
Judas Priest – “Metal Works ’73-‘93” (1993)
Columbia
#HeavyMetal
Para fãs de: Iron Maiden, Black Sabbath, Motörhead
Nota: 10
O ano de 1993 marcou o vigésimo aniversário do Judas Priest. Com Rob Halford fora, a solução para comemorar a data foi o lançamento desta coletânea, que seria como outra qualquer não fosse o fato de os próprios integrantes da banda terem selecionado o repertório. Por conta disso, e dado o fato de que o CD duplo conta com nada menos que 32 músicas, “Metal Works ’73-‘93” acaba fugindo do conceito de “best of”. Aqui, a coisa vai muito além dos maiores sucessos. É claro que “Breaking the Law”, “You’ve Got Another Thing Comin’” e “Painkiller” marcam presença, mas é em faixas como “Dissident Aggressor”, “Sinner” e “The Rage” que vem a certeza de que estamos diante de algo diferenciado.
No encarte, os comentários de Halford, Glenn Tipton, K.K. Downing e Ian Hill dão um show à parte. Lemos coisas como “HQs da Marvel ganham vida em forma de heavy metal!” (Rob sobre “Metal Gods”) ou “Essa é meio que a nossa ‘Stairway to Heaven’.” (sobre “Beyond the Realms of Death”), além de informações inéditas até então, como “Ram It Down” ter sido originalmente escrita para o álbum “Turbo” (1986) e “Living After Midnight” ter sido batizada após uma noite de insônia criativa. Sobre “Heading Out to the Highway”, exemplo definitivo da fase mais comercial do Priest, Tipton tem um ponto: “Nunca na história da banda houve tantas mulheres na plateia como naquela época!”.
Embalando tudo isso, uma das artes mais bonitas dentre todas feitas por Mark Wilkinson para a banda. Nela você consegue identificar elementos que remetem a todos os álbuns contemplados — apenas “Rocka Rolla” (1974) e “Sad Wings of Destiny” (1975) não comparecem com nenhuma faixa, apesar de “Victim of Changes” dar as caras por aqui na arrasadora versão ao vivo de “Unleashed in the East” (1979) —, do Hellion, a águia-robô da capa de “Screaming for Vengeance” (1982) à cabeça metálica de “Stained Class” (1978) que corre o risco de passar despercebida mesmo àqueles que têm olhos de lince.
Muitas outras coletâneas vieram depois — inclusive “Metalogy”, que talvez seja o item mais visualmente chamativo já lançado pelo Judas —, mas no geral “Metal Works ’73-‘93” permanece imbatível. Se quiser conhecer a banda sem ser pelos álbuns clássicos, ouça isso aqui que não tem erro.
Marcelo Vieira