Helloween – Suhai Music Hall, São Paulo/SP (19/09/2026)
Produção: Mercury Concerts
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Mercury Concerts
Pouco mais de três anos após sua última apresentação por aqui e em sua décima terceira visita ao nosso país, o Helloween retornou ao Brasil. Clássica banda alemã de Power Metal que dispensa qualquer apresentação, afinal, é um dos nomes mais queridos pelo público brasileiro, trouxe sua turnê de celebração aos 40 anos de existência. Produzido pela Mercury Concerts, o grupo fez duas datas no Brasil, sendo a segunda e última da turnê pela América Latina realizada no último sábado (19).
Iniciando pontualmente às 21h, e com uma estrutura soberba de LEDs espalhados pelo palco, o show começou com um vídeo passeando pelas capas dos álbuns que marcaram a trajetória da banda. No telão principal, um mago estilizado em algo próximo das clássicas capas dos “Keepers” fazia as honrarias do evento.
Logo de cara, o Helloween começou com “March of Time”, música que fez total sentido para aquele momento. Afinal, o show todo seria um verdadeiro passeio no tempo pela história do grupo alemão.
Desde a reunião dos vocalistas Andi Deris e Michael Kiske, além do eterno líder inicial da banda, o guitarrista e também vocalista Kai Hansen, movimento extremamente marcante na história do Heavy Metal, com impacto semelhante ao da reunião do Iron Maiden, guardadas as devidas proporções, é nítida a alegria que a banda exala ao vivo. Essa energia transcende a própria música e torna o atual show do Helloween uma experiência de vida.
A experiência seguiu com “The King for a 1000 Years”, de Keeper of The Seven Keys – The Legacy (2005), que não era tocada aqui desde 2008. Ainda assim, a música recebeu uma resposta incrível do público, levando em consideração que esse disco não é um dos queridinhos da maioria presente.
Depois de tirar um tempo para falar com o público sobre os 40 anos de banda, entre gritos ensurdecedores vindos da plateia, o grupo trouxe a tradicional “Future World”. Logo de cara, uma explosão de confetes transformou o show em uma grande festa.
Na sequência veio “This is Tokyo”, divertida faixa do último disco, Giants and Monsters (2025), que ao vivo funciona extremamente bem. A partir daí, começaram algumas performances individuais dos vocalistas.
“We Burn” trouxe Andi Deris assumindo o protagonismo em um primeiro momento. A clássica faixa de The Time of The Oath (1996) comemorou 30 anos de lançamento este ano e continua tão impactante ao vivo quanto quando foi apresentada ao público brasileiro na primeira visita da banda por aqui, no Monsters of Rock de 1996.
E ainda sobre impacto… Tão logo foi a vez de Kiske assumir o vocal, ele resgatou “Twilight of The Gods”, música que não era tocada desde a turnê do primeiro Keepers. Ou seja, desde 1987 ela não via a luz do dia até agora. Que execução fenomenal, chegando até a marejar os olhos dos fãs mais assíduos da banda.
Como não poderia deixar sua marca de fora, Kai Hansen assumiu o posto de frontman para cantar o hino “Ride The Sky”, do Walls of Jericho (1985), único disco em que ele realizou tal tarefa. O álbum, porém, é um pilar do que conhecemos como Speed/Power Metal atualmente.
Seu vocal continua tão potente quanto na época em que gravou o disco, trazendo todo o peso e a maldade dos riffs daquele período para um show que já estava ficando cada vez mais intenso.
Tirando um pouco o pé do acelerador com “Into The Sun”, linda balada do último disco da banda, o Helloween trouxe mais uma surpresa em relação ao setlist. Porém, isso mexeu com a expectativa de alguns fãs, algo que falarei mais à frente.
Sendo assim, tocaram “I’m Alive”, outro hino incontestável dos anos 80 da era dos “Keepers”, que obviamente estremeceu o Suhai. Entre a velocidade pesada da música e seu refrão cantado por uma casa simplesmente abarrotada, o momento foi daqueles que ficam marcados.
E aí veio um dos momentos mais aguardados por mim: “Hey Lord!”, do maravilhoso Better Than Raw (1998), que a banda não tocava desde 2004. Uma das mais divertidas da era Deris, a faixa teve o vocalista cantando de forma impecável e jogando com o público como um verdadeiro frontman que é. Foi um dos pontos mais altos do show, que ainda tinha muito o que acontecer.
