Isegrim – “Isegrim” (1999)
(Relançamento 2026)
Fireflash Records | Shinigami Records
#BlackMetal #RawBlackMetal
Para fãs de: Dark Funeral, Marduk, Enthroned
Texto por Lucas David
Nota: 10
Criado por A. Blackwar em 1998, o Isegrim surgiu como um projeto paralelo às atividades do Mystic Circle, tendo como foco o Black Metal mais cru e agressivo do início da segunda onda do estilo. Em 1999, a banda alemã lançou seu primeiro disco, autointitulado, com uma brutalidade avassaladora. Até hoje, o álbum permanece como um reflexo daquela época em que o Black Metal começava a ganhar mais espaço, enquanto o underground se firmava como símbolo de poder e brutalidade. Ao mesmo tempo, o estilo desafiava a religião e se consolidava como mais um ataque metálico, visceral e satânico.
Após tantos anos, o disco foi relançado em formato físico, adicionando também mais três faixas bônus ao caos sonoro proposto por seu líder e único membro. Dessa forma, Isegrim continua repleto de riffs e os entrega de maneira grandiosa, tendo como resultado um Black Metal blasfemo e feroz, com forte influência da cena norueguesa.
Logo após os gritos maníacos de “In Nomine”, a explosão de blast beats e riffs cortantes chega com “Diabolical Witchcraft”, conduzida por um ritmo insano. Além disso, os vocais de A. Blackwar são rasgados e penetram no ouvido e por baixo da pele, fixando-se imediatamente na mente. O tom utilizado por ele lembra muito o de Maniac em Deathcrush (1987) e, por isso, essa se torna uma das melhores faixas do disco. Na sequência, “Rape Jesus Christ” mantém a brutalidade, apostando em riffs rápidos e pesados. A bateria, por sua vez, é estrondosa e empurra você contra a parede.
“Seven Legions” acerta como uma bomba, com uma levada que oferece poucos momentos de respiro enquanto bebe diretamente da fonte do Marduk em Panzer Division Marduk (1999). Por outro lado, “Hear The Screams of Hell” mantém o mesmo ritmo, mas acrescenta vocais ainda mais insanos e urros que perfuram os ouvidos.
Na sequência, temos mais uma intro — uma das faixas bônus dessa nova versão —, dessa vez com “Ave Luciferi”. Aqui, apenas um teclado e um coro criam um ambiente aparentemente mais angelical. Entretanto, alguns sons bizarros quebram essa atmosfera e dão à faixa uma sensação de filme de terror.
Já “Hail Emperor Caesar” — que aparece no EP Gloria Deo, Domino Inferi (2001) — apresenta um tom mais épico e uma levada que aposta em momentos mais cadenciados. Ainda assim, pequenos momentos de velocidade quebram essa dinâmica, enquanto um solo cheio de melodia completa a faixa. Por fim, o cover de “Bestial Invasion”, do Destruction, mostra-se um ótimo acerto. A versão mantém a velocidade da original, enquanto os vocais de A. Blackwar se aproximam do trabalho feito pelos alemães. Além disso, o solo reforça ainda mais a força da releitura.
Assim, Isegrim é um lembrete da força e da imponência do Metal extremo e de seu líder desde o começo do movimento. As faixas conseguiram passar pelo teste do tempo e mantêm sua força até os dias de hoje, ganhando ainda mais potência com a inclusão das faixas bônus. Portanto, com novas músicas prometidas para 2027, Isegrim é mais do que uma reintrodução da banda: é um prenúncio do caos sonoro que ainda está por vir.

