
Horror Expo
Bandas: Deathstars, Therion, Sioux 66, The Secret Society, Furia Inc., Midnight Danger, Venomous e Alchemia
Local: Espaço de Convençoes do Anhembi, Teatro Elis Regina, São Paulo/SP
Data: 18-19-20/10/2019
Assessoria de Imprensa: Eduardo Rangel e Somos Assessoria de Imprensa
Texto e fotos por Wallace Magri
Colaboração (Therion) Luiz Otávio Santos de Carvalho
Excelente evento para divulgar o mercado dos filmes, series, HQ’s e outras expressões do gênero Horror-Movie, que tem tudo a ver com o Heavy Metal, desde as apresentações teatrais de Alice Cooper nos anos 60 e 70, ganhando espaço na temática do Heavy Metal, em letras de bandas como Black Sabbath, Iron Maiden, Mercyful Fate, Celtic Frost, e transparecendo no visual exagerado do WASP, Motley Crue dos tempos de “Shout Of The Devil”, nos anos 80 e encontrando seu par ideal no Gothic/Industrial Metal, a partir dos anos 90.
Por isso foi muito bem sacada a ideia da produção de rolarem shows de banda que se relacionam com a temática, tais como Deathstars e Therion, além de diversas atrações nacionais que pudemos conferir nesses 3 dias de evento.
Estrutura e atrações
O Horror Fest aconteceu no Centro de Exposições do Anhembi, local bem amplo e que no primeiro dia estava um pouco vazio, mas no sábado e domingo ferveu de gente, certamente sendo sucesso de público e, espero, que de vendas também, nos stands que comercializavam desde HQ’s, até maquiagens, vestimentas relacionadas, livros, sendo que eu gastei uma graninha no stand da Nuclear Blast que, em parceria com a Shinigami Records, estavam com uma bela coleção de vinis e CDs para o pessoal aproveitar, a um preço bem honesto.
Foi lá no stand da Nuclear Blast que aconteceram as sessões de autógrafos com o Deathstars e Therion, no sábado, e os caras da banda acabavam circulando e permanecendo por lá grande parte do tempo, bem como o pessoal da imprensa especializada. Aliás, aproveito para agradecer a receptividade e camaradagem de Marcos Franke, da Nuclear Blast, que me recebeu muito bem e me deixou à vontade para fazer entrevistas com o pessoal das bandas, dando bastante moral para nosso site! Saiba que a consideração é recíproca, meu caro!

Além dos shows, no Palco Horror, havia também espaços para exibição de filmes, bate-papo com roteiristas e atores de filmes de terror. Até mesmo Christopher Johnsson participou de uma dessas sessões, que foi acompanhada por nosso colaborador nesta jornada, Luis Otávio Santos de Carvalho, que também me ajudou na pauta da entrevista do Therion e na resenha do show da banda, já que o mano é um tremendo especialista sobre a banda. Também não ficou de braço curto para me ajudar na filmagem das entrevistas!
E, para quem acha que tudo isso é pouco, havia ainda stands anunciando filmes que entrarão em cartaz, como “Anabelle 3”, “Boneco do Mal 2”, vários monstros e cenários para tirar fotos, uns cosplays de heróis da carnificina andando para lá e pra cá, uma espécie de Casa do Terror compacta (não fui, porque não tenho saco pra filas), além, é claro, de uma praça de alimentação com refrigerantes, cervejas, gordura e mais gordura para se matar de comer a preço honesto.
Shows
Também vale o agradecimento ao pessoal do credenciamento do evento, Eduardo Rangel e equipe, que nos acolheram de última hora e souberam receber muito bem a imprensa em geral, com espaço reservado para nos organizarmos, hidratarmos e descansarmos um pouco, ao longo da maratona de eventos.
Graças a isso, foi possível assistir a todos os shows ocorridos ao longo dos 3 dias, num total de 8 atrações, ou seja, um prato cheio para fãs de Metal, que puderam aproveitar para interagir muito de perto com grandes nomes do gênero, tanto de fora do Brasil, como das bandas nacionais.
