Grinder – “O Ódio Ainda Queima” (2026)
Independente
#ThrashMetal
Para fãs de: Bywar, Torture Squad, Claustrofobia
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,0
Com o cenário Thrash nacional aquecido, recebendo cada vez mais lançamentos, surge mais uma força para o estilo vinda do interior de São Paulo. Grinder, projeto formado pelo vocalista do Attack Force, Rodrigo “Grinder” Ortiz, em Atibaia, ganhou vida no disco “O Ódio Ainda Queima”, lançado neste ano e já disponível nas plataformas de streaming. Rodrigo ainda contou com o apoio dos músicos Karlinhos Velasquez (guitarra e baixo) e Edson Ferreira (bateria) na gravação do álbum.
“Mórbida Mente”, que abre o disco, apresenta um Thrash vigoroso cantado em português, com uma produção crua. Rodrigo entrega um vocal que beira o gutural, mas permanece perfeitamente entendível, agregando ainda mais brutalidade e autenticidade ao som. “Porcos no Comando” traz uma mão ainda mais pesada nas guitarras, excelente para bater cabeça do início ao fim. “Altares Profanos” também se destaca ao apresentar um Thrash impiedoso com blast beats pontuais, sendo uma das faixas mais pesadas e diretas do álbum. “Insanidade” surge mais versátil e groovada, enquanto “Ratos de Guerra” recoloca tudo nos trilhos do Thrash tradicional.
“Pânico” apresenta um poderoso trecho instrumental no final, além de um refrão viciante, sendo seguida pela violentíssima “Correntes Quebradas”, faixa rápida e brutal, sem dar tempo para respirar durante sua execução.
“Muralha de Vidro” é mais um ponto alto do álbum, mantendo a força Thrash que permeia a obra, assim como “Zumbi Digital”, que exala peso e traz uma ótima composição instrumental, bem trabalhada e diversificada. “Lágrimas de Sangue” retoma o lado mais direto do disco, mas em “Ruínas do Tempo” o buraco é ainda mais embaixo. Rodrigo já abre a música gritando “Thrash!!”, sinalizando que o que viria seria um verdadeiro rolo compressor. A faixa é mais um destaque absoluto do álbum, trazendo um trabalho primoroso do baterista Edson, que entrega peso e criatividade durante toda a execução. “Ecos do Vazio” é menos inspirada, mas não menos pesada, com a fúria retornando por completo em “Heróis Esquecidos” e “Guerra Cibernética”, que encerram a obra de forma tão destruidora quanto ela começou.
“O Ódio Ainda Queima” é um baita disco. Mesmo com 14 músicas — um número expressivamente alto para um álbum de Thrash —, todas carregam um poderio sonoro que evidencia a força criativa de Rodrigo. Acompanhado de excelentes músicos, ele conduz a criação de um trabalho realmente forte. Em um estilo que, por vezes, soa estagnado, a obra do Grinder consegue soar relevante, com diversos momentos criativos e funcionais, sem abrir mão, em nenhum momento, de ser brutal e fiel ao estilo.





