Ícone do site METAL NA LATA

Guilherme Costa – “Light of Revelations” (2020)

Guilherme Costa “Light of Revelations” (2020)
Independente
#HeavyMetal#MelodicMetal

Para fãs de: Axel Rudi PellMonte PittmanTimo Tolkki’s Avalon

Nota: 9,0

“A desistência é o pior tipo de derrota”, diz a letra de “Fight Against Myself”, música que abre “Light of Revelations”, novo álbum do multi-instrumentista mineiro Guilherme Costa. Não desistir talvez seja o grande desafio de todo músico ou intérprete no underground brasileiro, esse terreno fértil que somos levados a crer ser incapaz de produzir bons frutos; ou cujas práticas impedem o desabrochar de novos talentos. Nascido em 1992, traz na bagagem passagens por bandas autorais e cover, mas somente em 2017, ano de “The Kings Last Speech”, que teve início a presente fase.

Voltando a “Light”, em seu pouco mais de meia hora de duração, Costa explora diversas sonoridades e sai do lugar comum das masturbações que se pressupõe serem a única opção para um guitarrista: trocando em miúdos, o cara não está nem aí para quantas notas é capaz de tocar por segundo nem permite converter seu material numa réplica de clichês consagrados pelos grandes do passado. A preocupação aqui é muito mais com o todo, incluindo timbragem e minúcias de produção, do que com o quanto ele, sozinho, pode impressionar com sua técnica.

Técnica essa que fica em evidência nas instrumentais “Bloody Wars” (toda construída em harmonia de duas guitarras) e “The Sound of Hope”, que, aí sim, mira em Satriani, Vai etc., mas sem renegar ingredientes do rock dos anos 90 e 2000, importantes na formação musical de Costa e também presentes na supracitada faixa que abre o disco. Costa também não nega – aliás, deixa muito claro – a afeição pelo power metal, vide a faixa-titulo, que fecha o bingo: solo quase punheta, teclado em super evidência e aquela subida de tom característica dos refrões finais dos hinos do estilo. O encerramento, porém, veste verde e amarelo com “Homeland”; tipo de mistura que sempre surpreende e exibe tanto a riqueza e a adaptabilidade da música regional brasileira quanto a versatilidade de quem se propõe a brincar com ela.

Cerejas do bolo: todos os vocais foram registrados pelo grande Gus Monsanto, cuja competência acima da média pode ser verificada em um sem-fim de trabalhos do hard & heavy mundo afora, e quem assina a produção é o mesmo Celo Oliveira que lapidou “Postcards from the Black Sun”, do Sixty Nine Crash, um dos melhores lançamentos nacionais de 2018. E este “Light” aqui é sem dúvida um dos melhores de 2020.

Marcelo Vieira

Sair da versão mobile