Kamelot – “The Shadow Theory” (2018)
Napalm Records | Hellion Records Brazil
#SymphonicMetal, #ProgressiveMetal
Para fãs de Seventh Wonder, Blind Guardian, Avantasia
Nota: 8,5
No mundo dos trabalhos acadêmicos, o “plágio conceitual” caracteriza-se pela “cópia da essência criadora sob veste ou forma diferente”. Ou seja, quando um autor se utiliza das exatas mesmas ideias de outro autor, apenas alterando a maneira de dizer a mesma coisa.
Infelizmente não é incomum bandas cometerem um autoplágio conceitual (às vezes involuntário) ao longo de sua discografia, principalmente quando é descoberta uma ótima fórmula do sucesso. Em Silverthorn (2012), o Kamelot descobriu essa fórmula perfeita aliando o performático vocal de Tommy Karevik aos vocais femininos e guturais. Por outro lado, solos e riffs de teclado e guitarra se aliaram a uma certa estética épica com bateria pulsante.
“Haven” (2015) surfou essa mesma onda, e agora com “The Shadow Theory” a sensação de sobra de estúdio é gritante. Para sorte de todos, o resultado não é ruim, grandes músicas emergem do mar de mesmice como “Verpertine (My Crimson Bride)” e “Phantom Divine (Shadow Empire)”, essa seguindo a mesma linha de “Sacrimony (Angel of Afterlife)”, do Silverthorn. Outra que merece atenção é “Ravenlight”, que é mais cadenciada e perfeita para os fãs pularem junto com a banda nos shows.
Se alguém analisar “The Shadow Theory” sem esse viés histórico, com certeza os elogios serão muito maiores do que as críticas. Mas para um ouvinte “cascudo”, o que mais empolga é o que sai do “padrão Kamelot”. Como por exemplo em “The Proud and the Broken”, que é mais progressiva, com partes lentas apenas no piano, outras partes com gutural e blast beat e muitos solos de teclado e guitarra.
Um destaque do disco é esse intenso diálogo entre a guitarra de Thomas Youngblood com os teclados multitimbre de Oliver Palotai. As participações especiais não são tão famosas quanto nos discos anteriores, mas Lauren Heart e Jennifer Haben contribuíram bem para o resultado. A primeira, adicionando vocais guturais em “Phantom Divine” e “MindFall Remedy” e a segunda, emprestando sua doce voz em “In Twilight Hours”.
Por final, o grande problema de “The Shadow Theory” é justamente essa danosa vontade de exaurir fórmulas já consagradas. Dessa vez, a receita não chegou a desandar, mas não é assim que grandes clássicos vão nascer. É preciso novos ingredientes com urgência. Mas é preciso dar crédito à banda. Afinal, o Kamelot já provou diversas vezes que não precisa ficar se auto plagiando para alcançar o sucesso.
Gustavo Maiato
