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Joe Satriani – “Shapeshifting” (2020)

Joe Satriani “Shapeshifting” (2020)
Sony Music
#InstrumentalRock#Rock

Para fãs de Steve VaiEric Johnson

Nota: 10

A pergunta que Joe Satriani mais deve ter ouvido na vida foi “como você escolhe o título de uma música instrumental”? No passado, os compositores clássicos se abstinham de escolher um nome para suas obras e várias eram batizadas simplesmente de “Sonatas número 2”, “Allegro 24” etc. Pois “Shapeshifting”, o 17º álbum de Satriani, um dos maiores nomes da história da guitarra, já causa pela escolha do nome, algo que remete a mudança de forma, um movimento constante. As variações encontradas ao longo do tracklist podem justificar a escolha, uma vez que são encontradas diversas influências desde blues, jazz e surf music.

No começo, “Big Distortion” tem um título que fala por si. Afinal, uma música com aquele drive característico fez jus ao seu nome de batismo. “All For Love” com sua linha de guitarra aguda e suplicante parece ser uma declaração de amor, por que não? Já “Nineteen Eighty” poderia justificar sua nomenclatura alegando ter a alma dos anos 80, quem sabe… No final, são 13 músicas que mantém o nível alto, mostrando que Satriani e suas guitarras ainda têm muito o que falar.

Outro destaque fica com “Ali Farka, Dick Dale, na Alien and Me”. O incrível título parece ser uma combinação de influências do passado, mas o resultado pareceu algo no estilo Carlos Santana, com bateria meio latina e até um timbre ou outro de rock organ característico do guitarrista mexicano. Mesmo sendo instrumental, a impressão é que você conseguiria cantar junto com alguns riffs, já que Satriani não usa a técnica só por usar, mas dá respiros às suas melodias (ouça “Perfect Dust”), o que contribui para um resultado que aproxima mais o músico de seu público.

“Shapeshifting” já pode ser colocado no hall dos grandes discos de Satriani, e ao lado de “Shockwave Supernova”, fica entre os mais criativos e divertidos de suas composições recentes. Para onde Satriani vai a partir de agora, depende dos rumos que essa “trocação de forma” seguir, mas o que não muda nunca é a capacidade de produzir timbres e melodias incríveis. Ainda bem.

Gustavo Maiato

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