Festival Rock Ao Vivo
Bandas: Helloween, Whitesnake e Scorpions
Banda de abertura: Cartel da Cevada
Local: Ginásio Gigantinho, Porto Alegre/RS
Data: 01/10/2019
Produtora: Hits Entretenimento | Mercury Concerts
Assessoria de Imprensa: Agência Cigana
Texto por Sergiomar Menezes
Fotos por Uillian Vargas
Rock Ao Vivo. Esse foi o nome escolhido para o festival que trouxe à capital dos gaúchos a oportunidade de assistir, juntos, três dos maiores nomes do Rock/Metal mundial. Helloween, Whitesnake e Scorpions, nenhum deles inéditos por aqui, levaram ao Gigantinho, num dia de calor insuportável, 8000 pessoas unidas em prol de um estilo que a mídia (parte dela) insiste em dizer que está morto. Mas o recado que todos deram foi a de que, se isso realmente aconteceu, alguém esqueceu de enterrá-lo!
Pontualmente, a banda gaúcha Cartel da Cevada começou sua apresentação com a difícil, porém gratificante, tarefa de abrir o festival. Sob um calor insuportável, o grupo mostrou muita personalidade e empolgação durante a execução do seu set, mostrando que estava ali para aproveitar muito bem essa oportunidade. Praticando uma sonoridade muito peculiar, a música pesada do grupo agrega muito do nosso regionalismo, seja pela temática, seja pela forma de compôr de suas faixas. O quarteto formado por Igor Assunção (vocal/guitarra), Nando Rosa (guitarra), Leo Bacchi (baixo) e Alberto Andrade (bateria) mostraram muita desenvoltura, com aquele “sangue nos olhos”, garantindo ao público presente (que naquele momento ainda não se fazia em grande número) altas doses de energia, ao executar faixas como “O Assador”, “Enquanto a Ceva Não Gela” (uma das melhores), “Vermelho na Prata”. No encerramento, “O Diabo é da Fronteira”, onde Lucas Rosa, encarnou, literalmente, o “Diabo”. Muito mais do que uma simples banda de abertura, o Cartel da Cevada mostrou que tem muita bala na agulha e pode encarar qualquer parada sem medo. Parabéns ao grupo e seu “Metal Bagual”!
Setlist Cartel da Cevada:
A Barbada
O Assador
Enquanto a Ceva Não Gela
Bacontato
Vermelho na Prata
Caminhoneira
O Diabo é da Fronteira
Seguindo o cronograma determinado, com o correto cumprimento dos horários estabelecidos, ás 18h30min, os pais do Power Metal Melódico sobem ao palco, cerca de dois anos após sua última passagem pela capital dos gaúchos. Sim, estou falando do Helloween, que pela segunda vez, trouxe a Porto Alegre sua “Pumpkins United World Tour”. E se em 2017 o grupo já mostrou um espetáculo inesquecível estando apenas no início da turnê, imagine agora, depois de dois anos juntos? Sim, o show foi grandioso novamente, apesar da limitação de tempo, algo completamente compreensível, afinal, estamos falando de um festival.
“I’m Alive”, com os vocais divididos ente Michael Kiske e Andi Deris, abriu o show e de cara, já foi possível perceber o maior entrosamento, não apenas entre os vocalistas, mas também da banda como um todo. Extremamente felizes em cima do palco, o grupo parece ter superado em definitivo os problemas do passado. O que ficou ainda mais nítido em “Dr. Stein”, foi que Deris e Kiske, apesar das vozes completamente diferentes, conseguiram fazer com que elas, ao vivo, se completem de forma harmoniosa. Em seguida, Deris deixa o palco e Kiske assume os vocais em uma das mais icônicas faixas do grupo: “Eagle Fly Free”. Impressionante o impacto que essa faixa causa mesmo depois de mais de 30 anos de seu lançamento. Então, Kiske deixa o palco e Deris assume seu posto em “Perfect Gentleman”. Confesso que essa faixa não é uma das que mais me chamam a atenção, mas ao vivo ela ganha mais intensidade e tem em sua execução, um dos momentos de maior interatividade com o público. Kai Hansen também tem seu momento a frente do microfone. Falo de “Ride the Sky”, dessa vez executada na íntegra, diferentemente da última apresentação, onde o guitarrista vocalista cantava um medley de faixas presentes em “Walls of Jericho”. Era chegado um dos mais belos momentos da noite. Kiske pede ao público para que acendam seus isqueiros (obviamente que foram acesas as lanternas dos celulares) e anuncia “A Tale That Wasn’t Right”. Impressiona como o alcance da voz de Kiske não perdeu o alcance durante todos esses anos. “Power” trouxe o momento “ô ô ô” do show. Sem dúvida, essa faixa da era Deris, poderia estar em qualquer um dos álbuns da fase Kiske sem fazer feio. Os três vocalistas ganham destaque em “How Many Tears”, um dos hinos do Power Metal de todos os tempos. O revezamento de vozes acabou por dar um brilho extra à fantástica composição.
