Hellfest 2019 – Cobertura exclusiva
Texto e fotos por Vicente Junior
Não, você não vai encontrar aqui as famosas “resenhas gabarito”, onde o “profissional” vai a um festival e praticamente “NARRA” os shows. Isso tem aos montes por aí, e não tem o menor sentido fazer o mesmo. Portanto, aqui você encontrará uma experiência pessoal vibrante de quem esteve lá e aproveitou cada minuto! Aproveite você também e se anime para ir algum dia!
Chegou a hora de compartilhar mais uma sensacional experiência de estar presente em um dos maiores e mais respeitados festivais de Metal da Europa, Hellfest Open Air, em Clisson, na França, dos dias 21 a 23 de junho. Antes de imergir vossos crânios nas loucuras do Festival e em alguns fabulosos contos do Metal, gostaria de agradecer imensamente à equipe de comunicação do Hellfest, por me credenciarem acesso às melhores áreas e, também, por tornarem possível essa experiência que irei compartilhar. Gostaria de explicitar também, minha gratidão à equipe do site especializado em Metal (Metal na Lata), pelo suporte, atenção e apoio que me foi fornecido mesmo antes de minha chegada ao Fest.
Logo de cara, percebi que o sítio do Hellfest estava bem mais interessante que os anos anteriores. A cada nova edição, melhorias são feitas para que os headbangers possam curtir o festival com mais tranquilidade, agilidade e segurança. Tudo é perfeitamente planejado e impecavelmente instalado para que filas e esperas sejam menores e mais ágeis. A parte comum do dia-a-dia dos bangers, também conhecida como Metal Corner, foi equipada com duas enormes tendas nomeadas de Party Tent (onde a galera que além do metal, também curte um som pop, pôde desopilar suas caixas encefálicas da porrada sem fim do dia-a-dia no Fest) e a Fury Tent, (que é a continuação do que vemos nas área de shows durante os três dias consecutivos do rolê, ou seja, som pesado). Os shows geralmente começam às 10h30 da manhã e seguem ininterruptamente até às 2h05 da manhã seguinte. É preciso estar com os joelhos, pés, coluna e cabeça em dia, pois a fazenda do Fest é imensa e acaba que todos os dias, caminha-se facilmente entre 15 e 20 km em diversos tipos de terrenos, do camping para dentro dos portões do Inferno, onde toda a mágica acontece.
Agora vamos ao que interessa. Metal, bateção de cabeça e muita porrada na orelha!
Ao contrário dos anos anteriores, este ano, mais precisamente uma quinta-feira, dia 20 de junho (um dia antes do início do festival) rolou um convite da galera do Hellfest para os mascarados do Slipknot, um convite teste. Essa experiência foi apenas o Knotfest. Isso mesmo, você não leu errado não, (festival criado pela galera do Slipknot) antecedeu o Hellfest com alguns nomes mais fodidos do metal pesado como Rob Zombie, Sabaton, Behemoth, Ministry, Sick Of It All, o próprio Slipknot, Amon Amarth entre outras. O Knotfest usufruiu da mesma estrutura do Hellfest, apenas com ingressos comprados separadamente.
Depois de alguns dias ouvi um boato (lá na Macumba), que a produção do Hellfest fez este teste para saber qual seria a opinião de quem foi, para que, talvez, o Hellfest pudesse ter mais um dia, além dos três que já rolam. Nada certo.
No decorrer dos 3 dias, a galera curtiu os mestres do metal mundial em 6 palcos meticulosamente montados para atender além das bandas, a produção, fotógrafos e mídias que produzem conteúdo de forma independente.
O Main Stage I e II, Altar, Temple, Valley e Warzone são os nomes de cada palco, e eles têm suas peculiaridades. Main stages I e II são os principais e este ano foram presenteados com mega telões que deixaram todos boquiabertos. Temple e Altar com suas cruzes invertidas em neon vermelho e bodes iluminados, criam a atmosfera esperada para fazer jus às bandas que pisam por lá. Warzone é bem estatelado ao sol, ou seja, um bando de bangers estendem suas cangas para curtir uma vitamina D antes das mega bandas de Punk e Hardcore que destroem por lá. Já o Valey é o palco da galera do Stoner, Sludge e Desert Rock. Sempre uma névoa cheirosa pairando o ambiente e o público hipnotizado com os graves que saltam daquelas caixas imensas. Imersão total.
