Banda principal: Helloween
Banda de abertura: Hammerfall
Local: Espaço Unimed, São Paulo/SP
Data: 08/10/2022
Produtora: Mercury Concerts
Assessoria: Catto Comunicação
Texto, fotos e vídeo por Johnny Z.
Sempre é bom vermos que nossos ídolos de infância continuam na estrada fazendo grandes shows e gravando excelentes álbuns, pois somos privilegiados de vivermos na mesma época de todos eles, não é mesmo? Aproveitar cada notícia, lançamento e, principalmente, presenciar seus shows em nossas terras nos deixam com aquela sensação de dever – e direito – cumprido. Agradecer cada segundo por estar ali e não lamentar a perda, ausência e assim por diante. Enquanto nossos grandes medalhões estiverem esbaldando saúde, disposição, alegria e qualidade, temos que aproveitar o máximo tudo isso.
Pois bem, a United Forces Tour 2022 veio ao Brasil trazendo as bandas Hammerfall (Suécia) e o Helloween (Alemanha) e quem esteve presente em algum desses shows saiu de lá de alma lavada, passando por cima de cansaço, calor, aperto e tudo mais. No sábado, dia 8 de outubro, estivemos presentes no excelente Espaço Unimed, antigo Espaço das Américas, na Barra Funda, e só Deus sabe o quanto é bom podermos ir para lá de transporte público, no caso falo do metrô, pois desceu na estação Barra Funda se você se descuidar já está no meio da pista da casa (risos). Sem exageros, não gastamos nem 5 minutos da catraca até o portão de entrada. Suas instalações são excelentes, lugar grande, com estrutura bem organizada e o melhor: iluminação e acústica impecáveis. O único problema, que muita gente reclamou e eu endosso, foi que, certa hora, o sistema de ar condicionado resolveu estranhamente “tirar umas férias”, deixando o local uma verdadeira estufa. Tudo bem, a casa estava completamente lotada, com pouquíssimos lugares para circulação, ou seja, MUITA GENTE MESMO, mas dar “pau” no ar condicionado nessas circunstâncias é preocupante. Outro ponto negativo são os preços das bebidas nos bares, onde uma mísera água era 10 reais e um refrigerante 12! Gente, eu sei que deve existir margem de lucro, mas extorsão é inadmissível, ainda mais com um local entupido de gente, num calor que até o capeta pedira um ‘kisuco’ gelado – e pagaria uma fortuna, diga-se (risos). Bom senso nessas horas ajudaria.
Chega de papo, e vamos ao que interessa: os shows!
A organização divulgou previamente que o Hammerfall entraria no palco as 20h, o que infelizmente não ocorreu. Um atraso de 30 minutos deixou o povo meio bravo. Seria tolerável se estivéssemos todos com um ar condicionado decente, sem aperto e tudo mais, o que não foi o caso, mas aguentamos firmes. Somente as 20h30 as luzes se apagaram e os suecos entraram no palco.
Confesso que não acompanho a carreira do Hammerfall por puro desinteresse, mesmo gostando da voz de Joacim Cans – seu único trabalho solo, o excelente e pesadíssimo “Beyond The Gates”, de 2004, é soberbo. Talvez por eu ler no passado algumas besteiras em revistas e sites por aí taxando-os de isso e aquilo eu tenha deixado de lado. Sinceramente, não sei explicar. E, após esse show, me culpo muito por dar de ombros todos esses anos. Que banda cheia de vigor no palco! Joacim Cans é um BAITA de um frontman, esnajando talento, voz, simpatia, vitalidade e muito, mas MUITO, bom humor. Tudo aquilo que eu gosto em um músico dentro (e fora) de um palco. Aliás, não só ele, pois o outro membro fundador/original, o guitarrista Oscar Dronjak esbanja tudo isso de sobra. Os outros atuais membros não ficam atrás, agitam bastante, mostram que estão curtindo cada momento, com sorrisos estampados de lado a lado do rosto. Isso já dá outra atmosfera para o show, pois ninguém gosta de ver um robozinho zumbi que mal sorri no palco e mostra até uma certa marra (guardem isso, ok?). No Hammerfall isso passou bem longe! Pura simpatia e energia, que por conta de um som redondinho deixa qualquer um ali no gargarejo – sim, eu fiquei bem próximo do palco – se sentindo novamente um adolescente.
