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Incantation – “Upon the Throne of Apocalypse” (1995/2019) (Relançamento)

Incantation – “Upon the Throne of Apocalypse” (1995/2019) (Relançamento)
Relapse Records
#DeathMetal#OldSchoolDeathMetal#DoomMetal

Para fãs de ImmolationDead CongregationFather BefouledEncoffination

Nota: 10

Poucas bandas tem o talento para se esgueirar entre dois subgêneros distintos, criando com isso seu próprio habitat, digamos assim, identificando-se com maestria a essa fusão. O Incantation sempre teve como diferencial a comunhão entre o mais pútrido e aviltante Death Metal com o mais soturno e abissal Doom, saindo daí algo que transcende a malignidade do mais recôndito setor do inferno incandescente.

“Upon the Throne of Apocalypse” fora lançado originalmente no longínquo ano de 1995, registro este que configuraria no fim da era Craig Pillard (para mim, um dos melhores e mais horripilantes vocais do Death Metal), transgredindo o limite do peso e da brutalidade para níveis assustadores. Aí, o jovem e estimado leitor deve se questionar: “mas um disco lançado há quase 25 anos atrás está fazendo o que por aqui?”, no que eu prontamente respondo: trata-se de uma versão comemorativa lançada recentemente, contando com uma nova masterização e só, mas, ainda assim, um trabalho dessa magnitude quase sacrossanta merece toda a sorte de honrarias possíveis.

“Upon the Throne of Apocalypse” seria uma espécie de irmão gêmeo de seu antecessor (quem conhece de fato a banda sabe a que me refiro) “Mortal Throne of Nazarene” (1994), dando continuidade de lá a toda uma sequência vil, blasfema e sórdida de sua música. Apesar do tratamento sonoro aplicado nesta reedição, o álbum ainda parece aquele mesmo velho registro gravado numa caverna soterrada e inalcançável, tamanha a densa imundície que se evidencia aqui. A atmosfera mórbida e cinzenta é presença marcante, causando calafrios até nos mais indiferentes a presente proposta.

Cada urro angustiante de Pillard, cada fraseado cortante do patrão John McEntee, e cada mínimo esboço da precisa cozinha composta por Jim Roe (bateria) e Dan Camp (baixo) nos transporta para um universo de desolação e desespero onde só nos resta sucumbir. São bem poucos registros que têm esse poder, que alteram, ainda que momentaneamente, nossa percepção acerca da realidade, trazendo a tona as mais tenebrosas emoções.

O Incantation, ao contrário do que poderia explanar seu nome, não tem nada de encantador. “Upon the Throne of Apocalypse” é a genuína síntese da destruição em forma de Death Metal e tem em faixas como “Blissfull Bloodshower” e “Essence Ablaze” seus inevitáveis destaques, embora toda a obra seja irrepreensível e, exatamente por isso, obrigatória em qualquer coleção que se preze. O Death Metal tratado como se deve!

Ricardo L. Costa

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