Helloween – “Giants & Monsters” (2025)

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Helloween – “Giants & Monsters” (2025)

Reigning Phoenix Music
#PowerMetal

Para fãs de: (sério?) Gamma Ray, Stratovarius, Edguy

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,0

Você, caro leitor, que já conhece o Helloween de longa data, sabe o que esperar de um novo trabalho dos alemães. Talvez a única dúvida que paire no ar seja: vai ser feliz demais ou feliz de menos (risos)? Na maioria das vezes, conseguem balancear as duas coisas, mas há momentos em que descambam para uma festa de quermesse.

Pois bem, Giants & Monsters mostra o Helloween inspirado, sem soar como aqueles veteranos que apenas repetem fórmulas para agradar fãs nostálgicos. É o segundo disco da fase de retorno de Michael Kiske e Kai Hansen, e podemos dizer que segue a linha do álbum anterior. Ou seja, nada muito fora da curva como o passado oitentista nos brindou. Então, se você não é um xiita — assim como eu — esqueça os Keepers aqui, ok? Não se trata de uma crítica negativa, pelo contrário: apenas um fator pé no chão.

A produção, assinada por Charlie Bauerfeind e Dennis Ward, é cristalina sem perder peso (eu ainda gostaria de ouvir algo com Kiske mais na linha de Better Than Raw ou The Dark Ride, mas tudo bem, tem seu impacto), deixando cada instrumento respirar — das guitarras em camadas às vozes que se alternam e se completam com naturalidade.

Quando dei o play foi como reencontrar aquele velho parceiro de shows: nem mais forte, nem mais inspirador, apenas renovado e com muita vontade de colocar a conversa em dia. Definitivamente, não é apenas mais um álbum para surfar na onda (de sucesso, diga-se) da reunião, mas um registro em que os sete senhores soam mais coesos nessa fórmula de sete cabeças pensantes — ainda que um pouco desgastada nos últimos anos (não por culpa deles; afinal, os caras criaram a porra toda!).

O que mais me chamou a atenção — e isso já vinha do álbum anterior, só que aqui ainda melhor — é como os três vocalistas (Andi Deris, Michael Kiske e Kai Hansen) interagem de forma fluida, como se fossem uma única entidade, jogando no time para ganhar. Sem egos, sem mimimi, tudo a favor das músicas.

As harmonias estão nas alturas, mas soam naturais, e o DNA do Helloween mantém-se firme e forte, alternando entre momentos velozes, climas atmosféricos e letras que falam de reencarnação, deuses, salvação e força espiritual — ou seja, espantando um total de zero pessoas (risos).

A ordem das faixas, desta vez, foi bem equilibrada. No álbum anterior, algumas músicas muito parecidas ficaram coladas e isso me incomodou, mas aqui acertaram a mão.

“Giants On The Run” abre com força, meio épica, com um clima de “Power” à la Time Of The Oath — inegavelmente um belo início, que não assusta o ouvinte mais cético e ainda dá esperanças muito boas. O pique se mantém com “Savior Of The World”, certeira no melhor estilo Helloween da fase Master Of The Rings e The Time Of The Oath, com Kiske assumindo (e arregaçando) os vocais principais.

Claro que nem tudo mantém o mesmo nível. “A Little Is A Little Too Much” é mais radiofônica e grudentinha, principalmente pelas melodias do teclado, numa espécie de “If I Could Fly” bem mais acelerada — funciona para as rádios, mas não empolga tanto quanto poderia. Já “We Can Be Gods” cresce a cada audição, trazendo peso e melodia na medida certa — ou seja, o Helloween que os fãs mais antigos esperam. Excelente!

Também há momentos mais suaves e emocionais, como “Into The Sun”, uma balada belíssima que alterna Kiske e Deris sobre piano e sintetizadores, com um solo muito bonito, diga-se. É um pequeno respiro, lembrando bastante “Forever And One”, de Time Of The Oath — e há momentos em que você se pega cantando o refrão de uma na outra (risos).

“This Is Tokyo” já dá um pequeno balde de água fria. Depois de “Into The Sun”, o ideal seria vir uma porrada cheia de vigor, mas a música é meio insossa, sem muita empolgação. Não compromete, mas com certeza aumentará a glicemia dos ouvintes (risos). Sinceramente, não foi uma boa escolha para primeiro single e deixou muitos com a pulga atrás da orelha. Após essa quase derrapada, vem a ótima “Universe (Gravity For Hearts)”, um épico de mais de oito minutos que passam voando, misturando clima, melodia, peso, solos matadores e um coro de arrepiar — talvez a que mais se aproxima dos Keepers.

Pude notar que, neste álbum, as guitarras interagem de forma mais coesa entre si, talvez por isso o clima geral soe mais otimista e realmente contagiante.

Quando o Helloween acerta — e aqui acerta muitas vezes — o resultado é excelente. “Hand Of God” revive aquele duelo de guitarras que fez muita gente se apaixonar pela banda lá nos primórdios. Na minha opinião, ela, “Giants On The Run” e “Savior Of The World” são fortes candidatas a se tornarem “clássicos” dessa nova era pós-reunião, junto de “Best Time”, do álbum anterior. Só vai depender se a banda fará questão de executá-las ao vivo e trabalhá-las como tais. Já “Under The Moonlight” aposta num mid-tempo previsível e super alegre, que a banda já explorou melhor (e até pior) no passado, mas confesso que me agradou bastante — e tenho plena certeza de que agradará a todos. Vai se tornar um clássico? Não. Mas é divertida, lembrando na melodia do refrão algo dos lados B dos Keepers, como “Livin’ Ain’t No Crime”, guardadas as devidas proporções.

Fechando o trabalho, temos a correta — mas não tão grandiosa quanto seu título – “Majestic”. Ainda assim, tem seu peso e charme, principalmente nos duelos e solos de guitarra. Poderia ser uma arrasa-quarteirão para encerrar, mas tudo bem, não temos do que reclamar.

Vejo Giants & Monsters como um álbum sem tapa-buracos, mais coeso “como banda mesmo”, ao contrário do anterior, e que não tenta superar nenhum outro registro da carreira, mas honra o legado sem viver dele – e isso é raro. É grandioso, imponente (aí pode por na conta do monstro Kiske), tem alma, traz certo frescor e mostra um Helloween reconciliando passado e presente com a maturidade de quem conhece bem sua própria força, mesmo forçando certas camadas que hoje estão desgastadas.

No meu gosto pessoal, não digo que seja melhor ou pior que outros discos, mas senti que é um pouco superior ao anterior, já que temos muito mais refrões pegajosos e guitarras mais na cara, com solos matadores. São grandes compositores? Sem sombra de dúvidas! São gigantes? Sim. São monstros? Sim. Mas – de novo e sem soar pejorativo – não machucam ninguém, apenas entretêm da forma correta e de acordo com o que sempre se propuseram a fazer nessas quatro décadas de carreira (salvo alguns poucos deslizes).

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