Gruesome – “Silent Echoes” (2025)
Relapse Records
#DeathMetal #ProgressiveDeathMetal #TechnicalDeathMetal
Para fãs de: Death, Cynic, Exhumed
Texto por Lucas David
Nota: 10
Desde 2014, o Gruesome se dedica a um trabalho notável, orgulhosamente dedicando seus discos a homenagear os trabalhos do Death, de Chuck Schuldiner. Mesmo com os primeiros lançamentos do Death soando primitivos em comparação com os últimos lançamentos da banda, é inegável o impacto que ele teve, e o Gruesome soube utilizar desse mesmo formato para seus trabalhos, zelando pela música e memória de sua inspiração. No álbum de estreia Savage Land (2015) a banda trouxe um som mais bruto e sujo, com Scream Bloody Gore (1987) e Leprosy (1988) servindo como base, enquanto Twisted Prayers (2018) focou mais em Spiritual Healing (1990), mostrando que o Gruesome é mais do que capaz de acompanhar a mesma evolução que Schuldiner fez.
Agora em 2025 com Silent Echoes o supergrupo se prestou em homenagear Human (1991), que, para qualquer conhecedor de metal, é um dos maiores discos de Chuck Schuldiner, e um álbum que os fãs do Death Metal Old School gravaram em suas almas. O Gruesome se desafiou a fazer um trabalho tão bom quanto o feito por Chuck, Sean Reinert, Paul Masvidal e Steve Di Giorgio, e felizmente alcançou seu objetivo. Silent Echoes é exatamente o que foi prometido.
A abertura com “Condemned Identity” é arrasadora, invocando o espírito de “Suicide Machine”, porém com os toques que o Gruesome consegue imprimir em suas composições. Os vocais de Matt Harvey são insanos, a bateria de Gus Rios é precisa e ataca sem piedade, além de contar com um solo de guitarra incrível e cheio de melodia. “A Darkened Window” mantém o ritmo com muito peso e algumas passagens com ótimas viradas da bateria e algumas partes onde o headbanging é inevitável.
Músicas como “Frailty” e “Shards” acertam em cheio o equilíbrio entre selvageria e sofisticação, com uma avalanche de riffs venenosos vindos diretamente das melhores bandas Old School. Aqui há espaço para solos belíssimos, com melodia e pegada absurdas, assim como na faixa-título que é uma das mais brutais do disco com os vocais mais doentios, a bateria metralhando tudo e uma avalanche de riffs de guitarras, aliados a solos incríveis.
Outro ponto que merece atenção é como a homenagem do Gruesome foi fundo, trazendo uma faixa instrumental, “Voice Within the Void (Astral Oceans)”, que muito se assemelha a “Cosmic Sea” presente em “Human”. Além de ser uma performance deslumbrante do grupo, suas reviravoltas, tomando o lado mais progressivo, parecem quase tão ousadas e exploratórias quanto “Cosmic Sea” foi para o Death.
Por mais que esse trabalho transpire nostalgia, é inegável o trabalho absurdo que o Gruesome fez no álbum. Além de uma homenagem ou de apenas copiar o que já foi feito, a banda conseguiu criar uma obra tão forte e marcante quanto seus ídolos. Com toda a brutalidade misturada ao progressivo, Silent Echoes é o Death Metal refinado e de primeira qualidade que Chuck Schuldiner sempre buscou.

