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Kanonenfieber – Carioca Club, São Paulo/SP (07/12/2025)

Kanonenfieber – Carioca Club, São Paulo/SP (07/12/2025)

Produção: Overload
Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia
Texto e fotos por: Matheus “Mu” Silva

Pela primeira vez em nosso país, a máquina de guerra alemã Kanonenfieber finalmente trouxe seu arsenal bélico para o Brasil. Com show único por aqui, e tendo produção da Overload, a vinda da banda foi uma das maiores surpresas de 2025, sendo mais uma aposta da produtora, que esse ano prezou por trazer vários nomes inéditos para cá. Formada em 2020, a banda segue em plena ascensão no mundo metálico, com seu Blackened Death Metal tematizado pela Primeira Guerra Mundial, tanto na estética quanto nas composições, tudo orquestrado pela mente de seu líder, Noise, vocalista e multiinstrumentista que compõe tudo, mas recrutou ótimos músicos para dar vida ao seu projeto ao vivo.

Já desde que a casa abriu, ecoavam sons de discursos de guerra, mergulhando o Carioca Club em um clima denso. Com o palco cheio de sacos, como se fosse uma trincheira, a sensação era que um ataque estava por vir. E às 20h, com o guitarrista Kreuzer tocando sozinho a introdução “Grossmachtfantasie”, logo a banda entrou no palco com o pé na porta com “Menschenmühle”, com seu refrão glorificando a Alemanha e sendo cantado em uníssono, mostrando o impacto que sua música teve no público, seguida por “Sturmtrupp”, ambas do mais recente “Die Urkatastrophe” (2024). Aqui, Noise, incorporando toda a frieza de um general alemão, comandava o show da banda com maestria.

A banda não se limita a apenas usar roupas que remetem aos eventos da Primeira Guerra Mundial, mas também a realizar toda uma encenação no palco, algo que agrega uma imersão ainda maior, e é um dos maiores trunfos das apresentações da banda. Em “Der Fusilier I” (“Der Fusilier”, EP, 2022), por exemplo, com a música retratando o frio do inverno na guerra, os músicos tentavam se aquecer durante a execução da música, como reflexo da letra, que retrata o terror passado por combatentes da época.

“Grabenlieder” (“Menschenmühle”, 2021) trouxe uma execução avassaladora, e com a banda incitando o público a abrir roda de mosh, que se abriu no meio da casa e a violência tomou conta, em reflexo à intensidade brutal da mesma. A música ainda teve Noise desfalecendo no palco ao final, deixando suas últimas palavras antes da morte durante um combate, algo que deu um tom ainda mais melancólico durante a apresentação.

Voltando para o lado mais imersivo, a música seguinte, “Die Maulwurf” (“Die Urkatastrophe”, 2024), fala sobre as “toupeiras”, soldados que cavavam os túneis, e que eram afetados pelo medo e pela paranóia da morte debaixo da terra. Com Noise segurando uma pá e uma lanterna, a banda simplesmente destruiu tudo ao vivo com essa música, sendo um dos melhores momentos do show, com seu refrão cantado em coro tanto pela banda quanto pelo público, em um senso de união, assim como os soldados da época tinham que ter, para não entrarem em parafuso mental com a morte iminente.

Seguindo com algumas de suas músicas mais brutais, como a absolutamente descomunal e pesada “Panzerhenker” (“Die Urkatastrophe”, 2024), “Kampf und Sturm” e “Die Havarie”, ambas do EP “U-Bootsmann” (2023), entre elas, teve a execução de seu mais recente single, “Z-Vor!”, com sua cadência intensa ditada pelo incrível baterista Hans. O baixista Gunnar fez sinal de mosh para o público, que foi prontamente respondido. “Die Feuertaufe” (“Menschenmühle”, 2021) e a poderosa “Waffenbrüder” (“Die Urkatastrophe”, 2024) finalizaram a primeira parte do set, com um clima de camaradagem entre os músicos, que se abraçaram, em sinal de uma vitória naquele momento.

Retornando ao palco para o bis, Noise, com a já característica máscara de caveira, que ilustra todas as artes da banda, finalizou o show com “Ausbluntungsschlacht” (“Die Urkatastrophe”, 2024), outro momento incrível da apresentação. Durante a música, Noise “executou” os outros membros e também apontou para diversas pessoas no público, para que tivessem o mesmo fim dos músicos, algo que divertiu e ainda trouxe mais interação, já que a banda entrou e saiu do palco, sem falar uma palavra sequer com o público. E um a um, foram saindo de cena, sendo ovacionados por todos, até seu líder deixar o palco, encerrando a apresentação de 85 minutos da banda.

O Kanonenfieber vem se firmando como um dos nomes mais interessantes que surgiram pós-pandemia. Noise não é só um personagem, é uma força da natureza. Sua capacidade criativa, tanto pelo lado musical quanto pelo lado teatral, dá vida a uma banda que faz um show ímpar para os dias de hoje. Tudo se completa, faz sentido, e quem estava presente viu um verdadeiro espetáculo de música extrema, aliada aos horrores da guerra que usam de pano de fundo. Sem sombra de dúvida, um dos melhores shows de 2025.

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