Headbangers Attack 2019 – Círculo Operario Do Cruzeiro, Brasília/DF (04/05/2019)

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Headbangers Attack 2019
Local: Círculo Operario Do Cruzeiro, Brasília/DF
Data: 04/05/2019
Bandas: MutilatorHell BoundVultos VociferosMacakongs 2099Estado RevoltosoSons Of RageBombardeioMales Fecundos
Produtor: Fellipe CDC

Texto, fotos e vídeos por Victor Augusto

O tradicional festival Headbangers Attack chegou a sua décima sétima edição, mantendo a tradição de respeito, pontualidade e comprometimento com os fãs e bandas. Como de costume, o cast abrangeu nomes desde o Punk até o Black Metal mais extremo, nunca repetindo bandas que já tocaram, de forma a abrir espaço para os que ainda estão se estabelecendo no cenário underground e presenteando os fãs com bandas veteranas, a exemplo do Mutilator (MG), que foi a grande atração do dia.

O local escolhido foi o mesmo das últimas edições, o Círculo Operário do Cruzeiro, com seu ambiente aberto e coberto. O clima no local foi de celebração, contando com músicos de inúmeras bandas da cidade e alguns até de fora, que compareceram e prestigiaram o evento, fazendo que tivéssemos mais uma noite memorável, diante das bandas que se apresentaram em palcos nomeados de Texas Estúdio e Songs For Satan (parceiros do evento).

Males Fecundos (DF)

Pontualmente às 17 horas e 30 minutos, o Males Fecundos iniciou o aquecimento do festival com o seu Grindcore pegado e pesado. O grupo mistura bem partes com pegada ao estilo Punk e Hardcore, flertando com ritmos mais agressivos, típicos do Grindcore. Apesar dos arranjos optarem por bastante distorção, o som do local segurou bem a onda e todos foram presenteados com essa nitidez.

Uma curiosidade é que a fama de pontualidade deste evento é tão elogiada e seguida à risca, que havia uma boa quantidade de fãs já neste primeiro show, muito diferente do que costuma acontecer em outros shows pela cidade.

A banda tocou com bastante agressividade e música como “Complexo de Inferioridade” foi uma das mais rápidas e brutais, enquanto “CCC: Castidade, Continência e Celibato” encerrou o show, mostrando as interessantes misturas que escutamos no seu álbum, que leva o nome da banda. Vocais urrados, guitarra suja, baixo presente e bateria insana resumem a boa apresentação do Males Fecundos

Setlist Males Fecundos:

Intro
Fagocitosocial 
Crônico Social
Existência Dissimulada
Cegueira
Lar, Amargo Lar
Necrofagia
Cova Rasa/A véspera do Escarro
Fartura, Domínio e Governo 
Pandemônio/A Liberdade do Diabo
Sem Descanso/O Homem Por Sobre Quem Caiu a Praga
GEB
Resistência Cultural
Fumar Até Morrer de Fumar
Lembranças Infernais/Epidemia Global
Morte & Destruição/Estuprando a Terra
Complexo de Inferioridade Digital
Purificação Esporrenta
País do Carnaval 
CCC: Castidade, Continência e Celibato

Bombardeio (DF)

O Bombardeio ficou a cargo de estrear o Palco Songs For Satan, que é maior do que o Palco Texas Estúdio, porém com pouca diferença entre eles. A faixa título de seu álbum, o “Início da Guerra”, serviu de aquecimento e ajustes finais do som, mostrando um estilo mais voltado para o Death/Thrash Metal. Assim como a banda anterior, apesar de ter somente uma guitarra, o peso que o trio impôs foi excepcional e, novamente, os arranjos mais pesados ganharam destaque com o som bem nítido e equalizado.

As letras em português e com temas que retratam a realidade nua e crua se encaixam bem na sonoridade da banda. O baterista apresentou uma pegada forte, até derrubando o surdo no final de uma das músicas. O único aspecto que achei que deixou a desejar é a falta de mobilidade do grupo no palco, permanecendo bem parados, mas tocam muito bem e com muita técnica, sendo suficiente para agradar aos presentes.

Setlist Bombardeio:

Início da Guerra
Bombardeio
Podridão 
Apocalypse
Incerteza
A Guerra
Lei do Cão
E Tudo Acaba em Chamas

Sons of Rage (DF)

O Sons of Rage é mais uma banda que, apesar de relativamente nova, já mostra uma grande maturidade nos palcos e diante da divulgação do EP “Light And Darkness” (2016) estão criando expectativas para o próximo álbum. O quarteto destila um excelente Thrash Metal e percebi que há uma grande veia do Hardcore escancarada em várias partes, o que dá uma cara bem legal ao grupo.

Entre a boa presença de palco e sons furiosos, eles agradeceram por estarem participando do festival e a todos que vieram cedo. Claro que com o set curto, a prioridade é tocar mais e falar menos. Mesmo assim deu para perceber a simpatia do grupo.