Kiske mais uma vez à frente do palco para liderar os vocais de “Universe (Gravity for Hearts)”, com o lyric video passando nos telões. Após a música, tirou um momento para respirar um pouco juntamente com Deris. Na sequência, veio um solo de Dani Nöble, baterista mais longevo da história da banda.
Tão logo acabou seu solo, toda a banda voltou com força total na eterna “I Want Out”, talvez a música mais conhecida do Helloween. Mais uma vez, houve uma explosão de confetes, e não era para menos, já que essa é, de longe, uma das faixas mais queridas do público e que catapultou a banda nos anos 80 ao tamanho que alcançou. Como foi bom ver Kiske e Deris fazendo o agudo final da música. Simplesmente arrepiante.
Com bancos posicionados no meio da passarela, era o momento de desplugar todo o peso e fazer aquele encontro de amigos que Kiske e Deris têm proporcionado, com voz e violão.
O já característico bom humor evidente da dupla alemã, que leva a sério o “Happy Halloween” ao pé da letra, risos, apareceu novamente entre brincadeiras com o público e até mesmo Kiske arranhando “Suspicious Minds”, de Elvis Presley, que arrancou gargalhadas da plateia.
Depois disso, tocaram “Yesterday”, dos Beatles, outra música inesperada. Com Deris assumindo o violão, veio a maravilhosa balada “A Tale That Wasn’t Right”, que teve seu lado mais introspectivo interrompido pelo guitarrista Michael Weikath.
Ele chamou toda a banda para tocar a segunda metade da música de forma elétrica, mais uma vez jogando a energia do Suhai lá em cima, em um momento apoteótico.
Porém, é justamente aqui que esbarra no que falei acima no texto. Havia a expectativa de que, nesse momento, a banda tocasse “In The Middle of The Heartbeat”, que nunca tinha sido executada no Brasil e teve sua execução em Porto Alegre. Porém, o público paulista não foi agraciado com esse momento.
Uma pena. Fica para uma próxima vez. Ainda assim, isso não tirou um segundo do brilho do evento.
Voltando com tudo com “A Little is a Little Too Much”, Hansen mais uma vez assumiu os vocais e trouxe outra pedrada dos primórdios da banda: “Heavy Metal (Is The Law)”. A execução provou que seu período foi realmente o mais pesado da história do Helloween.
Finalizando a primeira parte do setlist, veio a execução completa de uma das maiores faixas da banda. “Halloween”, com seus quase 15 minutos, foi uma verdadeira jornada musical, com Kiske e Deris alternando os vocais e mostrando sua poderosa e improvável química vocal. Assim, o primeiro momento do show terminou de forma avassaladora.
Com os 40 anos da banda estampados no telão, após a introdução “Invitation”, veio “Eagle Fly Free”, uma das músicas que definiram aquilo que o Power Metal viria a ser nos anos seguintes. Kiske conduziu a banda como um verdadeiro maestro.
Logo em seguida, “Power” trouxe Deris de volta ao palco para que mais um clássico descomunal ganhasse vida. Um dos momentos mais legais durante a execução foi ver uma menina ao meu lado, nos ombros do pai, com no máximo 10 anos, cantando cada palavra e até mesmo mais alto que muito marmanjo na plateia. Foi algo que deu até uma sensação de felicidade ao ver a música deles alcançando a nova geração.
Após esse momento, ainda teve espaço para uma surpresa. Era aniversário do tour manager da banda, que foi chamado ao palco e recebeu ainda um bolo com velas. Certamente, um momento que ele jamais vai esquecer.
Finalizando o show, veio a festiva “Dr. Stein”, com direito a enormes bolas laranjas jogadas no público, seguida pelo finalzinho de “Keepers of The Seven Keys”. A banda encerrou tanto o show histórico quanto sua turnê com uma extensa apresentação de 135 minutos, consagrando sua história perante o público brasileiro.
O Helloween é uma banda especial. Seja por toda a influência construída nos anos 80, por se reinventar de forma ainda mais forte nos anos 90 ou, hoje, por somar todas as suas possíveis forças em um verdadeiro Megazord do Heavy Metal, o que a banda entrega com 40 anos de existência beira o invejável.
É uma das bandas que mais exaltam a própria história, a própria música e, principalmente, o momento em que se encontram. Isso transforma cada show em uma experiência de vida. Quem estava lá certamente saiu revigorado, de tanta energia boa que a banda transmitiu durante a apresentação.
Um dos melhores shows do ano, com a mais absoluta certeza!

