Gruesome – Burning House, São Paulo/SP (17/10/2026)
Produção: Caveira Velha Produções | Xaninho Discos
Bandas de abertura: Trachoma e Chaoslace
Texto: Matheus ‘Mu’ Silva
Fotos: Rodrigo Faustino
Pela primeira vez no Brasil, o Gruesome finalmente estreou em nosso país. Uma das principais bandas da atual geração dedicada ao Death Metal Old School, liderada pelo incansável Matt Harvey, que também atua no Exhumed e no Left to Die, veio ao Brasil para uma data única em São Paulo, no último sábado (17). Com produção da Caveira Velha Produções, o evento também contou com a abertura das bandas Trachoma e Chaoslace.
Iniciando às 18h30, o trio paulistano de goregrind Trachoma trouxe ao evento seu som pútrido, imundo, ininteligível e pesado além de qualquer limite. Como é de praxe no estilo, a banda aliou riffs lentos e carregados de sujeira a batidas arrastadas e, por vezes, blast beats.
O grupo figura entre os principais nomes do gênero no cenário nacional atual. Além disso, fez jus a outra característica marcante do estilo: as músicas curtas. Foram impressionantes 22 faixas em apenas 25 minutos de apresentação, abordando temas mórbidos por meio de uma musicalidade doentia.
Às 19h20, foi a vez de o Chaoslace destilar seu Brutal Death Metal no evento. Vinda de Santo André e com mais de 20 anos de estrada, a banda é um nome tradicional do underground nacional. O trio trouxe ainda mais brutalidade, mas com um som mais coeso e visceral.
Durante um set de 30 minutos, o grupo concentrou o repertório principalmente em seu único álbum de estúdio, “Inhumane Terror Cult” (2018). O resultado foi uma apresentação intensa e implacável, com destaque para “Rot on Thy Cross”, um dos pontos altos do show.
Assim, a banda celebrou sua trajetória e coroou tantos anos de dedicação ao underground com uma apresentação simplesmente destruidora.
Finalmente, às 20h45, o Gruesome subiu ao palco e já chegou arrebentando tudo com “Trapped in Hell”. A banda trouxe toda a influência do Death em sua transição entre “Leprosy” e “Human”, executada com maestria absoluta. Matt Harvey parece até uma reencarnação de Chuck Schuldiner no início da carreira.
No mês passado, inclusive, tive a oportunidade de assistir ao Left to Die, banda na qual ele toca ao lado de ex-integrantes do Death que participaram justamente do período que inspira o Gruesome. Entretanto, com seu próprio grupo, Harvey extrai a sonoridade daquela época de maneira simplesmente alucinante. Isso ficou evidente na resposta do público, que aguardava ansiosamente a estreia da banda por aqui.
Além de Matt, outro nome importante é o guitarrista Daniel Gonzalez, integrante da atual formação do Possessed. Ele também deu vida aos trabalhos mais recentes dessa banda pioneira do estilo. Ou seja, estavam reunidas no mesmo palco duas figuras que mantêm viva a chama do Death Metal Old School.
O repertório passeou principalmente por “Savage Land” (2015) e “Silent Echoes” (2025), primeiro e terceiro álbuns da banda, respectivamente. O público recebeu músicas avassaladoras como “A Darkened Window”, “Frailty”, “Closed Casket” e “Condemned Identity”. Foi uma verdadeira ode ao Death Metal em seu estado mais primitivo e violento, promovendo um atropelo sonoro e incitando rodas de mosh insanas pela casa.
Harvey não conseguia esconder a felicidade ao perceber o quanto o público admirava seu trabalho. O músico é extremamente simples e humilde, e é gratificante ver sua música tão valorizada por aqui. Enquanto isso, a cozinha formada por baixo e bateria também deu um show à parte. A baixista Robin Mazen arrebentou nas quatro cordas, enquanto o baterista Pierce Williams, que substituiu o integrante original Gus Rios, entregou uma performance irretocável.
Com um show que foi um soco na cara atrás do outro, sem demagogia, apenas metal veloz e direto, o Gruesome encerrou a apresentação com uma dobradinha de “Savage Land”: a faixa-título e “Gruesome”, que leva o nome da banda.
Em seguida, veio um poderoso cover de “Black Magic”, clássico absoluto do Slayer. A interpretação deixou aquele gostinho de imaginar como seria se o Death tivesse tocado essa música na época. O momento levou o Burning House abaixo e encerrou os 60 minutos de apresentação com a mesma intensidade que marcou o início do show.
É sempre uma felicidade enorme presenciar a estreia de bandas no Brasil e, mais ainda, mostrar aos músicos estrangeiros o quanto o brasileiro é apaixonado por Metal. Certamente, o Gruesome foi embora com uma impressão extremamente positiva do nosso país.
Quem esteve presente, por sua vez, testemunhou um dos melhores shows do ano — e digo isso sem precisar pensar muito. A apresentação foi simplesmente arrebatadora.
Que voltem logo, quando tiverem material novo! Esse é o tipo de show que todo fã do estilo deveria presenciar ao menos uma vez na vida.

