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Headbangers Attack Festival 2018, Círculo Operário do Cruzeiro, Brasília/DF (05/05/2018)


Headbangers Attack Festival 2018

Local: Círculo Operário do Cruzeiro, Brasília/DF
Data: 05/05/2018

Texto e fotos por Victor Augusto

Eis que chegou o dia do tradicional Headbangers Attack, celebrando a sua décima sexta edição e mantendo a sua força dentro do cenário brasiliense. Para quem não conhece o festival, ele é 100% underground, abrindo espaço desde bandas novas até as já mais consolidadas e não há frescura na mistura de estilos musicais, que vão do Punk ao Black Metal.

Os organizadores também são músicos atuantes, grandes apoiadores da cena local e são sempre vistos em todos os shows que acontecem pela cidade, não importando quem esteja organizando ou qual banda esteja tocando. O resultado disso é a presença na plateia de dezenas de integrantes de bandas locais como o Miasthenia, Mofo, John no Arms, Flashover, Phrenesy, Optical Faze, Evil Corpse, Death Slam, Terror Revolucionário e várias outras, além dos fãs dessas bandas.

O espaço do Circulo Operário do Cruzeiro permite uma área coberta para os shows, mas não é fechada e quem curte ficar mais afastado da multidão, consegue ver e ouvir bem o show de longe. A estrutura contou com dois palcos, o “Fallen Angel” (homenagem a uma banda de Thrash Metal de Brasília) com uma estrutura maior e o “Martírio Underground Zine” (homenagem a um fanzine da década de noventa) sendo menor, porém com uma excelente estrutura de som. Ambos foram montados lado a lado e enquanto rolava show em um, já acontecia à passagem de som no outro, fazendo os intervalos entre os shows de não mais do que 5 minutos.

A Peste (palco Martírio Underground Zine)

A banda A Peste Iniciou os shows do festival no palco Martírio Underground Zine, sendo formada por músicos que tocam ou já tocaram em diversas bandas do Distrito Federal, em estilos que vão do Hardcore ao extremo. O resultado disso pode ser percebido no som, que aborda um pouco de todas essas influências.

Contando com dois vocalistas, as músicas são curtas, misturando principalmente o Death Metal com um pouco de Thrash. A pegada na bateria de Mateus Nygron é um dos grandes destaques ao vivo. O show foi um bom aquecimento para o que estava por vir e foi legal ver uma boa quantidade de pessoas prestigiando a primeira banda.

Blood Virus (palco Fallen Angel)

A primeira banda do palco “Fallen Angel” foi a Blood Virus, diretamente de Planaltina de Goiás e também a primeira a ter presença feminina na formação, com a baixista Ramony e a baterista Daiane.

Após uma intro bem arrastada, a banda iniciou um som com mais pegada, onde os riffs são bem destacados e a bateria ganha alguns momentos de velocidade. O vocal segue a linha soturna e gutural. O som me pareceu meio cru ainda e senti falta de presença de palco e movimento do quarteto, mas no geral é um bom som.

Reminiscência (palco Martírio Underground Zine)

Reminiscência foi uma banda que surpreendeu a muitos, quando se apresentaram como Black Metal, pois fogem do tradicional estilo de vestuário. Quanto ao som (o que realmente importa), a surpresa foi maior ainda, pois mostraram um instrumental muito bem tocado e técnico. Souberam encaixar partes limpas e calmas em meio a pesadas e rápidas.

Aumentando o clima sombrio proposto pela banda, o vocal rasgado contou com bastante efeito e as letras em português tratam de temas como natureza, misantropia e Niilismo. Não foi só eu que fiquei impressionado com o som da banda, pois pude observar e conversar com vários presentes no show e a maioria comentou sobre a ótima apresentação deles.

Underhate (palco Fallen Angel)

O Underhate é uma banda formada em 2011 e estão divulgando seu primeiro álbum, o “Acts of Oppression”, lançado em 2017. O mais interessante deles, é o fato de não se limitarem só ao Thrash Metal, apesar deste estilo ser a principal característica. Eles exploram muito bem os solos, aliando técnica, velocidade e pegada. As timbragens remetem até a um metal clássico e o vocal segue melódico com alguns agudos, na linha Rob Halford, mas também passa por vários momentos rasgados e até gutural.

A presença de palco dos integrantes é outro diferencial, com o vocalista Milton Monteiro conversando e interagindo com a plateia (fato que a maioria das bandas não fizeram). O guitarrista Rodrigo “Shakal” (que lembra o Gary Holt jovem, tanto na fisionomia quanto na forma de tocar) descia até o público várias vezes e todos batiam muita cabeça.

Sons como “War control”, Carnival of carnage e “Birth of evil” agitaram muito os fãs da banda e também os que ainda não conheciam. O set ainda contou com as novas músicas “Breaking Shadows” e “All His Angels”, que não foram lançadas ou gravadas. Sem dúvidas, o Underhate foi um dos grandes destaques da noite e mostrou que é uma banda que merece atenção.

Malicious Intent (palco Martírio Underground Zine)

A Banda Malicious Intent é formada por membros que tocam no Violator, Kurgan e Ameaça Cigana. De início foi difícil captar a ideia do som deles, mas logo deu para sacar que a proposta é o Grindcore rápido e curto. Em alguns momentos temos um típico Hardcore, dando uma quebrada no som, mas logo resgatam a velocidade.

