Khorium – “A Pleno Pulmões” (2023)
Independente
#Hardcore #Crossover #RapCore #PostHardcore #PunkRockMetal
Para fãs de: Body Count, Biohazard, Stuck Mojo, Rage Against the Machine, Planet Hemp, Inocentes, Raimundos
Nota: 8,0
Se vocês procurarem na pesquisa aqui do Metal Na Lata vão se deparar com todos os lançamentos dos cariocas do Khorium resenhados, todos por diferentes redatores e todos muito bem elogiados. Sempre primamos pela honestidade e respeito, e se um dia algo que nos é enviado não seja tão bom quanto sabemos que a banda consegue dar, com certeza daremos nossa crítica construtiva.
Pois bem, o Khorium não é essa banda que vai levar um “esculacho”, pelo contrário, nos brindou com mais um grande lançamento com “A Pleno Pulmões”, quarto trabalho do trio contando com o EP de estreia de 2018.
Para quem não sabe, a banda tem uma sonoridade peculiar que nos remete muito às bandas como Body Count, Dog Eat Dog e Stuck Moko, com o nosso Inocentes (Punk Rock), por exemplo, pois eles inserem uma dose nada modesta de ritmos rapeados e melodias vocais com atitude. Um bom exemplo disso é a pesadona “A Miséria Útil De Cada Dia” e a bem Punk Rock/Hardcore “Imunidade Tributária”.
Peso e agressividade na medida certa (nada brutal, mas pesado), levadas ‘rapeadas’, mensagens políticas, e uma mensagem politizada de revolta (com razão) bem explícita. Independente de lados ou cores partidárias, o Brasil precisa de políticos que pensam e trabalham pelo povo, o que não temos há décadas, e como não temos isso, a revolta e indignação não poderão jamais serem caladas. Enfim, não misturamos política no Metal Na Lata, e assim sempre será, apenas respeitamos a arte e sabemos quando as mensagens valem a pena serem escutadas, o que é o caso da Khorium.
Produção e mixagem simples, porém honestas, fazem com que a audição do disco seja prazerosa por conta do ‘groove’ que a banda impõe em suas melodias, aí que entra o Rap. Com letras em português, temos uma avalanche de bom gosto. Uma coisa que notei, e que não chega a ser um ponto negativo, é a diferença de algumas mixagens entre as músicas. Por exemplo, ao ouvir “Monopólio Da Violência” e depois a robusta “A Miséria Útil De Cada Dia”, sentimos uma diferença principalmente nas guitarras, o que já muda novamente para algo não tão agressivo e cru na timbragem na excelente e bem rap – “Garrafa, Pano, Diesel, Gasolina”.
Não atrapalha, claro, pois as composições ajudam demais, já que são bem criativas, mas para alguns ouvintes mais chatos pode ser algo que jogue contra. A mim não, então, está valendo (risos).
Voltando a excelente “Imunidade Tributária”, ela consegue unir o Punk Rock, Hardcore numa espécie de Inocentes, Ratos de Porão, The Exploited com Discharge, e isso fica bem evidente por conter a participação mais que especial de quem? Ele mesmo, Clemente Nascimento, vocalista do Inocentes (risos). Uma das melhores no quesito porradaria!
O lado Rap vem fortíssimo em “Indignação Seletiva”, onde o metal aqui entra somente um pouco na parte dos refrões, o que ao meu ver poderia ter sido melhor trabalhada para dar mais pesado, já que estamos falando de uma banda de metal.
O interlúdio “Sentindo Saudades do Céu” eu jurava que seria uma balada, mas me enganei, mesmo sendo curtíssima. Instrumental pesadão que poderia ter se tornado numa cacetada se fosse transformada numa música completa. Já a seguinte, “Alma Sebosa”, tem uma introdução em discurso engraçado, e é uma das mais rápida do álbum, trazendo vocais mais ‘ogros’ e ‘gritados’, com uma sonoridade que me lembrou coisas do Slayer no álbum “Repentless”. Não vai mudar o mundo, mas quem liga? É excelente!
“Vida Maria (Pts 1 e 2) foi uma grata surpresa, pois sua introdução dedilhada em viola caipira, com triângulo e levada tipicamente forró, daqueles arrasta pé mesmo, lembrando muito o Raimundos do primeiro álbum, mas ao mesmo tempo original. Um dos destaques primordiais do álbum, sem dúvidas. Seguindo temos outro interlúdio chamado “Ao Alcance do Tempo”, com violão e violino muito bonito.
O lado Rap, meio De La Tierra com Biohazard em “Al Sur De La Frontera”, é daqueles que fará os bangers se sentirem ‘raps ganstas canastrões’ latinos (risos) batendo o pescoço como um pombo (risos). Excelente! Adoro essas misturas!
Finalizando temos “Na Outra Margem Do Rio”, que é bem radiofônica, meio alternativa e com toques indie, as vezes meio perdida, não atrapalha, mas não me chamou a atenção. Talvez se invertessem a ordem com a anterior, seria mais bacana para os ouvintes.
Um ótimo e honestíssimo trabalho, fora do convencional, que espero, sinceramente, que a banda preste mais atenção na produção/mixagem num próximo, deixando-as faixas mais homogêneas, já que varia muito de estilos dentro do seu próprio estilo. Isso não é uma crítica, ok? O disco realmente ótimo!
Johnny Z.