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Headliner Festival – Burning House, São Paulo/SP (13/09/25)

Headliner Festival – Burning House, São Paulo/SP (13/09/25)

Bandas: Thramentor, Coroa, The Emysaries, Antrvm, Dognerve, Switchback, Worst
Produção: Headliner Produções
Texto e fotos por: Matheus “Mu” Silva
Mais fotos por Alessandra Rosato serão adicionadas no decorrer do dia

Para lançar seu sexto álbum de estúdio, Flesh (2025), a banda paulistana de hardcore Worst realizou um show na Burning House, em São Paulo/SP, no último sábado (13). Com produção da Headliner, o evento tomou forma de festival, contando ainda com outras seis bandas emergentes do cenário nacional.

Nota do autor: por conta de problemas de logística, não foi possível acompanhar o show da banda Thramentor. A resenha se inicia a partir da apresentação da banda Coroa.

Subindo ao palco às 17h, a Coroa iniciou a segunda apresentação do dia. Formada em 2025, a banda pratica um rock alternativo enérgico, simples e divertido. Esse foi apenas o terceiro show desde a sua criação, e o grupo entregou tudo de si para um público tão jovem quanto eles próprios, já que todos os integrantes são bem novos. O setlist alternou músicas autorais com covers marcantes como Breed (Nirvana), Holiday (Turnstile) e Bulls on Parade (Rage Against The Machine). Durante esta última, alguns integrantes jogaram as camisas para o público, em um momento cômico e irreverente, enquanto o vocalista se jogava na galera em plena roda de mosh. Encerraram com a autoral Brasil, mostrando a cara de uma nova geração que vem conquistando espaço no underground.

Às 18h, foi a vez da The Emysaries, banda de death metal sinfônico de Jundiaí/SP formada em 2023. Um detalhe que chamou a atenção foi a ausência de baterista: o grupo optou por uma bateria eletrônica, exigindo precisão impecável, e entregou isso de forma coesa. Em um set de 35 minutos, apresentaram músicas de seu vindouro álbum Void, como Into the Future, Adrift e a extensa faixa-título de 12 minutos, unindo orquestrações, vocais guturais masculinos e vocais femininos limpos — lembrando a sonoridade do metal sinfônico do final dos anos 1990. É um estilo cada vez mais explorado no Brasil, e o The Emysaries tem potencial para se tornar um expoente do gênero. Mesmo sem a organicidade de uma bateria real, a apresentação não perdeu impacto, mas será interessante vê-los no futuro com uma formação completa.

Na sequência, às 19h, a paulistana Antrvm assumiu o palco. O vocalista Victor Cutrale brincou com o fato da banda anterior usar bateria eletrônica, destacando que o baterista Kevin era um “robô” de tanta destreza. O grupo trouxe faixas do ótimo e mais recente EP, Social Death (2025), executado praticamente na íntegra, incluindo a excelente (dis)Function (estreando ao vivo), Deliverance e a pancadaria de The Way of The Saw. Com forte influência do metal moderno americano e doses generosas de deathcore, a sonoridade foi marcada por peso, brutalidade e groove. Apesar do set curto, de 30 minutos, o grupo mostrou força e técnica, encerrando com a poderosa Not Dead Enough, com seu breakdown avassalador. Grande banda!!!!

Às 20h, foi a vez do Dognerve, de Piracicaba/SP, formado em 2023 e parte do movimento HCSP. A banda apresentou um hardcore pesadíssimo, nervoso, com letras carregadas de raiva e reflexões sobre o cotidiano das ruas. O set foi baseado nos EPs Estilo de Vida e DNHC (2024), incluindo Zé Povinho, DNHC, Tapa na Cara da Derrota e Guerra. Também estrearam ao vivo Diante de Toda Injustiça, recebida com entusiasmo pelo público. Durante 55 minutos, a plateia — composta majoritariamente por jovens em intensos moshs e headbangs — respondeu com energia à performance brutal da banda, que soou como um verdadeiro rolo compressor.

Às 21h20, subiu ao palco o Switchback, de Niterói/RJ, formado em 2017. A banda trouxe seu hardcore de veia mais tradicional, próximo do punk e com elementos de grindcore. O setlist, repleto de velocidade e crítica social, trouxe faixas como Sem Acordo, Pelo Povo, Para o Povo, Bota a Cara Cuzão e Reparação Histórica, além das inéditas Sob o Jugo e A Farsa e a Força (lançada em 2025). O público respondeu com twostep e rodas de mosh intensas. Em 40 minutos, a banda entregou um show devastador, preparando o terreno para a atração principal.

Às 22h40, começou a festa com a atração principal: Worst. Como disse Monstrinho logo no início, “sem frescura de introdução, o negócio é música” — e assim detonaram com um setlist arrebatador. A formação atual, praticamente a mesma do Endrah, conta com Covero (guitarra), Adriano Vilela (baixo) e Bruno Santin (bateria), aliados à energia insana do vocalista Monstrinho. O grupo consolidou o Worst como uma das bandas mais pesadas da atualidade.

Divulgando Flesh (2025), tocaram Inatingível, A Vida Não Tem Dó, Acid e a faixa-título, além de clássicos como Left For Shit, A Verdade, Que se Foda, Vícios, Enterrado, Transbordando Ódio e Sem Dó. O show foi elétrico, com a banda distribuindo shots de bebida ao público, instigando rodas de mosh, puxando fãs ao palco e jogando microfones para o coro coletivo. O ponto alto foi a participação de Ricardo Brigas, primeiro baixista da banda – e também redator/colaborador do Metal Na Lata, que cantou Vencedores ao lado de Monstrinho.

O Burning House mergulhou em mais de uma hora de caos absoluto, em uma troca de energia palpável entre banda e público.

Este sábado marcou um grande momento para a música pesada nacional: bandas jovens dando seus primeiros passos em uma casa de ponta, e o Worst — já consagrado — fechando em grande estilo. O respeito mútuo entre público e músicos foi evidente, reforçando que a cena está em renovação. Em tempos de tantos modismos e músicas descartáveis, ver a nova geração mantendo o hardcore e o metal vivos é um sinal de que o futuro da música pesada segue firme e forte.

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