A banda é bem conhecida e possui uma legião de fãs tão grande quanto a atração principal, e já veio ao Brasil diversas vezes, então todos ali sabiam exatamente o que esperar, menos eu (risos). Pois bem, gostei muito do que vi, me diverti um bocado, e sai de lá como novo fã mesmo aos 45 anos de idade. Não falo aqui “clássicos presentes no set” e todas aquelas palavras que cansam de escrever por aí quando se conhece a fundo o artista, não há vergonha nenhuma em admitir uma verdade, mas pelo que pude notar muitos deles foram tocados. Destaco – para meus ouvidos não mais virgens – as faixas “Any Means Necessary”, “Renegade”, “Let The Hammer Fall”, “(We Make) Sweden Rock” e “Hears On Fire”.
Oscar e o Pontus Norgren esbanjavam peso nas seis cordas, mas Pontus é um pouco mais contido, diferindo completamente de seu parceiro. Oscar não para um minuto, sorri, pula, grita, bate no peito e interage com o público o tempo todo, troca várias vezes de guitarra (incluindo uma em formato de martelo – meio estranha na minha opinião – mas bem bacana e funciona por conta do nome da banda). Infelizmente, um idiota que estava ao meu lado bebeu acima da conta e jogou um copo cheio de cerveja na hora que Oscar estava na extensão do palco, bem ao meio do público, quase acertando-o, o que mudou sua feição em questão de milissegundos – e com razão. Mas, como profissional que é e cidadão de bem, desprezou o infeliz e priorizou a diversão de todos presentes, incluindo a dele. Obviamente que o infeliz sumiu dali, pois se ficasse mais um minuto teria apanhado feio, a minha mão chegou a coçar (risos). Não dá para entender: paga uma fortuna para ir ao show, e fica bêbado antes? Porra! Bebe depois para confraternizar, mas curte o que você esta pagando! BABACA ZÉ RUELA!
No mais, vale só uma pequena crítica ao som de baixo de Fredrik Larsson que simplesmente não existia no início das duas primeiras músicas do set, o que não comprometeu em nada, pois sabemos que fazer ao vivo tudo pode acontecer. Depois tudo entrou nos eixos numa belíssima apresentação dos suecos, com direito a bandeira do Brasil, muitas piadas por parte de Joacim, mas muito, muito metal… e dos bons! Deixa eu correr atrás do (meu) prejuízo agora.
Setlist Hammerfall:
Brotherhood
Any Means Necessary
The Metal Age
Hammer of Dawn
Renegade
Last Man Standing
Hero’s Return / On the Edge of Honour / Riders of the Storm / Crimson Thunder
Let the Hammer Fall
(We Make) Sweden Rock
Hammer High
Hearts on Fire
Após o término do Hammerfall, com a estufa já atingindo níveis desesperadores, pontualmente as 22h, os headliners e deuses – e o maior representante – do Power Metal mundial, Helloween, entraram no palco após uma pequena introdução de “Halloween”, na versão pau mole do bizarro e inútil álbum de “regravações” (ou seriam defecações?), “Unarmed”. Bateria de Dani Löble bem elevada e entornada por uma gigante abóbora inflável e cheia durante todo set já deu para diferenciar os níveis dos envolvidos. Um telão gigante de led atrás da bateria, pegando do chão ao teto, e os dois laterais, mostravam tudo em full-hd e bordas estilizadas em formato moldura que ficaram lindas e seria um enorme atrativo se soltassem algum show como lançamento em DVD, Bluray ou qualquer coisa que o valha.
Divulgando seu excelente e mais recente álbum homônimo Michael Kiske (vocal), Andi Deris (vocal), Kai Hansen (vocal/guitarra), Markus Grosskopf (baixo), Michael Wiekath (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra) e Dani Löble (bateria) deram aos paulistas um verdadeiro espetáculo!
Que qualidade de som! Dava para sentir a pressão no peito a cada descida de braço de Dani Löble, em especial os pedais no bumbo. Se o coração de alguém parasse de bater ali na hora, com certeza voltaria a bater com o “choque”. Guitarras tinindo, baixo ‘estaladão’, microfones impecáveis, tudo conspirando para uma das melhores apresentações dos alemães em nossas terras. E acredite: pelo menos para mim foi.