Antes de tudo, preciso falar que o festival, monstruoso que é, te permite fazer um cronograma utilizando um aplicativo próprio do Hellfest. Obviamente é inviável ver todas as bandas, até porque é necessário tempo livre para curtir toda a produção cenográfica, que provavelmente é a das mais imersivas dos festivais de metal mundial. Logicamente, meu relato vai ser sobre as bandas que eu consegui ver, dentre as que eu escolhi.
O primeiro dia do festival já foi uma marretada na orelha. Já de cara Radio Moscow, Uada, Daughters e uma fugida para o Mainstage para ver o Demons & Wizards. Antes de acabar a banda já tive que correr para o Warzone e dar uma animada com The Interrupters (USA) que é um Ska-Punk super pra cima que não te deixa ficar parado mesmo. Voltando ao Main stage, rolou Dagoba, fazendo um lindo show em casa seguidos por Pestilence, Graveyard, Possessed e Manowar, que decepcionou seus fãs com um cancelamento surpresa e até então não revelado pela produção do Hellfest. De última hora os caras fizeram uma substituição pela Sabaton, que fez parte do Knotfest na noite anterior. Uma grande decepção. Depois desse caos inexplicado rolou um lindo Carcass e claro, Gojira, que foi a cereja do bolo da noite que foi fechada com o belo espetáculo teatral do King Diamond. Ufa… Agora é só chegar até minha barraca de papelão.
O dia 22 (segundo dia), já começou super para cima com banda os malucos do Skindread. Showzaço pagação de sapo demais. Um tempo depois Whitechapel, The Fever 333 (que por sinal foi algo que eu não esperava e curti demais), seguidos por Archspire (não sei como aquele vocalista canta daquele jeito), Mad Sin, Eagles of Death Metal, Whitesnake e o doom melódico do Candlemass seguidos de The Ocean, os barbudos do ZZ Top, Kiss, e pra fechar o tempo o Post Punk Gótico da tão cultuada The Sisters of Mercy. Foi lindo demais fechar a noite na “gotiquêra”. Ufa! Agora é só mais um bocado de chão até minha barraca.
Agora vamos lá. Tomar um banho para dar graças ao último dia (23 de Junho). O dia mais esperado por muitos começou com uma descoberta super legal. As garotas do Nova Twins (uma mistura de Punk com Hip Hop que acabou ficando bem interessante) e na sequência Municipal Waste, o Sludge/Doom do YOB, Clutch, Testament, Immolation, Anthrax, Lynyrd Skynyrd, Lamb of God com um baita show matador, Cannibal Corpse, Slayer se despedindo dos palcos com um show para lá de ‘desgracento’ e dando espaço ao TOOL. Quarteto de Metal Alternativo Progressivo dos Estados Unidos que faz um mega espetáculo além de sonoro, super visual. Uma experiência que deve ser vivida por qualquer um que respeita arte em todas as formas. Uma banda completa que é apagada do palco dando lugar à telões de LED, canhões de laser e mega luzes que dançam sobre suas cabeças, formando ilusões visuais altamente imersivas.
Esse ano foi diferente de todos os anteriores em vários aspectos, incluindo a não venda dos ingressos para o ano seguinte. Sim, isso mesmo que você entendeu. A galera já entra no Hellfest e vai para fila garantir o ingresso para o próximo ano. Muita loucura mesmo. Para surpresa de todos, nenhum nome do line up foi anunciado ainda, mas a turnê de aquecimento do Hellfest, mais conhecida como Warm Up Tour, que acontece em diferentes cidades da França nos meses que antecedem o festival, já foi anunciada para o Japão no ano que vem! Demais! Galera não perde tempo mesmo. E você ai? Vai planejar sua ida ao Hellfest paro ano que vem ou vai apenas viajar sem sair do lugar novamente? Come mosca não, doidão! Quem sabe a gente se tromba por lá! À plus tard mon ami.
