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HammerFall – Vip Station, São Paulo/SP (08/11/2025)

HammerFall – Vip Station, São Paulo/SP (08/11/2025)

Abertura: Cova Rasa e Throw Me To The Wolves
Produção: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press

Texto por Matheus ‘Mu’ Silva
Fotos por Ezequias Pedroso (@ezequiaspedroso)

Pouco mais de um ano após o último show por aqui, e em sua nona passagem pelo Brasil, o HammerFall — uma das bandas clássicas do Power Metal — retornou ao país para uma apresentação solo, algo que não acontecia desde 2017. Com produção da Dark Dimensions, os suecos trouxeram a turnê do mais recente álbum “Avenge The Fallen” (2024), com três datas marcadas por aqui, sendo a primeira delas a desta noite, em São Paulo (08).

O evento passou por uma mudança necessária de horários devido a problemas com companhias aéreas na Europa, o que acabou resultando na realização do show muito mais tarde do que o previsto inicialmente. A noite ainda contou com as apresentações das bandas Cova Rasa e Throw Me To The Wolves.

Às 20h, o Cova Rasa abriu a noite e deu o pontapé inicial do evento. Com seu Heavy/Power cheio de energia, a banda aproveitou para mostrar a força da nova formação. Jayme Danko, guitarrista e fundador, e Caio Caruso (baixo) comandaram a apresentação que marcou o retorno do tecladista Collins Freitas e a estreia do baterista Theo Machado. Ao lado deles, o vocalista Ivan Martins — hoje também à frente do lendário Salário Mínimo — conduziu tudo com técnica ímpar, segurança e carisma, garantindo uma resposta muito positiva do público. Foi realmente legal ver como ele conseguiu conquistar a galera e trazer todo mundo para o clima do show, especialmente considerando que a banda ainda trabalha sua imagem e seu espaço na cena.

Em 45 minutos de apresentação, o Cova Rasa puxou músicas do recém-lançado “Another Time” (2025), como “Borley Factory”, “Reaper’s Rival”, “Dr. Death” e “Black Shadow”. Alguns problemas técnicos apareceram aqui e ali, mas nada que abalasse a performance: a banda seguiu firme, profissional e espontânea, sem perder o ritmo. No fim, entregaram um ótimo aquecimento para a noite e deixaram claro que a atual formação tem um futuro promissor pela frente.

O público já estava na expectativa quando o Throw Me To The Wolves finalmente surgiu no palco — e bastaram poucos segundos para a banda mostrar a que veio. Com postura firme, vocais agressivos e uma dupla de guitarras funcionando como um único organismo, o quinteto paulistano mostrou que domina o território do death metal melódico com técnica e personalidade.

Depois de um intervalo que pareceu mais longo do que realmente foi, às 22h em ponto o ataque começou com “Chaos”. A música, por si só, já tem energia suficiente para acordar qualquer plateia, e ao vivo ganhou ainda mais peso. “Tartarus” veio logo depois, e foi nesse momento que o vocalista Diogo Nunes revelou seu lado mais descontraído, conversando com o público e explicando — com direito a piadas e até o famoso même do He-Man e do Esqueleto — a curiosa ligação entre o death metal melódico e o power metal. A galera entrou na brincadeira.

Grande parte do repertório girou em torno do álbum “Days of Retribution”, e a faixa-título soou impressionante ao vivo. O entrosamento entre Guilherme Calegari e Fabrício Fernandes nas guitarras é um dos pontos altos do show, com riffs e melodias bem construídas que remetem à escola sueca sem soar imitativas. A nova formação, que agora inclui o baixista Fábio Fulini, mostra sinais claros de força e coesão, mesmo estando apenas em seu segundo show.

Quando anunciaram “Fragments”, Diogo avisou que seria um momento mais brutal — e cumpriram a promessa. A plateia respondeu à altura, e o baterista Maycon “Phantoms” Avelino manteve tudo no eixo, entregando aquela cadência firme que dá espaço para a banda explorar tanto o peso quanto as partes mais melódicas.

Já mais soltos e totalmente entregues à apresentação, avançamos com “Gates of Oblivion” e “An Hour of Wolves”, duas músicas bastante aguardadas pelos fãs, que vibravam a cada riff reconhecível. Entre uma música e outra, Diogo fez questão de agradecer pela oportunidade de abrir para o HammerFall e compartilhou com o público um pouco de sua história como fã — um momento honesto e simpático que aproximou ainda mais a banda da plateia.

O encerramento veio com “Gaia”, o primeiro single do grupo. Mesmo sem a participação ao vivo de Björn “Speed” Strid, a música manteve seu impacto e coroou a apresentação com aquela mistura bem calculada entre peso, emoção e melodia.

No fim das contas, o Throw Me To The Wolves entregou mais do que um bom show: entregou uma performance cheia de energia, carisma e musicalidade. A banda mostrou que domina a técnica, mas também sabe transmitir paixão no palco. E, pelo que ouvimos da reação da galera, muitos ali saíram decididos a colocar os “lobos” na playlist assim que chegassem em casa.

Uma apresentação marcante e a prova de que o death metal melódico feito no Brasil vive um momento especial — e o Throw Me To The Wolves está entre os nomes que justificam isso.

