álbum

Fechando o disco, “Lunar Tale” possui um piano delicado e a flauta de Ingrid Ose, que tem um brilho único e termina com um fade atmosférico e até anticlimático, deixando o ouvinte com apenas com a frase “The end justifies the means, you’ll see”.

No geral, A Dark Poem, Part II: Sanguis pode não ter a grandiosidade de seu antecessor, e é exatamente essa sua força. Enquanto a primeira parte funcionava quase como um disco solo, Sanguis é fragmentado, feito de flashes que o tornam mais humano e dolorido.

A banda entregou um capítulo corajoso e vulnerável, exigindo diversas audições não pela complexidade, mas pela carga emocional. É o meio de uma trilogia que se recusa a ser apenas uma ponte.

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