O grupo deixa o palco e Kai Hansen retorna para dar início ao clássico riff de “Future World” que logo foi emendado com “I Want Out”. Apesar de já ter assistido há cinco apresentações do grupo, e em todas elas essas dobradinha ter sido executada, impossível negar a emoção que senti novamente. Algo que só quem cresceu ouvindo os “Keppers” pode entender. Com seus balões pretos e laranjas jogados ao público, se encerrava a participação do Helloween no Rock ao Vivo.
Setlist Helloween:
I’m Alive
Dr. Stein
Eagle Fly Free
Perfect Gentleman
Ride the Sky
A Tale That Wasn’t Right
Power
How Many Tears
Future World
I Want Out
Após um rápido intervalo para a desmontagem e troca de equipamentos, o Whitesnake veio para calar a boca de ‘haters’, críticos imbecis e todos aqueles que falam que David Coverdale está acabado! E, vamos ser sinceros, quem estava lá para assistir a banda sabe muito bem que Coverdale não é mais o mesmo, pois sua voz já dá claros sinais de desgaste. No entanto, no age dos seus 68 anos, ele compensa essa “pequena” falta com uma performance de palco que bota no bolso muito vocalista com um terço da sua idade! Dito isso vamos ao que interessa: foi, sem dúvidas, o melhor show do festival!
Após sua entrada clássica (“Are You Ready”), a banda detona “Bad Boys” já mostrando que o entrosamento da dupla Joel Hoekstra e Reb Beach está num nível de excelência pouco entrado dentro do rock/metal. Os backing vocal do baixista Michael Devin e do tecladista Michele Luppi (também ex-vocalista do Vision Divine) garantem a liberdade necessária a Coverdale, que como referido anteriormente, esbanja classe e vitalidade em sua performance. Emendando com outro clássico (e não teria como ser diferente), “Slide it In” resgata o início do grupo ao adentrar sua fase mais Hard Rock. E já que era pra dar uma força ao vocalista, todos cantaram juntos “Love Ain’t No Stranger”. Acredito que, mesmo com a voz de Coverdale 100%, seria impossível ouvi-lo, tamanho o entusiasmo do público no refrão dessa faixa espetacular. O novo trabalho, o excelente “Flesh & Blood”, foi representado por três faixas: “Hey You (Make Me Rock)”, pesada e com refrão daqueles grudentos, “Trouble Is Your Middle Name”, uma das melhores composições do álbum e “Shut Up And Kiss Me”, que teve clipe, além de ser a faixa mais “Hard n’ Roll” do disco.
Apesar do bom duelo de guitarras acontecido entre Beach e Hoekstra, achei um pouco extenso. Obviamente que, assim como o ESPETACULAR solo de bateria do MONSTRO Tommy Aldridge, esse momentos servem para dar um descanso a Coverdale, mas foi possível perceber o ótimo entrosamento entre os guitarristas. E aqui cabe um adendo: a entrada Joel Hoekstra foi uma das melhores coisas que poderia ter acontecido ao grupo. Além de tocar muito, que é o que mais interessa, ele deixou Reb Beach muito mais solto, seja no palco, seja nos solos. Também cabe destacar que Hoekstra toca o show inteiro com aquele sorriso de satisfação em estar tocando ali.
‘Is This Love” veio para acalmar um pouco os ânimos e trazer a memória a época em que músicas dessa classe e categoria tocavam no rádio e na TV. Ainda tivemos outros grandes momentos como “Slow & Easy”, que ficou muito pesada, “Give Me All Your Love”, outro momento de forte interação com o público e o hino “Here I Go Again”, também cantada em uníssono pelos presentes. Como não poderia deixar de ser, uma das músicas mais foda de todos os tempos, “Still of the Night”, vem para não deixar pedra sobre pedra. Mas, nem tudo são flores. Aqui, foi possível perceber o desgaste na voz do vocalista, mas como experiência não se compra em farmácia, ele soube contornar isso de maneira precisa, enquanto Devin e Luppi seguraram os vocais de apoio. Para encerrar, e ao mesmo tempo, compensar o cancelamento do show do mestre Glenn Hughes, que aconteceria por aqui, “Burn” foi executada a perfeição, fechando com chave de ouro essa grande apresentação. Já escrevi, mas volto a frisar: sem dúvidas, o melhor do show do festival!