Sexta-Feria 18/10
Secret Society:
Perdi um pouco do show dos caras porque era bem na hora da sessão de fotos do Deathstars, e, nesse primeiro dia, eu estava no esquema “fritando o peixe e olhando o gato”. A banda curitibana é muito competente ao vivo, toca um Post-Punk, Gothic Rock bem feito, que remete ao The Cult dos tempos de “Dreamtime” e de “Love”, em certas passagens.
Para este estilo musical, o formato power trio com sintetizador funciona perfeitamente e a execução de músicas como “The Final Cuts” ficou brilhante e, em certos momentos, o peso se manifesta mais evidente, como em “The Architecture Of Melancholy” e o belo solo de guitarra de Fabiano Cavassin.
Já os havia assistindo abrindo para o Dee Snider, no Tom Brasil, e percebi que, no fundo do palco, a banda não abre mão de um telão com imagens relacionadas ao conceito por trás do nome da banda: maçonaria, sociedades secretas e ocultismo. Show muito legal de ver!
Deathstars:
o Deathstars veio ao Brasil no meio da gravação de seu próximo álbum – previsto para sair em abril de 2020 – por essa razão, acabou deixando para trás o guitarrista Nightmare Industries. Mas, para animar o público, quem veio foi o recém-retornado Cat Casino, além de apresentarem seu mais novo integrante, o baterista Marcus Johans. Completam a banda Skinny Disco, baixo, e Whiplasher, vocal.
O show ao vivo da banda é violento e fundamentalmente orgânico, dando mais destaque para a porradaria que come solta no comando do baixo/bateria e riffs de guitarras ultra pesados. Desde a música de abertura, “Night Eletric Night” (quando Whiplasher cai do palco, mas mantém a pose, cantando no meio do pessoal), o visual dos caras chama bastante a atenção: todo mundo com corpse paint e excelente presença de palco, a interação com a plateia é constante e, quando executam musicas como “Semi-Automatic” o público presente (cerca de 200 fieis) vai ao delírio.
Em “Cyanide”, Whiplasher divide o microfone com o publico e o show é mais elástico do que de costume (os caras tocaram por 90 minutos), nos dando a oportunidade de ouvir “Sinthetic Generation”, “ Mark Of The Gun” encerra nas alturas com “Blitzrieg”
Excelente show, mostrando que os caras sempre entregam o melhor de si, independentemente de estarem em um Megafestival (como nos que tocaram recentemente na Europa), abrindo shows sold-out para o Rammstein (como fizeram na última tour) ou em uma apresentação em um evento no Brasil, para um público reduzido, sem as melhores condições de acústica e estrutura de palco. Esses suecos são muito profissionais e merecem nosso respeito!
Setlist Deathstars:
Night Eletric Night
Metal
Death Dies Hard
Tongues
Fire Galore
Semi-Automatic
Fuel Ignites
Trinity Fields
Motherzone
Play God
Synthetic Generation
Perfect Cult
Chirtograd
Mark Of The Gun
New Dead Nation
All Devil’s Toys
Cyanide
Blood Stains Blondes
Virtue To Vice
Revolution Exodus
Blitzrieg
Sábado 19/10
Midnight Danger:
A Suécia dominando os palcos do festival. Hoje é a vez do Midnight Danger aparecer e apresentar seu Synthwave no esquema “one man band”, contando com Criss Young, que é brasileiro, radicado na Suécia e que vai muito bem em sua carreira na Europa.
Confesso que não conhecia o som do cara, mas sou muito amigável à música eletrônica, então logo me adaptei à sonoridade que ecoava do palco, baseada nas músicas do álbum “Malignant Force”. Claro que este tipo de apresentação perde muito no quesito movimentação de palco e tão pouco havia um telão interagindo com as músicas, ou algo do gênero para dar conta de entreter as vistas do público.
De todo modo, o saldo final é positivo, o músico domina o que faz, tanto no aparato eletrônico, como quando empunha sua guitarra com muita propriedade e ocupa com solos e riffs o espaço das bases pré-programadas, dando umas guinadas para o AOR em diversas passagens.