É inadmissível não falarmos que as voltas de Kai e Kiske não tenham sido engrandecedoras para o Helloween, não somente pela nostalgia de ter os membros clássicos na formação, mas sim também nas composições (vide o excelente novo álbum) e nos desempenhos individuais no palco. Andi Deris (que eu nunca critiquei, mas claramente não conseguia alcançar um primor de desempenho nas faixas antigas de Kiske) agora pode se dedicar somente as suas músicas e com isso está cantando muito mais! Simplesmente um monstro também! E nas partes que canta com Kiske, onde todos achavam que seria engolido, desempenha um brilhante papel SIM!
Diante do desfile de bom gosto com todos os clássicos presentes, faixas novas já queridas por todos, qualidade impecável de som, banda tinindo, tudo certinho no lugar, diversão, interação e sinergia com o público, tudo é motivo para aplaudirmos de pé, mas nada chega aos pés de ouvir a voz de Michael Kiske cantando seus clássicos e ver Kai Hansen empunhando sua guitarra vermelha (e também ouvir sua voz nos clássicos pré-históricos no medley do “Walls Of Jericho”). Esses dois caras deveriam ser estudados, especialmente Kiske. Meu Deus do céu, o cara tem 54 anos e não perdeu nem uma “grama”, “gota”, “medida”, “peso” ou “unidade” de voz! Praticamente todos os vocalistas da mesma época que ele não conseguem – e nem sonham – em chegar perto do que um dia já foram por conta da idade (ok, Bruce Dickinson e Rob Halford ainda chegam próximos). Kiske solta a voz “lá em cima” numa facilidade e esmero assustadores que chega a ser uma tremenda covardia. Se você, caro vocalista, acha que um dia chegará perto dele, esqueça, falhará miseravelmente e sinto lhe dizer isso com toda sinceridade do mundo.
Nada tira o sorriso da cara de nós, fãs, ouvirmos faixas fomentadoras de caráter em sua voz original, com as presenças dos criadores originais, e executadas com tanta perfeição, como, por exemplo “Eagle Fly Free”, “Future World”, “Save Us” (surpresa que simplesmente fez este marmanjo aqui chorar), “Dr. Stein”, “How Many Tears” (outra grata surpresa e simplesmente soberba, com direito a um pequeno trecho na guitarra de “Heading For Tomorrow”, do Gamma Ray!), “Keeper Of The Seven Keys” e “I Want Out”. Isso não tem preço! E o que falar do medley contando com “Metal Invaders”, “Victim Of Fate” (gostar e cantar até de trás para frente é questão moral e cívica!), “Gorgar”, “Ride The Sky” (hino!) e “Heavy Metal (Is The Law)” na voz do “omi”, leia-se Kai Hansen, o criador e dono da porra toda! Sim, meus caros, o cara pegou o peso do Thrash Metal e colocou a melodia do Heavy Metal, criando o Power Metal, então é SIM o dono da porra toda, aceita que dói menos! (risos)
Logicamente, as faixas da fase Deris também foram brilhantes, como por exemplo “Power” (essa é o maior clássico de sua fase disparado), “Forever And One (Neverland)”, essa cantada por Kiske e Deris juntos da mesma forma intimista e emocionante que na última turnê da banda e “Perfect Gentleman”. Se forem analisar friamente, faixas da fase Deris foram poucas, e com isso deram maior espaço ao material recente onde os dois vocalistas já criaram juntos, como a abertura do show com “Skyfall”, “Mass Pollution” e a bem quista por todos “Best Time”.
Na minha modesta opinião, por mais que eu goste de “Perfect Gentleman”, eu acharia melhor no lugar algo como “Time Of The Oath”, “Revelation” ou até mesmo “If I Could Fly”. Questão de gosto, já que “Perfect Gentleman” foi muito bem recebida e cantada por todos. Talvez eu esteja errado então (risos).
Todos estão de parabéns, foram brilhantes em seus papéis. Até mesmo o “deslocado” Sascha Gerstner que destoa bastante dos outros por conta de seu visual, mas tem uma técnica apuradíssima nas seis cordas. Mesmo se divertindo e mostrando seus “brinquedinhos” bizarros no palco – na boa, 3 guitarras horrorosas, iguais a que ele usa no videoclipe de “Skyfall” causavam dores nas vistas de tanto mal gosto (risos). Não quero ser leviano, muito menos desrespeitoso, apenas acho que não era necessário a presença dele na banda agora, mesmo ele sendo bem-querido pelos fãs, recebendo muitos aplausos, gritos pelo nome etc. Talvez o motivo seja que, se um dia Kai volte a querer só seu Gamma Ray, Sascha – que é um excelente compositor, diga-se – estará lá para tocar o barco? Vai saber? Questão de gosto pessoal só.
