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Horna – Burning House, São Paulo/SP (21/10/2026)

Horna – Burning House, São Paulo/SP (21/10/2026)

Produção: Caveira Velha Produções | Gerunda Produções
Texto por: Matheus ‘Mu’ Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Quinze anos após sua última passagem por aqui, o Horna voltou ao Brasil para sua segunda visita ao país. Um dos principais nomes do Black Metal finlandês finalmente conseguiu pisar em solo brasileiro novamente, depois de alguns cancelamentos de shows nos últimos anos. Esse histórico aumentou a expectativa do público por um retorno efetivo da banda.

Com produção da Caveira Velha Produções, o evento contou com a abertura do Carpatus.

Às 19h30, o Carpatus iniciou seu set. Formada em 1999, em Santo André, a banda é um dos nomes mais antigos do Black Metal nacional ainda em atividade. Sua musicalidade é forte e bem trabalhada, com uma nítida influência do Satyricon. Tudo parte da mente de seu líder, Dizruptor, que, ao longo dos anos, executa quase todos os instrumentos. A escolha foi ótima, já que a banda tem realizado apresentações pontuais.

Como suas músicas são relativamente longas, o repertório se concentrou principalmente nos três últimos álbuns do grupo. Entre as faixas executadas estavam “Black Abyss Is Calling”, “Rites of Fire and Blood”, “Pelas Sombras do Vale da Morte” e “Unholy Pagan Cult”.

Foram 40 minutos de uma apresentação coesa, marcante e pesada, que preparou o terreno para a atração principal. O Carpatus já deixou o Burning House mergulhado em uma atmosfera carregada.

Às 21h, o Horna subiu ao palco e começou a debulhar seu repertório impiedosamente com “Muinaisten Alttarilta”, trazendo toda a maldade implacável de sua sonoridade. Existe algo de ameaçador tanto no som quanto na postura da banda no palco.

A apresentação mergulha o público em uma atmosfera profana e maligna. Mesmo com todas as músicas em finlandês, Spellgoth canta com um ódio tão intenso que, ao observar os demais integrantes, parecia que eles absorviam aquela energia e tocavam com ainda mais intensidade.

Com a turnê do último disco, Nyx – Hymnejä Yölle (2024), a banda trouxe um repertório que despertou meu interesse particular. Esse álbum foi um dos primeiros que resenhei quando entrei para o Metal Na Lata. Por isso, queria ver como as músicas funcionariam ao vivo.

As execuções de “Hymni I”, “Hymni III” e “Hymni V”, todas desse trabalho, foram impecáveis. No palco, porém, soaram ainda mais destruidoras, ressaltando toda a rispidez característica do Horna.

Como as músicas são cantadas em finlandês, Spellgoth também declamava algumas introduções em inglês. A iniciativa ofereceu ao público uma imersão mínima no contexto das composições. Foi um recurso realmente funcional para quem estava presente, permitindo mergulhar ainda mais no som doentio da banda.

Apesar da vasta discografia, o repertório também reservou espaço para alguns clássicos. “Tappakaa Kristus!”, “Kuoleva Lupaus” e “Örkkivuorilta” marcaram presença. A segunda foi a música mais ovacionada da noite, enquanto a última abre o primeiro álbum da banda, Kohti Yhdeksän Nousua (1998).

Essas escolhas evidenciaram toda a face extrema da cena finlandesa e ajudaram a mostrar por que o Horna é um dos nomes mais influentes e respeitados do gênero. Ao final, a banda entregou um set de 60 minutos absolutamente brutal.

O Black Metal ganhou contornos diferentes ao longo dos anos, mas muitas bandas continuam fiéis à essência do estilo. O Horna carrega justamente essa bandeira, com um som desconfortável e diabólico que não é para todo mundo. Quem aprecia o gênero entende que se trata de outra realidade musical, ligada à dedicação e à ideologia de vida.

A noite desta quarta-feira foi um exemplo perfeito dessa postura: uma banda fiel ao que executa, independentemente do que acontece lá fora. Foi uma noite dedicada ao que o Metal negro tem de mais puro dentro de seu estilo.

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