Setlist Whitesnake:
Bad Boys
Slide it In
Love Ain’t No Stranger
Hey You (Make Me Rock)
Slow an’ Easy
Trouble is Your Middle Name
Solos de Guitarra/Duelo
Shut Up and Kiss Me
Solo de bateria
Is This Love
Give Me All Your LOve
Here I Go Again
Still of the Night
Burn (Deep Purple)
Então, após mais um intervalo necessário, era chegada a hora dos gaúchos conferirem, após 14 anos, a volta dos ícones alemães do Hard/Heavy, Scorpions! Em sua turnê de despedida (???), intitulada “Crazy World Tour”, o grupo mostrou que apesar da idade e da longa carreira, sabe como poucos conduzir um show. Com uma produção de palco espetacular, o grupo começou seu show com “Going Out With a Bang”, mas pareceu que o som não estava 100%, pois enquanto Mikey Dee espancava seu set, o volume soou muito baixo, assim como na segunda faixa, “Make it Real”. Klaus Meine também não aparentou estar totalmente em forma, mas segurou a onde sem comprometer. Também exigir o quê de um senhor de 71 anos, que está nessa há mais de 50 anos? Na clássica “The Zoo” o som melhorou um pouco, ficando bem melhor durante a execução de “Coast to Coast”.
Montar um setlist abrangendo toda a carreira não deve ser uma tarefa fácil para os alemães, vez que muitas faixas acabaram ficando de fora. Mas o trabalho mais recente, “Return to Forever” (2015), foi representado pela faixa “We Built This House”. A dupla Rudolph Schenker e Mathias Jabs, se não me falha a memória, é um das mais antigas em atividade e isso está comprovado na troca de energia entre ambos durante o show. Enquanto Rudolph é mais performático, Jabs se entrega à musica de forma precisa. Com relação as baladas a coisa parece ficar ainda mais complicada, pois fica muito difícil dissociar o nome do grupo à essas inúmeras composições criadas por eles ao longo dos anos. “Send Me Angel” (que na opinião deste que vos escreve poderia ter sido substituída por “Under the Same Sun”, por exemplo) e “Wind of Change” (outro belo momento dessa noite inesquecível), mostraram que o grupo foi e é responsável pela formação de inúmeros casais. A Hard N’ Heavy “Tease Me, Please Me”, antecedeu o solo de Mikey Dee, que apesar de muito bom, ficou pequeno após o que Tommy Aldridge nos proporcionou antes. Para encerrar a primeira parte do show, dois clássicos absolutos: “Black Out” e “ Big City Nights”, que fez com que os mais velhos voltassem no tempo de forma nostálgica.
No bis, como não poderia deixar de ser diferente, dois dos maiores hinos, hits, clássicos, seja lá qual for a denominação que você queira dar, de todos os tempos: “Still Loving You” e “Rock You Like a Hurricane”. Enquanto a primeira trouxe a memória a apresentação do grupo no Rock in Rio de 1985, a segunda mostrou o poder de um clássico atemporal, sendo cantada pelos presentes, independente da idade. E assim, de forma grandiosa, chegava ao fim o Rock ao Vivo, um festival que trouxe ao Gigantinho 8.000 pessoas!
Setlist Scorpions:
Going Out With a Bang
Make it Real
The Zoo
Coast to Coast
Top of the Bill/ Steamrock Fever/ Speedy’s Coming/ Catch Your Train
We Built This House
Delicate Dance
Send Me Angel
Wind of Change
Tease Me Please Me
Solo de bateria
Blackout
Big City Nights
Still Loving You
Rock You Like a Hurricane
Fica aqui a constatação, que fica a cada show ainda mais explícita, de que o Rock não tem idade. E também que nossos ídolos estão envelhecendo. Ao invés de criticar, falar mal apenas em busca de likes ou exposição, devemos valorizar suas presenças, pois em breve não teremos mais a performance de palco de Coverdale, a voz clássica de Klaus Meine, entre tantos outros que já dão mostras de que estão chegando ao final da carreira.
Fica aqui meu agradecimento a Hits Entretenimento e à Agência Cigana, pelo credenciamento e atendimento prestado durante a realização do evento.
