Iron Maiden – Nubank Arena, São Paulo/SP (25/10/2026)
50 anos de história, clássicos imortais e os desafios de seguir em frente
Produção: Move Concerts
Assessoria: Midiorama
Abertura: Alter Bridge
Texto: Johnny Z. / Fotos: Em breve
O Iron Maiden voltou a São Paulo para mais um capítulo de sua longa relação com o público brasileiro. No Nubank Parque, antigo Allianz Parque, a Donzela de Ferro apresentou a turnê comemorativa de 50 anos, Run For Your Lives, com um repertório que percorreu o período entre o álbum de estreia, Iron Maiden (1980), e Fear of the Dark (1992).
A seleção, portanto, privilegiou – para muitos – uma fase de ouro da banda, reunindo clássicos, músicas menos frequentes nos shows e momentos que atravessam diferentes etapas de sua discografia. A apresentação também contou com os americanos do Alter Bridge, responsável por abrir a noite.
A expectativa em torno do show era enorme, pois 11 em cada 10 fãs da banda sabem que ali estão alguns dos clássicos mais atemporais do Iron Maiden. Isso não significa desmerecer a fase com Blaze Bayley (1994-1998), bastante criticada, nem o período iniciado em 1999, com o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith. No entanto, sejamos realistas: os clássicos absolutos da banda estão concentrados até 1992.
Depois disso, surgiram músicas ótimas, boas composições, outras nem tanto, mas nenhuma alcançou o mesmo impacto. Talvez Brave New World (2000), primeiro álbum após o retorno de Bruce e Adrian, chegue mais perto desse patamar. Ainda assim, nenhuma faixa do disco se consolidou como um clássico absoluto à altura dos grandes hinos da fase clássica.
A partir daí, surge uma questão interessante: até que ponto um músico se sente realizado tocando exclusivamente material antigo, enquanto continua produzindo músicas novas que, embora tenham qualidade, já não alcançam o mesmo impacto ou relevância? Será que existe alguma frustração por trás disso? E o que pensa o fã? Muitos preferem ouvir apenas os clássicos, mas a roda não precisa continuar girando?
Enfim, refletir é uma opção. Mas tivemos a felicidade de viver o Iron Maiden em seu auge e, décadas depois, ainda temos o privilégio de ver a banda na ativa, celebrando cinco décadas de história. Poucas gerações tiveram tanta sorte! Somos, sem dúvida, afortunados! E melhor ainda, bem na nossa frente, por várias vezes! Up The Irons! Vamos ao show!
Alter Bridge: uma abertura marcada pela força instrumental
O Alter Bridge subiu ao palco por volta das 19h10, com cerca de 50 minutos para apresentar seu trabalho a uma plateia que aguardava o Iron Maiden. O desafio era conquistar a atenção de um público cuja principal motivação naquela noite estava concentrada na atração seguinte. Ainda assim, o quarteto norte-americano mostrou por que construiu uma identidade própria dentro do hard rock e do metal moderno.
As condições técnicas favoreceram a apresentação. O som estava muito bem equalizado, com instrumentos e vocais nítidos, enquanto a iluminação valorizava a performance sem excessos. Nesse aspecto, o Iron Maiden sempre fez tudo direitinho, demonstrando respeito às bandas que dividem o palco com ele.
A abertura com “Silent Divide”, faixa do álbum autointitulado lançado em 2026, apresentou guitarras encorpadas, riffs expressivos e melodias bem definidas. Na sequência, “Addicted to Pain” trouxe uma abordagem mais direta, com Mark Tremonti sustentando o peso das guitarras e Myles Kennedy alternando linhas vocais melódicas com passagens de maior intensidade.
Kennedy, aliás, é uma das peças centrais dessa identidade. Além de assumir os vocais principais, toca guitarra muitíssimo bem e participa ativamente da construção harmônica das músicas. Esse é um detalhe para o qual todos deveriam prestar mais atenção: sua maneira de tocar tem uma pegada própria, cheia de classe e bem diferente da abordagem de Tremonti, mais próxima do metal tradicional. Este, por sua vez, vai além dos riffs pesados, combinando frases melódicas e solos que dialogam com os arranjos. A interação entre os dois enriquece o repertório e evidencia como estilos distintos podem se complementar sem que nenhum dos músicos perca a própria personalidade.
