Hocico – Madame Club, São Paulo/SP (04/10/2026)
Produção: Madame Club
Texto por: Dewindson Costa (Dark Mode)
Fotos por: Alessandra Rosato
O mês de outubro já começa com um encontro avassalador de dois gigantes do Industrial Dark EBM: o grandioso Hocico, do México, voltando ao Brasil em grande estilo e com a melhor produção até agora, e o Civil Hate, da Argentina.
Ambas as bandas se encontraram no Madame Underground, icônico templo da música Dark, cultuado pelas tribos underground da cidade de São Paulo e de todo o Brasil, que recebe nomes ligados ao Post-Punk, Gótico, Dark Synthwave, EBM, Industrial Rock, Gothic Metal e tantos outros estilos. Não haveria lugar melhor para esses dois nomes se encontrarem.
Pontualmente às 20h30, os argentinos do Civil Hate subiram ao palco com muita energia e fúria, trazendo músicas de seu novo EP, “Not Your Faith”, lançado pela Blackfields Records. O show começou com “Dead Paradise” e “Obedience”, seguidas pela faixa-título, “Not Your Faith”.
O som estava muito bem ajustado pela equipe técnica da casa, com uma qualidade que ajudou a detalhar todos os elementos da música intensa e potente do Civil Hate. A iluminação e o telão, alinhados ao som da banda, contribuíram para uma apresentação grandiosa em sua estreia no Brasil.
As músicas do novo EP, “Not Your Faith”, soaram diretas e potentes, com linhas de Synth Bass destruidoras. A presença imponente do baterista ao vivo, acompanhando os sequenciadores mecânicos e agitando em pé na frente do palco, ajudou a destacar diversas partes das músicas, como “Time Runs Out” e “Suffering Alone”.
Toda a rítmica e o peso dos Synth Basses foram pensados para apresentações ao vivo, e isso funcionou muito bem. Além das músicas do novo EP, a banda apresentou outras pancadas, como “Take Off” e a fodástica “Stimulator”, seguida de “Worldstorm”, sendo muito bem ovacionada pelo público presente.
A banda agradeceu diversas vezes durante a apresentação. Também é importante destacar a performance de palco do vocalista, uma figura de presença marcante e um grande frontman, que manteve o público envolvido durante todo o show.
O Civil Hate encerrou muito bem sua apresentação com uma música bastante apropriada para o dia de eleição em nosso país: “Dictators”, um protesto musical contra o governo atual de seu país de origem, a Argentina. A faixa marcou o fim de uma apresentação grandiosa, que surpreendeu o público que ainda não conhecia a banda, mas que rapidamente aderiu à sua performance.
Assim, o grupo se despediu do público e deixou o palco.














Às 21h55, Racso Agroyam subiu ao palco e disparou a tenebrosa introdução. Os morcegos sentiram o chamado e já voaram para a frente do palco.
Carregando uma longa história dentro do EBM e do Industrial Dark, o Hocico é um dos grupos mais agressivos do gênero ao vivo e trouxe sua nova turnê, “The Unseen Horror”, que tem passado pelos principais palcos e festivais Dark da Europa, como M’era Luna, Castle Party e Amphi Festival, entre muitos outros.
Por isso, é necessário ressaltar o agradecimento pelo esforço da Post Punk Brasil e do Madame Underground para trazer essa turnê também ao Brasil, através da Resistência Booking.
Logo após a introdução, o vocalista Erk Aicrag adentrou o palco com toda sua fúria e energia transformadas em voz. O público o recebeu com muita euforia e, assim, Racso e Erk começaram a destilar sons de seu novo álbum, “Unseen Horror Scenes”, misturados a clássicos de uma carreira que se estende desde 1993.
“The Screen” já chegou destruindo e tem tudo para se tornar um futuro clássico da banda, seguida por “Bite Me” e “Psychonaut”. Infelizmente, as duas primeiras músicas passaram por um pequeno problema técnico no microfone, rapidamente atendido pela equipe no palco.
A banda continuou a apresentação e, mesmo quando o problema voltou a acontecer durante a fodástica “Psychonaut”, Erk não interrompeu a performance e o público continuou agitando.
Com o problema do microfone resolvido, a banda mandou “Tales from the Third World” e já emendou com o poderoso clássico “Poltergeist”. O Madame veio abaixo com “Dead Trust”, instigando o público com sua rítmica explosiva e dançante.
“Bienvenido a la Maldad” levou o público a berrar junto o refrão enquanto, em perfeita sincronia, o videoclipe da banda era exibido no telão atrás do palco.
Aliás, muitas músicas trouxeram essa interação entre som e imagem, criando uma experiência ainda mais intensa. Em seguida veio “Ecos”, em um set caliente, com o castelhano tomando conta do salão dos Gárgulas.
Uma das faixas mais icônicas da banda foi iniciada: “Fed Up”. A energia parecia não ter fim. Já havia até me esquecido de que estava em uma noite de domingo e que, depois de duas viagens, ainda havia sido dia de eleição.
Então, a banda surpreendeu a todos com o protesto “N.W.O.”, tributo ao fodástico chefe do Industrial Rock, o Ministry. Uma cover que, por si só, já chama a “Brainrot”.
A banda então anunciou “Tiempos de Furia”. Essa dupla realmente faz e segura o show, garantindo ao público a energia necessária para pular e cantar junto. Notei que as faixas em espanhol pareciam ficar ainda mais na mente dos fãs, facilitando os momentos em que todos cantavam junto com Erk.
O Hocico mostrou mais uma vez, neste show em São Paulo, que sua vinda ao Brasil é mais do que necessária. Após uma breve pausa para hidratar e secar o suor, a banda voltou com um encore matador, ressuscitando seu álbum “Odio Bajo el Alma”, de 1997.
Assim, seguiram com “Sexo Bajo Testosterona” e a faixa-título do álbum. E, assim como o público latino, os artistas latinos costumam ser bastante simpáticos no palco, despedindo-se dos brasileiros com muita satisfação por terem deixado sua mensagem após pouco mais de 30 anos de carreira dentro do EBM e do Industrial Dark.
Agradecimentos especiais ao Madame Underground, Zauber, Igor e Gê, assim como ao Metal na Lata pela parceria conosco, da Dark Mode. Estamos juntos!























