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Judas Priest – “Sin After Sin” (1977)

Judas Priest – “Sin After Sin” (1977)
Columbia Records
#HeavyMetal

Para fãs de: Iron MaidenMotörheadUFO

Nota: 9,0

Após sua saída do Deep Purple em 1973, o baixista Roger Glover se aventurou em uma carreira solo que também lhe possibilitou entrar de cabeça na produção de discos. Quando a CBS Records sugeriu que Glover trabalhasse com o recém-contratado Judas Priest, ele já tinha três álbuns do Nazareth em seu currículo – “Razamanaz”, “Loud ‘N’ Proud” (1973) e “Rampant” (1974) – e acabara de produzir “Calling Card” (1976), do lendário guitarrista Rory Gallagher (1948-1995). Depois de um começo nada promissor – que incluiu Glover, cansado de ter suas sugestões negadas pelo Priest, abandonando o barco por duas semanas –, banda e produtor chegaram a um consenso para fazer a coisa funcionar.

A primeira providência tomada foi encontrar um baterista, e na figura de Simon Philips, então com dezenove anos, encontraram um sujeito cujos diferenciais – Philips era versado em jazz e outros estilos musicais – lhe renderam um convite para juntar-se ao grupo em tempo integral, que ele, educadamente, recusou. Resolvida por ora a questão da bateria, o restante fluiu bonito e intenso no decorrer de um mês e meio nos Ramport Studios, mais conhecido como o estúdio do The Who, em Londres.

Em 8 de abril de 1977, “Sin After Sin” – o título, extraído de uma frase da letra de “Genocide”, pedrada lançada em “Sad Wings of Destiny” (1976), visa a dialogar com a faixa de abertura, “Sinner” – chegaria às lojas trazendo 40 minutos de heavy metal pontuados por duas baladas (“Last Rose of Summer” e “Here Come the Tears”) e um cover que não só se tornou um destaque no repertório ao vivo, como também serviu de passaporte para o disco entrar nas paradas britânicas, um feito inédito para a banda até então. A ideia de regravar “Diamonds and Rust”, da cantora folk Joan Baez, partiu de Glover. Era como se ele tivesse vindo do futuro e visto que passadas mais de quatro décadas, a música continuaria sendo um dos pontos altos dos shows do grupo.

“A verdadeira liberdade de expressão que eu exijo são os direitos humanos”, canta Rob Halford em “Raw Deal”, dando uma pista a respeito de sua homossexualidade. “O segredo mais mal guardado do rock”, segundo o guitarrista K.K. Downing em sua autobiografia “Heavy Duty”, de 2018, só viria à tona em 1998, mas mesmo nos anos 70 os sinais estavam lá para quem quisesse ou tivesse a sensibilidade de ver. Já “Dissident Aggressor”, posteriormente gravada pelo Slayer, é sobre o Muro de Berlim: “Grand Canyons espaço-temporais, minha mente está sujeita a tudo”, diz a letra, uma fria análise das diferenças entre o Ocidente e o Oriente no auge da Guerra Fria.

A vigésima terceira posição no Reino Unido e um curioso 49º lugar na Suécia mostrou que o trabalho duro estava começando a valer a pena. Depois de algumas datas abrindo para o Status Quo em casa, o Judas Priest, agora com o batera Les Binks a bordo – outra ideia de Glover para a conta –, estava pronto para conquistar a América. Mas o ingresso nas paradas norte-americanas teria de aguardar até o próximo disco, “Stained Class”, em 1978.

Marcelo Vieira

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