O fato de terem dois guitarristas ajudou a não usarem tanta distorção e melhorou a dinâmica da banda. Acima de tudo, diminuiu a saturação do som, dando uma boa variada e mostrou a boa sacada do produtor na alternância dos estilos durante o festival. Excelente apresentação do Sons Of Rage, que empolgou e chamou bastante a atenção.

Setlist Sons Of Rage:

The Two Faces of a Man
Escombros
Dark Passenger
War Zone
Bomba
Weapons of War
Caminhos Sombrios
Castigo Pra Puto

Estado Revoltoso (DF)

Uma das bandas que fez valer a pena a sua passagem pelos palcos do Headbangers Attack foi o Estado Revoltoso. Não que todas as outras não tenham feito valer, mas o grupo nitidamente estava empolgado e feliz por aquele espaço. Eles tentaram de todas as formas agregar o público, numa apresentação em que o som trouxe os fãs para curtirem perto do palco, mesmo os que não conheciam muito a banda.

O quarteto tocou os sons do álbum de estreia, o “Eles Caminhavam Com a Morte” (2018) e dentre uma mistura de Doom, Black e Death Metal, a levada não é arrastado demais e o peso e empolgação surgem na medida certa. A animação foi tão grande que até mesmo a quebra de corda de uma das guitarras não tirou a energia deles e foi prontamente substituída por outra guitarra.

A música nova “Deus Inexistente”, que ainda será gravada, finalizou mais uma excelente apresentação do festival.

Setlist Estado Revoltoso:

Idiotas Pelas Ruas
Crentes Prostitutas
As Chamas Rompem a Escuridão 
Eles Caminhavam Com a Morte
Mentes Assassinas 
Deus Inexistente

Macakongs 2099 (DF)

Resenhar qualquer coisa sobre o Macakongs 2099, pela primeira vez, não é uma tarefa das mais fáceis para mim. Primeiro por tratar-se de uma das mais lendárias bandas do Distrito Federal, que, liderada pelo meu camarada Djalma Phu (Ex-DFC e Satan’s Pray), possui “somente” 20 anos de estrada, entre vários excelentes álbuns lançados. Segundo que o lado fã, de quem acompanhou inúmeros shows do grupo desde 2007, me fez pensar que realmente fui um cara sortudo, pois justamente para esta resenha eu tive a oportunidade de presenciar o MELHOR SHOW que eu já vi deles.

O Crossover insano do quinteto, na linha Suicidal Tendencies, joga todo um peso e empolgação, somado a uma crítica social de várias esferas, com um certo humor ácido nas letras em português. “Bota Pra Lascar” abriu o set e a pegada da banda já trouxe uma boa quantidade de pessoas para o palco. Vale reforçar que a volta do guitarrista WA (Degola) ajudou na parede de guitarras. Seus solos precisos e sua empolgação acrescentaram muito ao som enquanto Leo, mais centrado nas bases, também cativava em sua atuação. O baixista Phu tem uma importante participação nos backing vocals, enquanto toca insanamente seu baixo bem timbrado e anunciava o nome e ano de cada música a ser tocada. O vocalista Evandro atua de forma bem ativa na interpretação das letras.

Quando me pego sendo chato de tanto elogiar, me lembro que esqueci de falar da cavalice do baterista Yuri Formiga, que pulverizou a bateria com inúmeras quebradas de ritmo e, principalmente, com inúmeras viradas espetaculares. Em minha opinião, ele roubou a cena do dia. Sons mais antigos como a poderosa “Brazza City” até a nova “Haters Amam” (dedicada carinhosamente para os “amiguinhos” que brigam por causa de política), caíram muito bem e foi o show que eu mais curti dentre todas as bandas.

Setlist Macakongs 2099:

Bota Pra Lascar
Mc Maldade
Cabaré de Crianças
Mundo Adversário
Juiz Jurado Carrasco
Haters Amam
Evil Elvis 
Tele Engano
Droga Cola
Brazza City
Doidistrol
Esquenta Banha

Vultos Vocíferos (DF)

O Vultos Vocíferos é uma das poucas bandas que eu já vi passando pelo palco deste evento que é puramente Black Metal, como conhecemos das mais sérias do estilo. Se a maioria tem este gênero apenas como uma influência em seu som, o quarteto já opta por ir a fundo e entre o visual somado as letras profanas, acabaram sendo uma das que chamaram bastante a atenção. As músicas vociferadas em nossa língua pátria, ajudou a banda a sair do usual por si só.

Um outro chamariz se deu pelo constante extremismo na sonoridade e em nenhum segundo houve um alívio ou diminuída de ritmo no palco. Constantes blast beats se alternaram com os bumbos duplos, enquanto a guitarra emanava riffs em seus tons mais arrastados e agudos, acompanhados de um baixo que encorpa essa atmosfera sombria. Os típicos vocais urrados e os longos spikes dos integrantes não esconderam a simpatia do grupo e sua empolgação música após música, onde agradeceram com gestos curtos, porém convincentes.