A alegria e entusiasmo de ver Markus tocando seu baixo estilizado como uma abóbora também não podem ser deixados de lado. Pura nostalgia ver esses caras juntos no palco. me senti. Foi indescritível estar ali presenciando tudo aquilo bem na sua frente, onde um amontoado de memórias surgiam instantaneamente na nossa cabeça! Falo isso pois, infelizmente, não os vi ao vivo da primeira vez que vieram com essa formação, só na TV e nos DVD “United Alive”. Foi uma experiência única, pois sou um fã confesso de Kai Hansen e de Michael Kiske.
O que me deixou de certo modo preocupado foi o aspecto físico de Michael Weikath. Meu Deus, ele está muito magro, praticamente raquítico e esquisito, não sorrindo nenhuma vez, apenas tocando sua guitarra (bem, como sempre), mas de uma forma quase que “tá, vamo ai vai”, se é que vocês me entendem. Sério, não é na maldade, mas deem a esse cara um cigarro, um hambúrguer e uma cerveja urgente, pois se existe algum tipo de abstinência ou algo do tipo, não está fazendo bem (risos). Vi outros shows antigos da banda, e ele não estava dessa maneira não, é preocupante!
Outros destaques interessantes da apresentação foram as imagens que passavam nos telões, na maioria das vezes com as artes dos singles da banda em formato animado, como, por exemplo “Perfect Getleman”, “Dr. Stein”, dentre outras, numa qualidade espantosa.
Uma coisa boa que devo citar é a correta escolha das faixas do mais recente álbum da banda para serem apresentadas no show. Creio que “Skyfall” e “Best Time” serão presenças quase que obrigatórias nas próximas turnês. “Mass Pollution”, com sua introdução vibrante de baixo, caiu como uma luva, mas acredito que não terá muito tempo de “vida” nos próximos setlists. Nunca a escolha do setlist agradará 100% dos fãs, e me incluo nisso, lembrando que citei lá atrás outras faixas que poderiam estar no lugar de “Perfect Gentleman”, mas eu ainda sonho em um dia ouvir novamente uma “Mr. Ego” ou “Still We Go”, mesmo sabendo que a probabilidade de acontecer é praticamente zero devido ao fator do compositor não estar mais na banda.
Para não parecer aquele fã “tiozão chatão”, que acha somente os clássicos importantes, “Keeper Of The Seven Keys”, que é lindíssima, acho que deveria ser suprimida do set por ser longa demais e naquela hora, quase fim do espetáculo, ninguém aguentava mais ficar de pé devido ao êxtase, cansaço e calor (risos). Em seu lugar, podíamos ter, por exemplo, as citadas anteriormente, ou até mesmo a sensacional “A Tale That Wasn’t Right”, onde Kiske mataria do coração metade do povo lá presente.
Na minha modesta opinião, hoje em dia, não tem para ninguém em relação a Power Metal. Com essa formação que conseguiu tirar do limbo uma banda que praticamente vivia do passado, errando mais do que acertando, caindo e se levantando como uma montanha-russa, posso afirmar que foi a coisa mais acertada, inteligente e genial resolveram fazer em toda carreira. As outras bandas antigas poderiam pegar como exemplo!
A noite de sábado – e acredito que a de domingo também – foi uma aula de Power Metal, Heavy Metal, Metal, Rock, o que você preferir, o que importa é o bom gosto, energia, emoções a flor da pele, tudo em grau elevado, deixando nossas memórias ainda mais felizes por termos nascido/vivido na mesma época que eles. Pode ser você “tr00zão” ou “trevozão”, pega a fila e ajoelha (risos).
Obrigado Mercury Concerts e Catto Comunicação pela parceria e credenciamento.
Setlist Helloween:
Halloween (Unarmed Version Intro)
Skyfall
Eagle Fly Free
Mass Pollution
Future World
Power
Save Us
Walls of Jericho (intro)
Metal Invaders / Victim of Fate / Gorgar / Ride the Sky
Heavy Metal (Is the Law)
Forever and One (Neverland)
Guitar Solo (Sacha Gerstner)
Best Time
Dr. Stein
How Many Tears
Perfect Gentleman
Keeper of the Seven Keys
I Want Out
