Journey – “Freedom” (2022)

JOURNEY
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Journey“Freedom” (2022)
Frontiers Music
#MelodicRock, #AOR, #MelodicHardRock

Para fãs de: Survivor, Toto, Lionville, Boston, Foreigner

 

Nota: 8,0

Em se tratando de uma banda icônica como o Journey não há necessidade de absolutamente nenhuma apresentação já que sua história, catálogo e representatividade, além de estarem gravados no imaginário coletivo de todos, desafiam qualquer tipo de gênero e idade.

Depois da introdução ao Hall da Fama do Rock and Roll em 2018, vinte cinco álbuns de ouro/platina e mais de oitenta milhões de álbuns vendidos no mundo, a banda ressurge pós-pandemia e após um hiato de onze anos. “Freedom” (título que seria utilizado em “Raised On Radio”), décimo quinto álbum de estúdio, traz uma nova formação: Arnel Pineda (vocais), Neal Schon (guitarras, vocais de apoio e teclados), Jonathan Cain (teclados e vocais de apoio), Randy Jackson (baixo e vocais de apoio) e Narada Michael Walden (bateria). São quinze faixas em mais de setenta minutos trazendo música de alta qualidade e respeita um poderoso legado.

Seguindo o pensamento de que quem vive reescrevendo seu passado perde seu brilho ao longo do tempo, a banda lança um álbum ousado, diversificado e, até certo ponto, desafiador, mas ainda com aquele certo sentimento familiar de outrora.

É preciso citar a produção/mixagem. Poderia ser diferente? Poderia. Ainda mais contando com Bob Clearmountain. Um produtor externo também poderia conter ocasionais excessos e devaneios. Mas por outro lado a opção de gravar remotamente pode ter afetado o produto final de alguma forma ou pode até ser uma opção da banda querer que o álbum soe assim. O importante é ter ciência dessa questão para que isso não afete a audição e o ouvinte possa aproveitar músicas e performances soberbas, mesmo não tendo todo o impacto que poderia ter.

A guitarra domina “Freedom”. Alias o que é o Neal Schon? Um mestre nesse ofício. Um dos melhores do mundo, mas infelizmente subestimado. A capacidade que ele tem de tecer uma tapeçaria de melodias memoráveis e criar momentos que são praticamente músicas dentro das músicas é impressionante. Além dele o álbum também é dominado pelos vocais sublimes de Arnel Pineda (tudo bem, ele não é Steve Perry, mas ninguém é além do próprio), os teclados empolgantes de Jonathan Cain e o groove de uma cozinha muito acima da média.

O álbum grita “Journey” em cada harmonia vocal que povoa suas músicas. Seja na abertura emocionalmente melódica de “Together We Run”, na familiaridade da majestosa “Don’t Give Up On Us” com seus ecos de “Separate Ways” e “Message Of Love”, no intimismo e melancolia da exuberante “Still Believe In Love” que é uma monstruosa balada AOR, na solitária e quase etérea “After Glow” (com Deen Castronovo nos vocais), no groove a la Dan Reed Network de “The Way We Used To Be” ou na efervescência de “You Got The Best Of Me” que como disse Neal Schon: “Eu queria uma versão meio punk de “Any Way You Want It” e isso veio a mim como “Wheel In The Sky” fez anos atrás. Surgiu do nada”.

Inevitavelmente os melhores momentos lembram as glórias do passado. Mas estamos tratando com a realeza musical, então se você alguma vez amou o Journey ou ainda o ama, esse álbum, que possui diversidade necessária para unir passado, presente e o futuro da banda, é para você.

Costumeiramente o Journey carrega o peso enorme de ser o Journey, mas ele sempre demonstra o porquê ele é muito mais do que apenas o Journey.

E aqui novamente isso é demonstrado. Surpreendente!

João Paulo Gomes

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