Essa versatilidade ficou particularmente evidente em “Cry of Achilles” e “Fortress”. As duas composições exploram mudanças de andamento, passagens instrumentais elaboradas e contrastes entre agressividade e melodia. O Alter Bridge demonstra, assim, que sabe trabalhar estruturas complexas sem perder o impacto. Não se trata apenas de encaixar riffs pesados em refrões marcantes, mas de construir músicas com identidade, dinâmica e espaço para o desenvolvimento instrumental.
A seção rítmica, formada por Brian Marshall, no baixo, e Scott Phillips, na bateria, sustentou essas variações com segurança. O entrosamento dos dois oferece a base necessária para que as guitarras e os vocais transitem entre diferentes intensidades sem comprometer a coesão das composições.
“Silver Tongue” retomou o lado mais agressivo do grupo, enquanto “Metalingus” trouxe um dos momentos mais reconhecíveis do repertório. Presente em One Day Remains (2004), álbum de estreia da banda, a música combina um riff marcante com um refrão direto e mantém seu lugar entre os grandes clássicos do Alter Bridge. Já “Blackbird” destacou a dimensão melódica e emocional do quarteto, com uma composição que exige equilíbrio entre interpretação vocal e desenvolvimento instrumental.
Por fim, a cacetada “Isolation” encerrou a apresentação com peso e energia. A escolha funcionou como uma síntese da identidade da banda, reunindo agressividade, precisão instrumental e melodias fortes. Dentro do tempo disponível, o repertório contemplou diferentes facetas do Alter Bridge, embora oito músicas deixem a sensação de que havia muito mais a mostrar.
Para quem, como eu, acompanha e gosta da banda desde o início, lá em 2004, o setlist curto deixou aquele gostinho de quero mais. O Alter Bridge tem repertório de sobra para ocupar um espaço maior — e merece, aceita que dói menos (risos)! A apresentação foi competente, mas a banda poderia ter aproveitado alguns minutos adicionais para explorar outras fases da carreira e oferecer uma visão mais ampla de sua discografia.
Musicalmente, o quarteto passou com folga pelo desafio. A execução consistente, a personalidade das guitarras e a combinação entre peso e melodia demonstraram a experiência de músicos que conhecem muito bem suas funções. Há bom gosto nos arranjos e cuidado nos detalhes, sem que a técnica se transforme em exibicionismo. É justamente essa combinação que sustenta a identidade do Alter Bridge desde seus primeiros trabalhos.
A resposta da plateia, entretanto, precisa ser considerada dentro do contexto. Em um evento dessa dimensão, nem todos chegam com o mesmo grau de familiaridade com a atração de abertura. Para quem já conhece o Alter Bridge, sua qualidade dispensa malabarismos para convencer. Por outro lado, menos de uma hora talvez não tenha sido suficiente para conquistar plenamente aqueles que ainda não conheciam o trabalho do grupo.
Isso não diminui o mérito da apresentação, mas ajuda a compreender por que a recepção não foi tão efusiva quanto poderia ter sido. Afinal, quando o público está concentrado na expectativa de ver o Iron Maiden, conquistar sua atenção exige mais do que uma boa execução: também depende do tempo disponível e da disposição de cada um para conhecer a banda que está no palco.
Vale lembrar que, no passado, já tivemos até bandas de abertura formadas por filhos de integrantes do Iron Maiden, e a reação do público foi ainda mais insossa nesses casos (risos). Portanto, diante desse histórico e das circunstâncias da noite, o Alter Bridge passou de ano com folga diante dos fãs da Donzela, sim, senhor!
Iron Maiden: cinco décadas de história!
A expectativa pelo Iron Maiden estava diretamente ligada à proposta da turnê Run For Your Lives. Em vez de concentrar o repertório no material mais recente, a banda voltou os olhos para os primeiros nove álbuns, período fundamental para a consolidação de sua identidade musical e para a expansão do heavy metal britânico.
A escolha tem um significado particular para quem acompanha o grupo há décadas. Essas músicas estabeleceram a combinação entre riffs marcantes, linhas de baixo características, guitarras harmonizadas, narrativas históricas e estruturas que frequentemente ultrapassam o formato tradicional do rock. Ao mesmo tempo, são composições que muitos fãs conhecem em detalhes e comparam inevitavelmente às gravações originais. Qualquer errinho será percebido, ainda mais agora que não temos mais o grande Nicko McBrain na bateria, substituído no final de 2024 por Simon Dawson, do British Lion. Falaremos sobre ele mais adiante.
