Green Lung – “Woodland Rites” (2019)
(Relançamento 2025)
Kozmik Artifactz | Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#DoomMetal #StonerMetal #PsychedelicHeavyMetal
Para fãs de: Black Sabbath, Uncle Acid and The Deadbeats, The Sword
Texto por Lucas David
Nota: 9,0
Executando um Doom Metal com doses de psicodelia, o Green Lung é uma das bandas que garantem a sobrevivência de um dos gêneros mais antigos do metal. Desde seu EP Free The Witch (2018), eles chamaram a atenção de muitos, inclusive da gravadora Kozmik Artifactz, que apostou na banda e lançou seu primeiro disco, Woodland Rites, em 2019.
Diferente de muitas bandas que usam intros apenas como forma de preencher o tempo do disco, o Green Lung já aposta em um som que dita o tom do restante do álbum na forma de “Initiation”, com a inclusão de um impressionante trabalho de violão acústico e folk de Scott Black, que toca lindamente sobre os órgãos de John Wright. A distorção entra em cena, e o baixo grave de Andrew Cave ameaça fazer o público vibrar, interagindo maravilhosamente com a bateria encorpada de Matt Wiseman. Isso deixa clara a proposta da banda logo de início e mostra exatamente do que eles são capazes antes mesmo de o álbum começar de fato, culminando em um excelente e estridente solo de guitarra.
Na sequência, a faixa-título já começa com um riff de guitarra massivo e impactante, sendo uma clara homenagem ao Black Sabbath. Quando os vocais de Tom Templar entram, eles se elevam sobre os instrumentos, proporcionando um contraste perfeito, que se mantém com os solos inspirados de Black, principalmente o que encerra a faixa. Outro destaque do álbum vem de “The Ritual Tree”, que começa com uma melodia sinistra de Wright no órgão, acompanhada por vocais em coro que soam como se viessem diretamente do meio de uma floresta. Mais uma vez, os riffs são vibrantes e cheios de groove quando entram com tudo, com o baixo espelhando a guitarra maravilhosamente, da mesma forma que Geezer Butler fazia com Tony Iommi nos clássicos discos do Black Sabbath. Mais uma vez, a performance vocal de Templar é incrível; seus vocais agudos adicionam não apenas melodia à música, mas também outra camada à atmosfera sinistra que a envolve. A guitarra brilha novamente com diversos solos que se entrelaçam com os vocais, principalmente no final, garantindo que a faixa termine em grande estilo.
Próximo do fim, o Green Lung apresenta o melhor de sua estreia com “May Queen”, uma semi-balada carregada de teclados e guitarras limpas que criam uma base perfeita para os vocais emotivos de Templar. A música é cheia de solos de guitarra no estilo blues, linhas de baixo grudentas e um refrão memorável, soando ao mesmo tempo técnica e natural, como se tivesse sido gravada durante uma jam da banda. Quando a música muda de ritmo por volta da metade, somos novamente presenteados com uma avalanche de riffs ao estilo Black Sabbath, que sem dúvida causam grande impacto quando tocados ao vivo.
Mesmo sete anos após o lançamento, Woodland Rites mostra o trabalho de uma banda madura e segura de sua capacidade técnica e emotiva, com todas as faixas tendo envelhecido bem — não há um minuto de desperdício em sua duração. O Green Lung acertou em cheio desde o início, e, para quem ouviu na época, esta é a chance de revisitar um clássico; já os que deixaram passar, corram atrás e surpreendam-se com a qualidade deste trabalho.

