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Kampfar – Manifesto Bar, São Paulo/SP (31/05/2026)

Kampfar – Manifesto Bar, São Paulo/SP (31/05/2026)

Produção: Manifesto Bar | Talent Nation
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Pela primeira vez, finalmente, o Kampfar veio ao Brasil! Uma das bandas da cena Black Metal norueguesa noventista mais improváveis de, um dia, tocar em nosso país pisou em solo brasileiro no último domingo (31), com data única em São Paulo. Com produção local do Manifesto Bar e Talent Nation, o evento contou com a banda Kocytus como atração de abertura.

Com a casa abrindo às 19h, o Kocytus iniciou sua apresentação às 20h20. A escolha da banda foi um tanto controversa, pois, além de ser relativamente nova e desconhecida da esmagadora maioria do público, sua musicalidade não dialogava muito com a atração principal. Misturando isso com a expectativa dos presentes, acabou que não funcionou muito bem. E ainda, infelizmente, a banda teve um problema técnico na guitarra, que comprometeu um terço de sua apresentação. Porém, seguiram tocando normalmente, sem se deixar abater com o ocorrido.

Realizando um set de 35 minutos, o som da banda mistura muitas influências, porém, por vezes, as composições soavam meio desconexas. Entendo que sejam uma banda relativamente nova, porém a sensação que ficou foi a de que deram um passo maior que a perna ao assumir a bronca de abrir o show de uma banda renomada, com seu próprio som não fazendo muito sentido no todo do evento. Desejo a todos eles um amadurecimento musical e que, com isso, encontrem sua identidade, pois o que foi apresentado, infelizmente, deixou a desejar.

PS.: Eu precisava mencionar esse fato. A banda passando por problemas técnicos no palco, e um conhecido tiktoker/influencer fazendo palhaçadas no meio do público, com celular no chão gravando conteúdo, o que, além de constrangedor, acabou somando com a dificuldade técnica que a banda estava enfrentando, com parte do público inconformada com tamanha falta de respeito desse indivíduo. Nada contra produzir conteúdo, mas um MÍNIMO de bom senso se fazia necessário no momento.

E enfim, às 21h30, finalmente, iniciando seu show sem dó com uma dobradinha das poderosas “Feigdarvarsel” (“Heimgang”, 2008) e “Ravenheart” (“Kvass”, 2006), além de “Skogens Dyp”, do já citado “Heimgang”, o Kampfar entrou no palco focando em sua fase mais viking da primeira década dos anos 2000, entre vários punhos pro alto, com um som excelente e a banda agitando incessantemente.

Na contramão de vários de seus conterrâneos, que têm apresentações e vestimentas mais carregadas, o Kampfar apresenta um visual mais simples, e seus músicos demonstravam total satisfação e entrosamento, deixando apenas a música falar por eles. Tirando um breve momento para respirar e celebrando a aguardada oportunidade de tocar por aqui depois de 30 anos, o vocalista Dolk, mentor da banda, anunciou “Ophidian” (“Ofidians Manifest”, 2019), uma das músicas mais aclamadas da noite, seguida por “Trolldomspakt” (“Mare”, 2011), clássico da banda e uma das melhores de sua carreira, trazendo uma performance avassaladora e hipnótica.

Seu último disco de estúdio, “Til Klovers Takt” (2022), contou com a execução de “Dødens Aperitiff” e a descomunal “Urkraft”. Mas, entre elas, a banda realizou mais um sonho de muitos: a destruidora “Mylder” (“Djevelmakt”, 2014), uma das mais conhecidas, com seu riff inicial impiedosamente pesado, refletido no público, que batia cabeça e agitava ao som de um clássico da banda.

E, por falar em clássico, a sequência foi uma volta no tempo ao final dos anos 90, com uma dobradinha do segundo disco da banda, “Fra Underverdenen” (1999), com “I Ondskapens Kunst” e a eterna “Norse”, um dos maiores hinos do grupo norueguês, que reflete a aura do tempo em que os escandinavos reinavam no estilo. E, finalizando a primeira parte do set, mais uma que fez a festa do público: a poderosa “Tornekratt” (“Profan”, 2015), disco esse que, inclusive, ganhou prêmio equivalente ao Grammy norueguês e ajudou a projetar a banda para maiores audiências. Essa música, além do clipe ser sensacional, ao vivo foi simplesmente perfeita.

Após uma breve saída do palco, a banda retornou e voltou aos seus primórdios, mais especificamente ao primeiro disco, “Mellom Skogkledde Aasser” (1997), tocando “Hymne”, música que, além de ser um clássico absoluto, é um pilar na musicalidade da banda, pois reflete tudo o que o Kampfar buscou trazer em seu som, com a mistura entre o Black Metal escandinavo e elementos folk, algo que a banda desenvolveu muito bem e que, por muito tempo, marcou sua identidade.

E, finalizando com “Det Sorte”, faixa que também encerra o “Ofidians Manifest”, o Kampfar cumpriu sua missão com um show simples e direto de 75 minutos, deixando uma excelente impressão em sua primeira visita ao Brasil.

O Kampfar entrou para o hall das bandas “quem viu, viu”. Mais de 30 anos de espera foram coroados com um show excelente, que passou por todos os seus álbuns de estúdio, proporcionando uma sensação de experiência completa por sua história.

Em um domingo frio, marcado pela presença de quem realmente admira e abraça o Black Metal, essa noite ficará na memória de todos que presenciaram essa aula de música extrema.

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