Haiku Funeral – “Decadent Luminosity” (2018)
Independente
#SymphonicBlackMetal, #IndustrialBlackMetal
Para fãs de: Apollyon Sun, Triptykon, Angelo Badalamenti
Nota: 10
É muito raro encontrar músicas em que elementos eletrônicos são encaixados de forma balanceada na estrutura do Black Metal, sendo incrível a ambiência soturna alcançada quando este equilíbrio é atingido.
É exatamente este o caso deste álbum duplo do Haiku Funeral, que se trata de um esmerado trabalho de estúdio onde esforços não foram poupados para dar aquele clima geral de ritual satânico, com andamentos predominantemente arrastados e sorumbáticos, vocais modorrentos, típica trilha sonora de filme de terror sombrio e nebuloso rodado em preto e branco, com imagens distorcidas e violência apenas sugestionada.
O que confere a dinâmica da narrativa musical é a oscilação entre conduções orgânicas e intervenções eletrônicas regadas ora em lisergia ora numa levada mais marcial pós-apocalíptica, tudo equalizado de forma homogênea, com escora em elementos percussivos, loops bem sacados e harmonias góticas utilizadas com moderação e bom gosto. Sim, amigos do Metal, as guitarras aqui são meras coadjuvantes, senão figurantes cenográficas, abrindo espaço para sintetizadores, instrumentos de sopro, trombetas e violinos dos infernos.
E a missa vai rolando de maneira agradável, bizarra e caótica ao longo das faixas, ora mais pesadonas, como em “Scientia Intra Satana”, ora mais dançantes e ritualísticas, como em “The Crown Of His Glory” – o destaque do álbum, a música que Tom Gabriel Fischer gostaria de ter composto com seu Apollyon Sun – ora mais arrastadonas, como em “The Dreams Of Celestial Beings”, que é o clima que predomina em geral ao longo desta obra.
A partir da última faixa do CD 1, “Dreaming Kali In The Temple Of Fire”, a porra começa a ficar séria e descamba para um darkwave de sonoridades tribais, sax sombrio, esquema Angelo Badalamenti, aparentemente para invocação de algum tipo de força transcendental e, ao que tudo indica, não se trata de arcanjos e outros seres de luz. O CD 2 vai nessa linha e é indicado somente para os que estão no clima de encarar esse tipo de arte caótica, mistura de filme de David Lynch com declamações de Jim Morrison.
Excelente material que é parada obrigatória aos que se sentem atraídos pelas artes negras, aquelas que trabalham a negatividade ao extremo, em toda sua complexidade, beirando o nível ritualístico, possivelmente numa tentativa de contato direto com A Besta de diversos nomes.
Wallace Magri
