Ícone do site METAL NA LATA

Green Carnation – “A Dark Poem, Part III: The Messiah Complex” (2026)

Green Carnation – “A Dark Poem, Part III: The Messiah Complex” (2026)

Season of Mist
#ProgressiveMetal #GothicMetal #DoomMetal

Para fãs de: Anathema, Pain of Salvation, Opeth

Texto por Lucas David

Nota: 9,5

Chegando alguns meses após a segunda parte, A Dark Poem, Part III: The Messiah Complex é o encerramento da ambiciosa trilogia proposta pelo Green Carnation. Com apenas quatro faixas e 38 minutos de duração, é o disco com menos músicas desde Light of Day, Day of Darkness (2001), mas também o mais ambicioso.

Como o próprio Kjetil Nordhus disse, “é de longe nossa maior conquista desde Light of Day, Day of Darkness e a peça que amarra as duas partes anteriores em um todo unificado. Se a Parte I era sobre melancolia e a Parte II sobre laços de sangue e trauma familiar, a Parte III é sobre a nossa necessidade patológica de criar salvadores externos para justificar nossos fracassos”.

Sonoramente, o Green Carnation abandona quase todo o peso esmagador de Sanguis para abraçar o Prog Metal em sua forma mais pura e teatral. A base continua com Nordhus, Sordal, Bjørn Harstad, Endre Kirkesola e Jonathan Alejandro Perez, mas o retorno de Tchort às guitarras no estúdio traz de volta aquele toque clássico da banda.

A produção do álbum

A produção, novamente no DUB Studio com Kirkesola e Harstad, é cinematográfica, cheia de camadas de sintetizadores, órgãos e efeitos, preparando o terreno para o seu clímax. A arte de Niklas Sundin fecha a trilogia com chave de ouro: se a Parte I era azul e a Parte II era vermelho fogo, a Parte III traz tons pálidos, quase apocalípticos, refletindo a temática do falso messias.

As faixas de “A Dark Poem, Part III: The Messiah Complex”

A abertura com “Unconditional Artificial Chemistry” é um single perfeito, com sua linha direta, melódica e com um refrão que gruda na mente. A faixa-título tem riffs sólidos que dão lugar a sintetizadores flutuantes e uma bateria com bumbos duplos furiosos, dessa forma, evocando um sentimento de ira.

“Broken Souls, Common Enemies” tem uma construção lenta que culmina em um dos solos mais bonitos do disco. Já o encerramento com “A Dark Poem – Orchestral Suite” com seus 16:47 minutos é a obra-prima. Com a Kristiansand Symphony Orchestra e o Opera Choir, sob regência de Alexander Hanson e arranjos orquestrais de Sordal e Martin Raabe Olsen, a suíte costura temas das três partes e entrega a resolução musical que a trilogia vinha construindo há um ano.

Conclusão

No geral, The Messiah Complex cumpre seu papel funcionando não apenas como um disco solo, mas ressignificando os dois anteriores. Quando ouvimos as três partes em sequência – 16 faixas, quase duas horas de música – percebemos o planejamento da banda desde o início. É o capítulo final que transforma a trilogia de três bons discos em uma única obra épica.

O Green Carnation não apenas encerrou A Dark Poem, porém conseguiu criar sua declaração mais grandiosa em anos. Eles entenderam que para falar de salvação, precisavam primeiro nos fazer sentir perdidos, e conseguiram. Ou seja, The Messiah Complex é o final definitivo.

Sair da versão mobile