Foi evidente que a banda conquistou uma boa parcela do público presente. Pouco depois do show, ficamos sabendo que eles venderam todo o merchandising disponível apenas nesta apresentação de São Paulo — mesmo ainda tendo outras datas ao lado do HammerFall. Isso foi surpreendente e, ao mesmo tempo, muito recompensador de ver, pois reflete diretamente a qualidade do material que apresentaram no palco. Só isso já representa uma grande vitória para todos.

Após a apresentação do Throw Me To The Wolves, foi informado ao público que seria necessário aguardar mais um pouco para o início do show do HammerFall devido a mais atrasos no desembarque de alguns membros e extravios de bagagem — nada por culpa da produtora ou da casa, mas sim dos cancelamentos de voos pela companhia aérea. Finalmente, às 2h da manhã, os suecos do HammerFall subiram ao palco. Formado por Joacim Cans (vocal), Oscar Dronjak e Pontus Norgren (guitarras), Fredrik Larsson (baixo) e David Wallin (bateria), abriram seu set com “Avenge The Fallen”, faixa-título do álbum de 2024, e nem parecia que o público estava ali havia tantas horas: a resposta foi imediata e explosiva, com banda e plateia cantando em coro. Logo em seguida, emendaram com um clássico, “Heeding The Call” (“Legacy of Kings”, 1998), mantendo a energia e o clima festivo.

O vocalista Joacim Cans agradeceu ao público por esperar até aquele horário, reforçando que o HammerFall nunca cancela shows e que não seria diferente naquela noite. Pediu desculpas pelo atraso e, em seguida, a banda emendou outro clássico, “Any Means Necessary” (“No Sacrifice, No Victory”, 2009), seguido por “Hammer of Dawn” (“Hammer of Dawn”, 2022). Nesta turnê, o grupo costuma apresentar um medley instrumental com músicas de seu quinto disco, “Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken” (2004), que completou 20 anos no ano passado. Quando começaram os acordes de “Blood Bound”, que abre o medley, todos esperavam que ele acontecesse — mas, para surpresa geral, a banda seguiu com a música completa. Foi uma decisão mais que acertada: além de ser uma das melhores faixas da carreira, teve uma resposta ensurdecedora do público e, confessamos, nos arrancou lágrimas, pois foi a primeira música que ouvimos do HammerFall. Fomos pegos de surpresa e tomados por uma alegria imensa. Na sequência, veio “Renegade” (do álbum homônimo de 2000), um verdadeiro deleite para os fãs de longa data.

Com algumas pessoas empunhando martelos na plateia, Joacim — sempre carismático e bem-humorado ao longo de toda a apresentação — pediu para que quem tivesse um martelo erguesse um, e quem não tivesse levantasse um imaginário. Isso abriu espaço para outra favorita do público, “Hammer High” (“Built to Last”, 2016), cujo refrão ecoou em uníssono, como um exército pronto para a batalha. “Last Man Standing” (“Steel Meets Steel”, 2007), outro clássico contemporâneo, também foi um destaque absoluto: a música inteira gira em torno de coros, algo característico da banda, mas a resposta do público foi tão intensa que Joacim praticamente deixou a plateia cantar sozinha em vários trechos — e era visível a alegria da banda naquele momento épico.

Seguindo com outra do “Chapter V…” (2004), a poderosa “Fury of the Wild”, Joacim tirou um momento para conversar com a plateia sobre quem estava vendo o grupo pela primeira vez e quem já os havia assistido antes, preparando o terreno para um dos maiores clássicos: “Let The Hammer Fall” (“Legacy of Kings”, 1998). Foi um momento puramente Heavy Metal, com guitarras em sincronia e o público batendo cabeça — um dos grandes pontos altos da noite. Encerrando a primeira parte do set, vieram duas faixas mais recentes: “The End Justifies” (“Avenge The Fallen”, 2024) e o hino “(We Make) Sweden Rock” (“Dominion”, 2019), colocando o Vip Station para pular e cantar, sem demonstrar sinais de cansaço, mesmo já entrando pela madrugada.

No bis, Joacim ainda brincou, perguntando se a plateia preferia ouvir cinco minutos de histórias dele ou alguma música — e, logo em seguida, o grupo executou “Hail to the King” (“Avenge The Fallen”, 2024). Para encerrar com chave de ouro, veio seu maior clássico, a eterna “Hearts on Fire” (“Crimson Thunder”, 2002), em uma performance arrebatadora. Assim se completaram 75 minutos de show impecáveis, encerrados com sensação de dever cumprido e com a casa lotada até o fim.

Mesmo com todas as adversidades, o HammerFall entregou um espetáculo digno de sua história — carismático, consistente e repleto de clássicos — tornando a noite ainda mais especial. Não podemos deixar de mencionar o esforço hercúleo da produção para que o show acontecesse; acompanhamos de perto tudo o que estava ocorrendo e, no fim, tudo deu certo. Heavy Metal é isso: dedicação e força, principalmente quando as coisas estão desfavoráveis. É acreditar que vai dar certo — e deu. Quem ficou até o final presenciou um dos melhores shows do ano.

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