
Título: “Helloween: A História Completa”
Autor: Massimo Longont
Tradução: Guilherme Maionchi
Páginas: 352
Editora: Estética Torta
Ano: 2021
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Falar da importância de uma banda que criou todo um conceito e estilo é chover no molhado, ainda mais se tratando do medalhão alemão criador do Power Metal, Kai H…ops, Helloween (risos).
Algumas pessoas provavelmente ficarão brava com esse meu ‘erro’ acima, mas após você ler esse TESOURO, vai entender que Kai Hansen (vocal/guitarra) foi o mentor do estilo com a gravação do primeiro EP auto-intitulado da banda em 1985. “Ah, mas e o Michael Weikath (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e o saudoso Ingo Schwichtenberg (bateria)?” Eu te respondo: foram importantes, mas ao ler Helloween – A História Completa você há de convir comigo que sem Kai Hansen esses quatros JAMAIS criariam o estilo. Portanto, o pai do Power Metal chama-se Kai Fuckin’ Hansen e não se fala mais nisso, e se não fosse por ele o Sr. Weiki estaria tocando provavelmente em bandas cover de Queen até hoje. Aceita que dói menos.
A velocidade, melodia, ironia, positividade, rispidez (no início) unidas a riffs cheios de palhetadas e letras que demonstravam – numa fase embrionária – temas alegres, mesmo que tendo ainda resquícios do Thrash Metal aqui e ali, forjaram o que você conhece hoje como Power Metal.
Beirando os quase 40 anos de carreira, temos uma biografia completíssima e mais que merecida dos alemães, que com uma narrativa super simples e de fácil assimilação mostra praticamente tudo que um fã precisa saber, nada supérfluo, rumores ou fofoquinhas idiotas que hoje assolam o mundo das “notícias” caça-likes.
Sem dar spoilers, obviamente, temos algumas coisas bem respondidas aqui presentes, sendo as mais importantes envolvendo as saídas, entradas de novos membros, quedas ruinosas e ressurreições inesperadas, envolvimento de empresários gananciosos, gravadoras idem, um diz que me diz pelas costas e principalmente – por mais de uma vez – criação de verdadeiros ‘clubes egocêntricos da Luluzinha’ dentro (e fora) da banda/management. Obviamente que isso jamais acabaria bem, não é mesmo? Temos vários exemplos disso por aí. Se uma banda deixa seu managment/gravadora tomar as rédeas, numa probabilidade de a cada 9 entre 10 bandas se ferrar é fato. E no Helloween isso aconteceu, e não apenas uma vez!
Claro que, às vezes existem os acertos, e é aí que entra alguns pontos da história que caberá a você, caro leitor, identificar – com facilidade – a cada capítulo dessa obra.
Um fato interessante é que não somente o Helloween é abordado, pois temos alguns fatos relacionados ao Gamma Ray, Michael Kiske, Roland Grapow, bandas paralelas e participações de acordo com a ordem cronológica dos acontecimentos e que, também, o Sr. Kai Hansen – por mais que ele não achasse isso – era um ‘fantasma vivo’ assombrando à todos desde sua saída no final dos anos 80, sempre estando “por perto” mexendo com os egos.
Outra coisa que fica bem evidente é o quanto foi importante a entrada de Andi Deris (vocal) no lugar de Michael Kiske, ressurgindo praticamente do limbo com um BAITA álbum de reencontro com seus fãs e 1994 (“Master Of The Rings”), e que dali em diante se tornou peça fundamental para as engrenagens rodarem livremente e bem novamente. Claro que algumas escorregadas aqui e ali apareceram, mas nada que prejudicasse por completo tudo que criaram.
Algumas outras partes que valem serem citadas são as formas que algumas entradas de novos integrantes aconteceram, sendo que seus predecessores ainda ESTAVAM na banda, não é Sr. Weiki? (risos), e a triste história sobre o suicídio de Ingo.
Num geral, os picos principais da história para todo e qualquer fã da banda são as saídas de Kai, Kiske, Roland Grapow, a entrada de Andi e, logicamente, a volta triunfal de Kai e Kiske em 2020, mas não se atenham exclusivamente a eles, pois tem muita coisa fora disso que vale muito a pena. Ou vocês acham que poder ler sobre a banda não ter sido bem aceita por um Ronnie James Dio cheio de ciuminho numa turnê não é motivo de sobra? Confesso que foi uma surpresa. Querem saber mais? Leiam e saibam o motivo disso!!!
Outra coisa interessante que me deparei aqui, por mais original e membro dos primórdios, Markus Grosskopf é de suma importância para o som da banda, mas como uma peça chave para decisões é praticamente um zero a esquerda.
Resumindo, temos alguns detalhes das infâncias dos músicos, bandas anteriores, perrengues e problemas legais com gravadoras/empresários, contratos duvidosos, muitas curiosidades sobre os momentos de cada álbum, histórias de turnês, intercaladas com resenhas de todos os álbuns da banda, fotos (poderíamos ter mais ao meu ver, mas nada que chegue a incomodar), riqueza em detalhes em fatos importantes, dentre muita coisa bacana te fará ler essa belezinha em poucos dias, sem sombra de dúvidas. E com toda certeza que, assim como aconteceu comigo, vai te dar vontade de ouvir tudo que a banda lançou em ordem cronológica pelos próximos dias ao fim da leitura! Para finalizar, gostaria de agradecer ao autor por não tornar a leitura um pé no saco não colocando “resenhas técnicas de música a música” – que ninguém liga – como muitos pentelhos gostam de fazer para engordar páginas.
“Johnny, tem algo sobre Sascha Gerstner (guitarra) e Dani Loble (bateria)? Apesar de serem ótimos músicos, obvio que têm, mas dentro dessa constelação de hoje, ninguém liga. #paz
Leitura obrigatória e super indicada! Creio ser, na minha humilde opinião, o melhor livro lançado pela editora Estética Torta até o momento! Se não comprou, corra que está se esgotando rapidamente!
Johnny Z.