A sequência inicial começou com a introdução mecânica de “Doctor, Doctor”, do UFO, cantada por todos como se fizesse parte do show. Em seguida, veio “Ides of March”, instrumental que abre Killers (1981), também reproduzida mecanicamente, mas acompanhada de um vídeo no telão que arrepiava até o último fio de cabelo. Incrível!
A banda entrou no palco executando “Murders in the Rue Morgue”, “Wrathchild”, “Killers” e “Phantom of the Opera”, levando o público de volta aos primeiros anos de sua trajetória. A seleção valorizou a fase associada a Paul Di’Anno, quando o Maiden apresentava uma sonoridade mais crua, direta e veloz, sem abrir mão das estruturas instrumentais que se tornariam uma de suas marcas registradas.
Porém, já nos primeiros acordes, notamos uma leve lentidão no andamento, principalmente em “Wrathchild” e “Killers”. Nada que comprometesse a apresentação, embora a diferença tenha sido perceptível ao longo do set.
Os telões exibiam imagens da época reconstruídas com inteligência artificial, dando o tom do que teríamos pela frente: nostalgia pura. Havia becos de Londres, bares frequentados pela banda nos primórdios e alusões às capas dos álbuns e singles. Tudo se mexia com vida! Incrível!
“Phantom of the Opera”, em particular, ocupa um lugar importante nessa construção. Sua duração, as mudanças de andamento e as passagens instrumentais já demonstravam a ambição musical do grupo em seu álbum de estreia. A presença da faixa reforçou a proposta de recuperar características que ajudaram a definir o Maiden, em vez de simplesmente reunir sucessos conhecidos.
“The Number of the Beast” levou a apresentação a outro patamar de reconhecimento popular. A música permanece entre as composições mais emblemáticas do grupo e concentra elementos que ajudaram a transformar o Iron Maiden em uma referência mundial: introdução marcante, riffs memoráveis e um refrão imediatamente associado à banda. O Iron Maiden em sua essência: cuspido e escarrado!
A partir daí, o repertório avançou por diferentes fases da discografia. “Infinite Dreams” foi uma das escolhas que mais chamaram a atenção, resgatando uma composição que permaneceu por décadas fora dos setlists. Sua presença permitiu revisitar o lado mais atmosférico e progressivo de Seventh Son of a Seventh Son (1988), álbum que representa uma das etapas mais elaboradas da trajetória do Maiden.
Bastava olhar ao redor para perceber o impacto daquele momento. Fãs de diferentes gerações, a maioria com mais de 45 anos, estavam emocionados, embasbacados e praticamente paralisados diante de uma música que muitos esperaram décadas para ouvir ao vivo. Foi muito emocionante!
“Powerslave” e “2 Minutes to Midnight” ampliaram a representação do período que consolidou a formação com Bruce Dickinson, Adrian Smith, Dave Murray e Steve Harris nos grandes palcos internacionais. Em “Powerslave”, a construção instrumental e a atmosfera criada pela composição ganharam um reforço visual especial: Bruce usou a mesma máscara que vestia na época da World Slavery Tour (1984–1985), eternizada no vídeo ao vivo Live After Death (1985).
Já “2 Minutes to Midnight” combina um riff reconhecível com uma abordagem lírica marcada por referências à guerra e à tensão política. E sim, mais uma vez tocada por seu dono. Entendedores entenderão (risos).
“Rime of the Ancient Mariner” foi outro ponto alto do repertório. Essa obra-prima demonstra a disposição do Maiden para desenvolver narrativas extensas dentro do heavy metal. As mudanças de dinâmica e a construção atmosférica fazem dela uma composição que não se resume à força de um refrão. É música feita para ver sua alma sair do corpo e, ao vivo, é algo inexplicável.
Na sequência, “Run to the Hills” veio para incendiar o Nubank Arena, completamente lotado. Seu refrão continua sendo um dos grandes pontos de identificação entre o Iron Maiden e o público, assim como “The Trooper”, que reúne velocidade, melodias de guitarra e uma interpretação vocal facilmente reconhecível. Muitos já estão cansados de ouvi-las, mas, ao vivo, a história é outra. A gente espera por elas e até pede para que sejam tocadas (risos).
