
Johnny Cash: Uma lenda em nosso tempo.
Por Márllon Matos
No dia 12 de setembro de 2003, um dos maiores menestréis do campo mais rockstar que existiu, o magistral Johnny Cash, deixou este plano e, com isso, a música ficou sem um de seus principais representantes.
Ácido quando lhe batia na telha, romântico na melhor e mais pura definição do termo e um provocador nato, Cash sempre andou lado a lado com o rock seja vivendo o ‘rock ‘n roll way of life’ até onde podia ou convivendo com aqueles que deram a contribuição para a “gênese” do estilo.
Dentre a sua extensa discografia não foram poucas vezes que Johnny prestou tributo a nomes do estilo, sejam contemporâneos seus ou de uma geração mais avançada. The Beatles, Elvis Presley, Creedence Clearwater Revival, Soundgarden, Danzig são apenas alguns dos nomes que tiveram suas obras revisitadas pelo cantor de voz sepulcral em versões dotadas de particularidade tão intensa que, em certos casos, é como se a música fosse do próprio Cash e não de seu autor original. Trent Reznor (Nine Inch Nails) comentou sobre a visceral versão que Johnny fez para “Hurt” e disse que a música não lhe pertencia mais, e sim a Cash.

Mas o caminho inverso também foi trilhado e o homem de preto recebeu diversas homenagens vindas de bandas mais fiéis a sua sonoridade até mesmo nomes do metal extremo. E é sobre algumas dessas versões que falaremos aqui nessa matéria especial.
Uma das mais especiais versões foi feita pela banda americana de punk/hardcore chamada One Bad Pig no ano de 1991, que ao lado do próprio Johnny Cash desconstruíram a clássica “Man In Black”:
Outro nome do punk a revisitar o cancioneiro de Cash foi a Social Distortion que em seu álbum auto intitulado lançado em 1990 trouxe uma energética versão para um dos principais singles de nosso querido fora da lei. Recentemente a música fez parte da trilha sonora do reboot cinematográfico da franquia Power Rangers.
Ainda no cenário punk, o grupo Blitzkid transformou a romântica e doce “I Walk The Line” em trilha sonora para mosh e pogo.
Não é todo dia que ‘Deus’ presta tributo a um ‘mortal’, certo? Junto com seus companheiros do The HeadCat, Lemmy Kilmister (Motörhead) fez algo mais ‘roots’ com “Big River” que cativa, também, pela simplicidade similar ao da original.
Os canadenses do Panzerfaust fazem questão de lembrar que Cash também é reverenciado entre os amantes de um som mais extremo. A sua claustrofóbica e agonizante versão de “God’s Gonna Cut You Down” elevou o peso catastrófico da versão original a um patamar único.
O Master, em 2003, turbinou “Ring Of Fire” com doses de Punk, Thrash e Death Metal. Nada melhor que um country ‘malvadão’ para fechar um álbum nomeado “The Spirit Of The West”, certo?
Para fechar essa retrospectiva retornaremos a “Man In Black”, desta vez numa versão mais próxima a original e que foi feita pela banda americana de Thrash Metal, Overkill, e que está presente em um box set da banda e, também, em um split single com os alemães do Kreator.
Todo artista, quando parte deste mundo, tem a sua obra perpetuada geração após geração e claro que não seria diferente com alguém do quilate e importância de Johnny Cash. A maior prova de sua relevância está no fato de que em qualquer vertente ou estilo, há alguém prestando um tributo. Citamos apenas uma parcela dos já registrados e é certeza de que muitos outros virão por ai.
Obrigado por tudo Mr. John R. Cash!





