Jerry Cantrell – Audio, São Paulo/SP (12/11/2024)
Produção: 30e
Assessoria: Trovoa Comunicação
Texto e fotos por Matheus “Mu” Silva
Pela primeira vez com sua carreira solo, Jerry Cantrell, a alma do Alice in Chains, finalmente veio ao Brasil para apresentar seu trabalho autoral. Em uma apresentação única em São Paulo, na Audio, na terça-feira (12), com produção da 30e, o músico trouxe ao Brasil a turnê de seu quarto e mais recente disco de estúdio, I Want Blood (2024).
Conhecido pelo aclamado trabalho com o Alice in Chains, uma das bandas mais icônicas da cena grunge de Seattle, Cantrell consolidou seu nome na história da música. Junto com o saudoso vocalista Layne Staley, ele deu voz a um som melancólico e introspectivo, mas acessível e potente. O Alice in Chains alcançou relevância global com álbuns clássicos como Facelift (1990) e Dirt (1992), que revelaram a perfeita combinação das vozes de Cantrell e Staley, tornando a musicalidade da banda inconfundível. Com a banda em hiato no fim dos anos 90, Cantrell deu início à sua carreira solo com o excelente Boggy Depot (1998), contando na turnê com outros membros do Alice in Chains, Mike Inez (baixo) e Sean Kinney (bateria). Em Degradation Trip (2002), seu segundo álbum, ele explorou elementos de stoner e doom metal, enriquecendo sua sonoridade solo e dando mais identidade ao seu som. Com a morte de Staley e o retorno do Alice in Chains em 2007, Cantrell deu uma pausa no projeto solo, que só retornou com Brighten (2021), seguido agora por I Want Blood (2024), um disco que conversa mais com o trabalho atual do Alice in Chains, mas que mantém as camadas e o estilo inconfundível de Cantrell, cuja voz parece não envelhecer com o tempo.
Nota: Infelizmente, devido a questões logísticas e pessoais, não foi possível acompanhar o show da banda de abertura, E a Terra Nunca Pareceu Tão Distante. A resenha se inicia a partir da apresentação de Jerry Cantrell.
Às 21h, Jerry Cantrell e sua banda de apoio subiram ao palco, abrindo com a hipnótica “Psychotic Break” do álbum Degradation Trip (2002). A cada nota tocada, eram ovacionados pelo público, ansioso pela vinda do músico ao Brasil. Para saciar a sede dos fãs por material do Alice in Chains, banda que não vem ao Brasil desde 2018, Cantrell mandou sem cerimônia a clássica “Them Bones”, do Dirt (1992), levantando a Audio com todos cantando a plenos pulmões. O show seguiu com “Vilified” e “Off The Rails”, do mais recente I Want Blood (2024), e “Atone”, de Brighten (2021), momento em que Cantrell agradeceu com um singelo “Thank you, São Paulo”. Quando os primeiros acordes de “Angel Eyes” soaram, o público explodiu em energia, cantando o refrão junto. A faixa, que tem uma vibe de “som de estrada”, é uma das melhores de sua carreira solo e encantou os presentes.
Em seguida, “Siren Song” e a maravilhosa “Had to Know”, ambas de Brighten (2021), mantiveram o público imerso na performance impecável da banda e no som cristalino da Audio. Cantrell voltou ao novo disco com “Afterglow” e a faixa-título I Want Blood, mantendo o público cativado. Depois, trouxe um dos maiores clássicos do Alice in Chains, “Man in the Box”, do Facelift (1990), momento em que o público tomou o controle do refrão, cantando tão alto que em certos momentos Jerry não precisou cantar. O show seguiu com “Cut You In”, do Boggy Depot (1998), uma das mais celebradas de sua carreira solo. Ainda do Boggy Depot, após problemas na guitarra, Cantrell iniciou por três vezes “My Song”, provocando risos e expectativas até conseguir acertar o som. Ele brincou com o público dizendo que agora estava “soando melhor” e seguiu em mais um momento de deleite musical.
Após “Held Your Tongue”, Cantrell trouxe mais um clássico absoluto do Alice in Chains, “Would?”, do Dirt (1992), recebida calorosamente e cantada do começo ao fim pelo público. A primeira parte do set foi encerrada com a sombria “It Comes”, de I Want Blood (2024).
No bis, Cantrell tocou a faixa-título de Brighten, e fechou a apresentação com dois clássicos inesquecíveis do Alice in Chains: “Sea of Sorrow”, do Facelift (1990), tocada pela primeira vez no Brasil, e “Rooster”, do Dirt (1992). Ao final, prometeu voltar em breve e distribuiu palhetas ao público, deixando lembranças de uma noite espetacular.
Em sua primeira turnê solo no Brasil, Jerry Cantrell ficou claramente impressionado com o público brasileiro e com o carinho demonstrado por seu trabalho. Quem estava lá presenciou um show para ficar na memória, com uma mistura de nostalgia e intensidade que os fãs certamente esperam reviver — seja com seu projeto solo ou com o Alice in Chains.
Setlist:
Psychotic Break
Them Bones (Alice In Chains)
Vilified
Off the Rails
Atone
Angel Eyes
Siren Song
Had to Know
Afterglow
I Want Blood
Man in the Box (Alice In Chains)
Cut You In
My Song
Held Your Tongue
Would? (Alice In Chains)
It Comes
Brighten
Sea of Sorrow (Alice In Chains)
Rooster (Alice In Chains)