Furia Inc.:
Rapaziada manda um Groove Metal de respeito, de acordo com todas as convenções do estilo, guitarras nervosas, afinação baixa e vocais urrados. Eles estão divulgando seu último álbum, “Raw”, lançado este ano. Pela energia que despejaram nesse set, merece uma conferida ao vivo e também no trabalho de estúdio dos caras.
A apresentação é vigorosa, dando orgulho ver essa rapaziada com tamanha atitude em cima do palco. A banda é formada pelos irmãos Gustavo e Neto Romão (guitarra e bateria), Fabio Carito (baixo) e Victor Cutrale nos vocais. Yohann Kisser é chamado ao palco para tocar, com Karina do Mercy Shock cantando junto, “Creatures Of The Night”, do Kiss, e “Bad Of Nails”, de Alice Cooper, para entrar no clima do festival. Aí a festa é instaurada e o show segue em alta vibração, com a música de trabalho no novo álbum, “Light The Fire” (bem nervosa, numa pegada meio Pantera, com umas quebradas sinistras) e encerram com “Slaves To The Blood”.
Venomous:
Rapaziada afiadissima, aproveitando para divulgar seu novo trabalho, “The Black Embrace”, pelo visto no mesmo nÍvel das traulitadas que a banda nos apresentou em “Defiant”. O estilo é um Modern Metal, meio Death Melódico, que me agrada bastante.
Para homenagear Andre Mattos, “Nothing To Say” é tocada, numa versão mais possuída pelo capeta. Nada mal! Em seguida a fúria seca de “Zumbi” vai abrindo caminho para o fim do set sangue nos olhos com “Duality” seguida do cover de “Overkill”, do Motorhead e “Green Hell”, que encerra a noite, com referências a baião, que ficou bem legal.
Mais uma banda que colocou o público no amplo espaço diante do palco para bater cabeça, provando que as novas vertentes do Metal estão em ótimas mãos com as bandas nacionais, que merecem mais atenção em festivais para divulgarem seus excelentes materiais e uma conferida mais atenta por parte do público fiel.
Sioux 66:
Finalmente consegui assistir ao Sioux 66 ao vivo. E o que eu desconfiava era verdade: o Sleazy Rock/Hard Rock dos caras funciona muitíssimo bem nos palcos – fica mais pesado, sujo e agressivo. Yohan Kisser toca uma guitarra bem responsável e é um garotão que curte o que faz, oferecendo muito mais feeling do que os solos rasgados do papai costumam apresentar.
Igor Godoi tem uma excelente presença de palco e, para ajudar, Victor, do Furia Inc., volta para cantarem juntos uma versão agitada de “Bark At The Moon”, de Ozzy Osbourne e, em seguida emendam “Tie Your Mother Down”, do Queen. Uma pena que o pessoal debandou – a qualidade da apresentação dos caras merecia mais gente prestigiando!
A banda anuncia que lançou CD nas plataformas digitais, “MMXIX”, em 18/10, da qual executam “Aqui Estamos”, que me lembrou muito o Guns N’ Roses do “Apetitte For Destruction”. Ao menos a levada de bateria traz à mente o Steven Adler dos bons tempos!
Relembrando a apresentação do Rock in Rio, Daniel Martins, do Matilha, sobe ao palco para tocar um cover dos Titãs “Diversão”, que também está no novo álbum e, na mãos dos caras, soa como deveria ser, não fosse a mão podre do inesquecível Liminha em “Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas”.
Executam “Electric Eyes” do Judas Priest, agora com a participação do guitarrista do Projetc 46, Jean, que ficou bom demais! Fecham com “Porcos”, mais uma paulada Sleazy de derrubar o quarteirão.
Se não foi no Rock in Rio, enfim no Horror Fest assisti a algo relevante acontecendo no rock nacional, cantado em português. A última vez faz tanto tempo que nem me lembro mais…
Domingo 20/10
Alchemia:
Infelizmente o trânsito de São Paulo em pleno domingo à noite pegou de surpresa até a mim, que sou paulistano de nascimento, e por esta razão cheguei atrasado para o show do Alchemia, tendo acompanhado apenas as 3 últimas músicas do show dos caras e gostei bastante do que vi – boa presença de palco, com direito a vocalista com cosplay obscuro e o guitarrista com a máscara do Jason!