“Seventh Son of a Seventh Son” acrescentou ainda mais profundidade à apresentação, resgatando a ambição musical de um álbum conceitual que ocupa um lugar especial na discografia do grupo. Um dos momentos mais marcantes veio na passagem mais lenta da música, quando Adrian Smith executou algumas palhetadas sutis, criando uma atmosfera hipnotizante. O peso monstruoso e a emoção que esse monstro extraiu das cordas naquela hora ainda devem estar doendo no peito de quem estava lá (risos).
Falar da voz de Bruce Dickinson é quase perda de tempo, pois o cara domina todas as extensões vocais, dos agudos mais extremos aos graves. Ele soube adaptar a voz à própria idade sem perder potência. Pelo contrário, seus tons médios ganharam ainda mais agressividade, enquanto os agudos soam ainda mais viscerais. Um monstro!
Já “Hallowed Be Thy Name” trouxe novamente a combinação entre narrativa, mudanças de intensidade e desenvolvimento instrumental que ajudou a estabelecer o Maiden como uma banda capaz de transformar composições longas em momentos centrais de seus shows. A teatralidade também merece destaque: Bruce cantou dentro de uma jaula e interagiu com o gigantesco telão ao fundo, até ser “quase enforcado” em meio à encenação digital.
Bruce continuou ocupando o papel de principal comunicador da banda, enquanto Steve Harris manteve sua imponência e Janick Gers fez suas estripulias de costume pelo palco. São movimentos aos quais o público já está tão acostumado que quase nem dá bola (risos). A combinação entre Dave Murray e Adrian Smith, por sua vez, permanece essencial para a identidade do Iron Maiden, especialmente nas harmonizações e nos solos que ajudaram a construir o repertório clássico do grupo.
Steve também segue sendo uma figura central pela maneira como seu baixo conduz muitas das músicas. Suas linhas potentes e características criam movimento e sustentam o diálogo entre as guitarras e a bateria. Sua importância para o Maiden é tão grande quanto a de Bruce, ainda que cada um exerça um papel completamente diferente dentro da banda.
E chegamos a Simon Dawson, que assumiu a bateria nesta fase da turnê após Nicko McBrain deixar as apresentações ao vivo em dezembro de 2024, inclusive no mesmo local dessa apresentação. A mudança representa uma adaptação importante para uma banda cuja música depende de precisão rítmica e de uma relação muito particular entre baixo, bateria e guitarras. Em composições tão conhecidas, qualquer alteração na cadência pode ser percebida por quem acompanha o grupo há muito tempo. E acredite: foi.
Simon Dawson é um bom baterista e executa seu trabalho corretamente, mas sua atuação me pareceu burocrática e um tanto engessada, sem a pegada e a personalidade que marcaram Nicko McBrain. Em algumas faixas, senti uma queda no andamento, embora não saiba dizer se isso ocorreu por orientação da banda ou por outro motivo. Algumas levadas características de Nicko também fizeram falta. Ainda assim, Simon não comprometeu a apresentação.
Só que aí entra um fator difícil de ignorar: nostalgia e fanatismo. Afinal, não é o Nicko! Por melhor que qualquer outro baterista desempenhasse essa função, dificilmente escaparia das comparações e críticas de parte dos fãs (risos).
A produção visual também marcou uma mudança em relação a outras turnês. Os grandes painéis de LED assumiram papel central na ambientação, com imagens e cenários digitais acompanhando cada música. Em “Powerslave”, “Rime of the Ancient Mariner”, “Hallowed Be Thy Name” e “Seventh Son of a Seventh Son”, especialmente em “Fear of the Dark”, a integração entre música e elementos visuais fez toda a diferença. Os telões deixaram de ser apenas um complemento e passaram a fazer parte fundamental da experiência.
Por outro lado, essa escolha modifica a relação entre a banda e o espetáculo visual. Parte da tradição do Maiden está associada a cenários físicos, elementos cenográficos e aparições de Eddie que se tornaram parte da experiência ao vivo. A tecnologia oferece novas possibilidades, mas sua eficácia depende de como complementa a música e preserva a personalidade visual construída pelo grupo ao longo das décadas.
Eddie apareceu fisicamente em dois momentos: durante “Killers” e “The Trooper”. Já o tradicional Eddie monstruoso, que antigamente surgia como um boneco inflável atrás da bateria, deu lugar a uma versão digital gigantesca no telão, inspirada na fase de Piece of Mind (1983). Na animação, a criatura se libertava das correntes e se debruçava sobre o público, criando um efeito visual impressionante e atualizando um elemento clássico da mitologia do Iron Maiden. É diferente, mas também impactante.