Apesar do som base ser o Grind, eles não se mantêm presos a isso e conseguem dosar a velocidade na medida certa o que tornou o show bem legal e não ficando cansativo de se escutar.

Dögbite (palco Fallen Angel)

O trio Dögbite subiu ao palco e anunciaram que eram uma banda de Metal/Punk. Se você pensou em algo parecido com Motörhead, acertou. O Som é bem influenciado pela banda do saudoso Lemmy, só que com mais groove e peso na guitarra. Até a sua logo tem uma caveira similar. Pude percebe um pouco de influência do Discharge também.

Novamente não houve muita interação com o público, talvez pelo set ser de sempre de 30 minutos, porém o som agradou e muito aos fãs, que a essa altura já lotavam o palco “Fallen Angel”. A proposta sonora do Dögbite caiu bem para mudar um pouco da sequência de bandas extremas que vinham se apresentando. Isso mostrou uma boa sacada dos organizadores do festival na hora de escolher a sequência das bandas e os fãs reagiram muito bem ao show.

Frieza (palco Martírio Underground Zine)

O Trio brasiliense do Frieza toca Post Death Metal/Death Metal, mantendo o foco nesses estilos durante a maior parte do tempo. Há muitos momentos que seguem para o Doom/Sludge, mas eles não chegam entram totalmente nesses estilos. Há bastante efeito nas guitarra e baixo dando um ar de virtuosismo no som da banda, com partes instrumentais um pouco mais longas, por vezes rápidas e em alguns momentos mais lentas.

A essa altura, o festival já seguia para as bandas finais e então, um som com essa proposta deve ter esfriado a galera né? NÃO! Com toda a técnica apresentada pelos músicos, eles conseguiram prender a atenção da galera e via se muitos batendo cabeça e acompanhando faixa a faixa do set. Show bem preciso e matador.

PUS (Porrada Ultra Suicida) (palco Fallen Angel)

Uma das atrações mais esperadas foi o Porrada Ultra Suicida (o famoso P.U.S.), pois marcava o retorno dessa banda que foi um dos marcos no metal pesado durante a década de noventa. Pra quem não conhece, a banda fez um relativo sucesso no Brasil, indo do Crossover ao Death Metal. Com a mudança na sonoridade no final dos anos 90, aliado com o momento que a música vivia naquela época, a banda acabou terminando e veio a esboçar um retorno infrutífero nos anos 2000, somente com seu líder Ronan Meireles e sem a sua parceira de longa data, a Syang. Vários anos após, a banda anuncia esse retorno e voltou reformulada aos palcos, encarando o palco principal do glorioso Headbangers Attack.

Ronan não perdeu o jeito de frontman, tanto no vocal, quanto na comunicação com o público e a banda demonstrou um excelente entrosamento, parecendo tão soltos, como se já estivessem tocando juntos há anos. A presença de palco também agradou e várias rodas se abriram durante o show, fato que não tinha acontecido ainda em nenhum show (poucas e tímidas rodas até então).

Daniel Moscardini teve seu momento no solo de bateria que abre a “Cães do Inferno” e os clássicos “Comando Vermelho” e “Mosh” foram o grande destaque da noite, arrancando a energia da galera ali presente.

Primeiro show feito, mostrando que a banda está em boa forma e deixaram à vontade nos fãs por mais shows e, quem sabe, algum material inédito.

Ímpeto (palco Martírio Underground Zine)

Não é novidade que o Headbangers Attack não teme em misturar estilos totalmente diferentes dentro do rock, mas o que impressionou nessa noite é como num fest, em meio a tantas bandas de metal extremo, surge um típico show de Hardcore/Punk e agita insanamente o público. E foi exatamente isso que os goianos do Ímpeto fizeram.

Que energia e pegada eles trouxeram. Muita interação com o público e rodas comendo solto. A receptividade dos fãs foi tão boa, que os próprios organizadores do evento subiram ao palco quando eles tocaram cover de “Funcionários” (Cólera) e “Isto é Olho Seco” (Olho Seco). Os mesmos organizadores não deixaram eles saírem do palco após a saideira e “ordenaram”, com muita euforia e entusiasmo, para que eles tocassem mais uma. E assim fecharam brilhantemente a noite no palco Martírio.

ROT (palco Fallen Angel)

Última banda a tocar no palco “Fallen Angel” foi os paulistas do R.O.T., terminando a devastação da noite. Como as transições de um show para o outro eram quase que imediata (ponto positivíssimo para a organização do Headbangers Attack), o público chegou no veneno após o show do Ímpeto e deu sequência as rodas, mantendo o sangue quente.

O Grindcore deles, no melhor estilo Extreme Noise Terror, ajudou nisso tudo, pois a banda manda um som atrás do outro, sem refresco e intervalos. As músicas são bem curtas, como de costume nesse estilo e contam com dois vocalistas. O público mais uma vez mostrou não esgotar a energia, ajudando ao R.O.T destruir tudo. Excelente forma de encerrar o dia.

Encerrada mais uma edição e o resultado foi uma noite memorável, proporcionada pelo evento. Ao final ainda havia muitos fãs e músicos terminando de tomar cerveja e trocando ideia.

Mais do que entretenimento e abrir espaço para as bandas de Metal/Punk/Rock, o Headbangers Attack consegue unir bandas, músicos e as pessoas que trabalham nesse meio, fato que gera um extremo fortalecimento para a cena underground.

Parabéns a todos os envolvidos, bandas, apoiadores e público que compareceu. Sucesso eterno para vocês!!!

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