Independente
#ProgressiveMetal
Nota: 7,5
Bem, como começar? Definitivamente, “The Pessimist” é destinado a uma parcela muito restrita de público, afinal, trata-se de um álbum bastante complexo e de difícil assimilação num primeiro contato. Com ele, o Heretic demonstra estar um passo além na escala evolutiva metálica.
É difícil até de explicar em poucas palavras, mas o som praticado pelo Heretic transita fortemente pelo Progressivo, numa escala que se estende do Metal até o Thrash/Death Metal. As influências da sonoridade oriental (indiana, árabe e egípcia) enriquecem ainda mais o material, tornando a audição uma experiência marcante.
É inovador, ousado e excêntrico, isso é fato, porém, o agravante (pelo menos em meu ponto de vista) é a ausência total de vocais. Em meio a um ecletismo sonoro tão abrangente, se houvesse um vocal para traduzir toda a emoção imposta pelas composições, creio que o resultado final seria bem mais alvissareiro; no entanto, no decorrer da audição, por se tratar de uma música tão intrincada, há um desgaste natural do ouvinte, impossibilitando a apreciação repetidas vezes.
Não estou dizendo com isso que se trata de uma banda ruim. Poucas vezes vi uma formação nacional nesse nível de refinamento, ainda mais em se tratando de um material lançado de forma independente, só quero dizer que é audição para poucos e evoluídos.
Há momentos interessantes, como na pesada faixa-título, repleta de um peso cadenciado envolvente e “Dead Language”, uma quebradeira orientada por linhas de baixo marcantes e solos de guitarra efusivos.
Com “Pessimist”, o Heretic trouxe um novo significado ao campo harmônico, explorando e diversificando sua música de forma exemplar. Só contratem um bom vocalista, por favor. Se curte Necrophagist e Cynic talvez aprecie.
Ricardo L. Costa