O encerramento reuniu “Iron Maiden”, quando Eddie voltou a dar o ar da graça em sua versão digital, “Aces High”, “Fear of the Dark” e “Wasted Years”, com as três últimas no bis. A sequência recuperou diferentes facetas da banda, do peso direto à atmosfera grandiosa e à melodia que transformou tantas composições em referências para gerações de músicos e fãs.
Aí chegamos a um ponto crucial para os fãs de longa data, principalmente aqueles que, como eu, já viram a banda ao vivo dezenas de vezes e ouviram milhões de versões dessas mesmas músicas nos lançamentos oficiais e também in loco.
Com tantos clássicos praticamente esquecidos, fica a pergunta: por que não abrir espaço para outras composições que raramente aparecem nos setlists? “Running Free”, “Total Eclipse” (ok, essa é para die-hards), “Children of the Damned”, “Flight of Icarus”, “Stranger in a Strange Land”, “Be Quick or Be Dead” ou até mesmo alguma faixa do injustiçado No Prayer for the Dying (1990) seriam opções interessantes. Afinal, o repertório da banda é gigantesco, e há muita coisa boa esperando uma nova oportunidade nos palcos.
A proposta da turnê permitia encaixar melhor algumas “novidades” no repertório, mas a escolha das músicas buscou estabelecer uma linha histórica entre os primeiros discos e os trabalhos que consolidaram o Maiden como uma das maiores instituições do heavy metal. Convenhamos: ninguém pode reclamar do setlist. Podemos, sim, querer ouvir aquelas outras faixas citadas acima, mas aí só mesmo com um show de umas três horas de duração, o que também não seria nada mal (risos).
É justamente nesse ponto que uma apresentação comemorativa desperta diferentes avaliações. A importância histórica das músicas permanece, mas a experiência ao vivo também depende da execução atual, do andamento das composições, da interação entre os músicos e das escolhas de produção. Conhecer profundamente os discos torna a experiência mais rica, mas também aumenta a atenção aos detalhes.
Estamos falando de senhores na faixa dos 60 aos 70 anos. Não dá para exigir que rejuvenesçam no palco, nem seria justo cobrar a mesma disposição física de décadas atrás. Ainda assim, algumas diferenças de comportamento chamam a atenção. Bruce Dickinson, Steve Harris e Janick Gers transbordam energia, movimentando-se constantemente e mantendo aquela presença que ajuda a transformar um show do Iron Maiden em um espetáculo.
Adrian Smith é o sujeito centrado, cheio de classe, que não precisa de grandes movimentos para demonstrar sua importância. Sua postura mais contida não diminui em nada o músico monstruoso que temos ali.
Dave Murray, por sua vez, já foi mais agitado no palco. Hoje, parece preferir uma postura mais tranquila, concentrado em suas bases e solos. Entretanto, há algo que permanece intacto ao longo dessas cinco décadas: aquele sorriso no rosto. Dave parece genuinamente feliz por estar ali, fazendo o que sempre fez de melhor. E isso tem um valor enorme, pois contagia!
Afinal, o Iron Maiden não precisa provar sua capacidade física a ninguém. O que impressiona é ver músicos com tantas décadas de estrada ainda entregando uma apresentação consistente, mantendo a identidade que conquistou gerações e demonstrando prazer em tocar juntos. Cada um tem seu jeito de ocupar o palco, e essa combinação de personalidades também faz parte da química da banda. Não se trata de tentar reproduzir o Maiden de 1985, mas de reconhecer o privilégio de ainda poder assistir a esses caras fazendo história ao vivo.
O Iron Maiden possui um catálogo capaz de sustentar uma turnê inteira dedicada ao passado sem depender exclusivamente de um único álbum. Essa riqueza explica por que determinadas escolhas despertam tanta expectativa e por que sempre haverá fãs desejando ouvir músicas diferentes. Ao mesmo tempo, revisitar a história significa aceitar que o grupo de hoje não é exatamente aquele que gravou esses discos.
A questão é como preservar a identidade dessas músicas sem transformar a apresentação em uma simples reprodução do passado. Entre a nostalgia, as mudanças na formação, a evolução da produção visual e a experiência acumulada de seus integrantes, o Iron Maiden continua encontrando maneiras de nos emocionar, mesmo quando algumas escolhas despertam questionamentos. E os caras, a cada show, conseguem conquistar cada vez mais nossos corações de formas diferentes!
Up the Irons!

