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Holocausto War Metal – “Batismo de Fogo” (2021)

Holocausto War Metal“Batismo de Fogo” (2021)
Warcore Records
#ThrashMetal, #ExtremeMetal, #WarMetal, #Crossover

Para fãs de: Vulcano, Sarcófago, Kreator (antigo), Sodom, Mutilator, Genocídio, Possessed

Nota: 9,0

O Metal mais extremo na nossa terra deve-se muito ao que foi criado em Minas Gerais nos anos 80 e ninguém é louco de dizer o contrário. Se eu fosse listar todas as bandas mineiras que foram e são até hoje cultuadas por todos, incluindo aí uma gigantesca parcela de fãs – e músicos – de dentro e fora do Brasil, ficaria aqui semanas a fio. Uma região realmente abençoada (oops) que nos brindou com bandas como Sepultura, Sarcófago, Mutilator, Holocausto, Overdose, Witchhammer, Chakal, The Mist etc.

O Holocausto, agora sob a alcunha Holocausto War Metal, capitaneado pelo soldado icônico do war metal e único integrante da formação original, Valério “Exterminador”, voltou a ativa como um trio e descarregando toda sua munição bélica em cima de nós pobres mortais. Junto a Valério (vocal/guitarra) temos Rafão ‘The Trigger” (baixo/vocal) e Manfredo ‘War Tank’ (bateria) e com esse time soltaram o impactante, visceral, cru, pesado, brutal e esporrento “Batismo de Fogo”. Resumindo, com todos elementos que a banda apresentava desde os primórdios dos anos 80, totalmente desprovido de melodia – sim, o pau come do começo ao fim sem sabonetagem -, só que, logicamente, melhor gravado, produzido e mixado. Não pense que a banda aderiu produções mirabolantes ou megalomaníacas, muito longe disso, a crueza continua intacta, seca e direta, mas estamos em 2021 e, na minha opinião, soar tosco e mal gravado como antigamente seria um suicídio comercial, musical e tecnológico.

São cinco faixas inéditas (novas), uma introdução e três faixas regravadas da demo “War Metal”, lançada ano passado logo após a volta às atividades, contando com participações especiais de Fernando Campos (vocal/Scalped), Giovanni Amorim (vocal/guitarra/Offensor) entre outros.

Verdadeiras ordens e gritos de guerra são despejados nos ouvintes de uma forma similar a um tanque de guerra desgovernado que esmaga inimigos sem dó nem piedade. Após a introdução que dá nome ao trabalho, temos uma das mais – se não a mais – emblemáticas e representativas faixas desse novo recomeço para a banda, “Guerra”! Duvido você não querer se juntar a banda para aniquilar inimigos após ouvir essa faixa que traz todo o peso Thrash Metal sujo que beiram um Punk Thrash cortante! Se você, assim como eu, gosta do álbum “Campo de Extermínio” (1987) vai enlouquecer com essa faixa, pois nos lembra muito essa fase mais inicial.

Já a faixa seguinte “Isis”, com os vocais de Fernando Campos, mostra uma sonoridade mais arrastada beirando um Doom Metal, principalmente no andamento de bateria e nos riffs (alguém pensou em Black Sabbath?) por aproximadamente 1m30 descambando em uma pancadaria quase grindcore de deixar o Napalm Death orgulhoso. Acha que fica só por isso? Ledo engano! Uma nova mudança de ritmo nos traz o Punk Rock sujo de volta numa espécie de Crust Metal! Sensacional! Como eu sempre falo para essas faixas: “Feita para se bater até na mãe”! (risos)

O interessante do estilo War Metal é que temos de tudo: Punk, Crust, Grindcore, Thrash Metal, Extreme Metal, Speed Metal, Crossover e até Hardcore! Sim, “Ex-Combatente” é praticamente um Hardcore ligado nos 220v, daquele mais clássico, mas não menos violento. A bateria de Manfredo ‘War Tank’ aqui, e em todo o trabalho, é similar a uma metralhadora com o gatilho apertado e com munição infinita! “Arames Farpados” vem na sequencia com algo mais groovado (dentro do padrão Holocausto, logicamente!), com ênfase no baixo galopante e vibrante que, junto com a bateria, seguem marchas até o final de sua execução. Um pouco diferente do restante do álbum, mas não menos visceral!

Vale um destaque aos vocais de Valério e de todos os integrantes que variam entre os mais profundos berros das entranhas até partes mais faladas e abertas, o que dão uma bela balanceada. “Sniper Alvo na Mira” é um bom exemplo disso. Em “Simo Haya” voltamos ao Crust Metal, Grindcore, Punk Metal (risos), numa cacetada de arrancar o coro! Dá para imaginar soldados descarregando seu armamento mais letal e praticamente rindo da situação. Dá para sentir o cheio do ódio (risos).

“Crianças Soldado” me lembrou um pouco um cruzamento de Brujeria com Genocídio (a banda), com um refrão executado sobre uma base Thrash Metal e “Cobras Fumantes” (coitado do Sabaton hahahaha), homenageando os bravos soldados da Força Expedicionária Brasileira que lutaram na Segunda Guerra Mundial, caindo num Thrash Metal mais cadenciado com riffs daqueles para fazer air guitar do começo ao fim!

Enfim, uma obra mortal como um bombardeio ou ataque nuclear, que despeja adrenalina nos ouvintes trazendo temáticas atuais de como o mundo está cada vez pior e que te enche de orgulho em saber que foi concebido por brasileiros! Se um dia formos convocados para alguma guerra eu quero ficar no time desses caras (risos)!

Johnny Z.

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