Nessas quase duas décadas de existência, entre dois álbuns e uma Demo lançados, fica à vontade de ouvir o que está por vir no já anunciado disco novo. Foi muito bom ver uma banda, representante de um estilo não tão abordado no Brasil, fazendo uma apresentação desse nível, digna de um Headbangers Attack.

Setlist Vultos Vocíferos:

Crepúsculo de Fogo
Rex infernus
O Crocitar dos Corvos
Ritual
Sacrifício, Sangue e Poder
Pentáculo de fogo
Impuro e Infernal
Próprio Inferno
Abismal Lamentos

Hell Bound (DF)

A única representante do Heavy Metal clássico foi a grandiosa Hell Bound. Quando digo grandiosa, abstenha-se de imaginar uma banda pomposa, com um palco cheio de frescuras e performances teatrais. Não que isso seja ruim, mas o que os brasilienses do Hell Bound mostraram, de forma espetacular, foi o poder de sua música.

Com riffs diretos em uma guitarra forte, segurados por um baixo encorpado, fazendo as vezes com uma bateria precisa e rápida, o som do quarteto vem a lembrar um bom e velho Judas Priest, com seus momentos mais cadenciados. O vocal por sua vez, atua com tons mais limpos e cantados, segurando as notas mais altas para os tempos certos e nunca abusando disso. Momentos como a faixa que leva o nome da banda foi onde tivemos mais agudos, porém sempre com parcimônia.

Claramente o virtuosismo, comum em bandas desse estilo, foram substituídos por mais pegada e ficou evidente que isso se deu de uma forma a melhorar a “digestão” sonora e proporcionar uma maior interação com os fãs, pois técnica é o que não falta nesse grupo.

Além de faixas do disco de estreia “Hell Bound” (2018), a faixa “Creasys” mostrou o que o grupo está preparando para o próximo álbum. Sem enrolação e com muita música, o Hell Bound proporcionou aproximados trinta minutos de celebração como todo show deveria ser.

Setlist Hell Bound:

Rain on Fire 
Blackstorm
Hell Bound 
Creasys
Eternal Flame 
Race To Death 
Inquisition

Mutilator (MG)

A atração principal da noite foi muito esperada, não só por ser um dos grandes nomes de Thrash Metal nacional, mas também por terem voltado a ativa após anos de inatividade e esse retorno vem sendo muito bem celebrado, como a própria banda fez questão de agradecer e comemorar no palco.

A primeira vez do grupo na capital federal foi marcado por pequenos problemas, como a quebra da corda de uma das guitarras enquanto Fellipe CDC, organizador e idealizador do evento, ainda anunciava a banda para o início do show. Isso foi rapidamente arrumado, porém toda expectativa da banda após a intro e a primeira música foi meio estranha pois, nitidamente havia alguma coisa errada no palco. O som estava embolado, com baixo muito destacado e as guitarras não pareciam se conversar. Mais uma pausa para resolver o problema e a mesma guitarra que havia dado pane antes precisou ser substituída por outra, gentilmente emprestada por Leo (Macakongs 2099). Você deve estar imaginando o balde de água fria neste momento, certo? Errado!

O simpaticíssimo baixista Ricardo Neves foi cirúrgico ao comentar que era primeira vez deles na cidade e que merecíamos algo melhor, então resolveram tocar o set desde o início e meu amigo, a casa caiu. O som ficou impecável. A fúria do grupo abriu rodas implacáveis, com direito a muita diversão e fãs a mil. Foi impressionante a maturidade do grupo no palco e como o próprio Ricardo comentou, essa é a formação mais técnica que a banda já teve.

Entre riffs, solos dos clássicos oriundos dos álbuns “Immortal Force” (1987) e “Into the Strange” (1988), o público reagia alucinadamente e era nítida a alegria da banda com essa receptividade. Após muitos agradecimentos e uma breve despedida, veio o encerramento do show com a “Memorial Stone Without a Name” e assim o Mutilator deixou a sua marca registrada nos palcos do Headbangers Attack e no Distrito Federal.

Setlist Mutilator:

Intro
Nuclear Holocaust
Brigade of Hate
Evil Conspiracy
Mutilator
Believers of Hell
Solo
Blood Storm
Immortal Force
Tormented Soul
Memorial Stone Without a Name

Encerrada mais uma edição deste evento que se tornou algo clássico no cenário brasiliense. Eu não poderia finalizar minhas palavras sem antes comentar que esse foi um dos festivais onde mais tive orgulho e prazer de cobrir nesses dois anos escrevendo para este grande site. Parabéns aos idealizadores, organizadores e apoiadores pela dedicação ao underground como um todo e por externarem respeito e gratidão ao Metal na Lata. Atitudes como essas são o que fazem a nossa cena acontecer!

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