Therion:
No dia anterior tive a oportunidade de conversar, por cerca de meia-hora, com Christofer Johnsson. Quando me apontaram o sujeito na badalada sala de entrevistas – franzino, cabelo loiro curto, óculos – nem o identifiquei, pois a imagem que tinha dele era de um cara cabeludo de alguma capa da Roadie Crew que tenho em casa.
Nunca me interessei muito pelo Therion, mas a conversa com o cara foi muito interessante, ele é muito inteligente e ponderado, sem um traço de estrelismo. Com sua simplicidade ele me conquistou e resolvi me preparar adequadamente para o show do dia seguinte. Sabendo que eles tocariam “Theli” na integra, comprei o CD, pedi um autógrafo e decidi que o escutaria antes do show e depois o ouviria de novo para fazer esta resenha.
E aí começa a história de minha conversão em fã da banda. Esse álbum é do caralho! Gostei do conceito lírico – que trata de ocultismo, Deuses e Deusas pagãos – envolvido por um Symphonic Metal pesadão, super-trampado e com algumas passagens folk e medievais de tirar o fôlego. Tá certo que a qualidade sonora não era das melhores, até mesmo pela localização do palco e infraestrutura de show insuficiente, em termos de aparelhagem.
Mas, com a mesma serenidade com que me atendeu para a entrevista, Christofer entra no palco, ao lado de sua banda, formada por Thomas Vikström (vocal), Justin Biggs (baixo), Chrstian Vidal (guitarra), Rosália Sairem e Chiara Malvestiti (backing vocals), Sami Karppinen (bateria), ao som de “Preludium” e logo iniciam a apresentação com “To Mega Therion”, com o próprio Johnsson vestido a caráter (steam punk), bem como o vocalista, e as backing vocals também estão com vestidos medievais. Unindo a isto o símbolo do Therion ao fundo do palco, foi a cenografia que bastou para a mágica acontecer.
“The Desert Of Set” é uma música épica, reproduzida com maestria no palco – tá certo, poderia ter um teclado sendo executado ao vivo, deixando para o playback apenas as partes orquestradas – com o público presente indo ao delírio, até mesmo porque composto por fãs assíduos, que sabiam todas as letras de cor e fizeram as vezes do coral.
E o CD vai sendo tocado na íntegra até a também fantástica “The Siren Of The Woods” quando, para a surpresa de todos os presentes, a banda decide esticar a apresentação e tocam “Rise Of Sodom”, “Flesh Of Gods”, “Lemuria”, “Ginnungagap”, “Son Of Slaves”. Enfim, encerram a noite, apoteoticamente ao som de “Grand Finale / Postludium”.
Antes, Christofer vai ao microfone e conta a mesma história que me contou na entrevista que me concedeu no dia anterior, de como o Therion estava desacreditado na época do lançamento de “Theli”, em 1996, quando praticamente nenhuma banda os chamava para excursionar, e a surpresa que teve ao descobrir que o álbum estava vendendo mais do que esperavam mundo afora! Termina sua fala como uma frase sincera: “faça o que você acredita, o que você gosta de fazer, não o que os outros querem que você faça”.
E, foi assim que saí daquele show totalmente convertido em fã do Therion, logo comprei mais um CD deles, “Gothic Kabalah”, e certamente não vou parar por aí. E, complementando o conselho de Christofer aos fãs, acrescentaria: nunca feche a sua mente para novas possibilidades de conhecer outras coisas, e nunca fique em casa em um domingo à noite quando tem a oportunidade de fazer pela primeira vez uma coisa em sua vida. Aí te pergunto: qual foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?
Sentado no sofá é que não vai ser!
Setlist Therion:
Preludium
To Mega Therion
Cults Of Shadows
In The Desert Of Set
Interludium
Nights Of Eden
Opus Eclipse
Invocation Of Naamah
The Siren Of The Wood
Rise Of Sodom
Flesh Of Gods
Lemuria
Ginnungagap
Son Of Slaves
Grande Finale / Postludium


































