Korzus – Santo Rock Bar, Santo André/SP (07/06/2026)
Produção: TC7 Produções
Assessoria: LP Metal Press
Texto e fotos por: Matheus “Mu” Silva
Vivendo um momento de renovação em sua história e celebrando mais de 40 anos de existência, o Korzus, um dos maiores nomes do Thrash Metal nacional, fez um show em Santo André no último domingo (07), como parte da “Flesh Machine Tour”. Com produção da TC7 Produções, o evento contou com a abertura da banda Carro Bomba.
Iniciando sua apresentação às 19h40, o Carro Bomba trouxe seu Thrash n’ Roll pesado e irreverente para o evento. É a terceira vez que tenho a oportunidade de ver a banda, e é sempre um grande prazer presenciar um show deles, pois sua música é diferente, original e cantada em português, além de todos os músicos entregarem ótimas performances, com destaques especiais para o vocalista Rogério Fernandes, que interage o tempo todo com a plateia, e o baterista Roby Pontes, com seus malabarismos e muita técnica.
Fazendo um set de 55 minutos, tocaram ótimas músicas como “Overdrive Rock n’ Roll” e “O Foda-se”, além de faixas já consagradas como “Punhos de Aço” e “Thrash n’ Roll”, muito cantadas pelos presentes, servindo como um ótimo aquecimento para a atração principal.
Às 21h10, o Korzus entrou em cena. Com uma breve introdução relembrando trechos do passado, iniciaram o show com “Guilty Silence”, faixa que, além de abrir o monumental Ties of Blood (2004), também abre os shows da banda praticamente desde o lançamento do disco — e, com os membros se posicionando no palco, a porradaria comeu solta. Seguindo com mais duas músicas muito queridas pelo público, “Raise Your Soul” (Discipline of Hate, 2010) e “Vampiro” (Legion, 2014), a banda resgatou a clássica “Catimba”, presente no disco ao vivo do Monsters of Rock de 1998 e também na coletânea Planet Metal, sendo presença constante nos shows desde então.
Aproveitando para dar uma respirada, o vocalista Marcello Pompeu falou sobre o novo momento que a banda está vivendo, com a entrada dos guitarristas Jean Patton e Jéssica Falchi, destacando o quanto eles vêm somando nessa nova fase. E, de fato, têm agregado muito, pois entendem o momento atual tanto da música quanto do público, por serem mais jovens — e sua entrada foi muito bem-vinda. Na sequência, tocaram o novo single “No Light Within”. Quando a música foi lançada, em um primeiro momento, não me agradou tanto, soando como um emaranhado de riffs, mas ao vivo funcionou muito bem.
E então veio o momento pelo qual eu precisava estar nesse show. Quando eu era mais novo, tive o Mass Illusion (1991) em vinil, e esse disco foi um verdadeiro formador de caráter musical para mim. Quando a banda anunciou um especial desse álbum no Bangers, fiquei muito animado, porém o horário inviabilizou minha presença. Quando a turnê seguiu e vi que mantiveram o repertório, esperei a oportunidade perfeita — e ela chegou.
A introdução de “Agony”, seguida da execução da faixa, abriu uma roda gigantesca no Santo Rock, afinal, esse é o maior clássico do disco, muito por conta do icônico videoclipe em preto e branco. “Victim of Progress” me levou às lágrimas — era um sonho ver essa música ao vivo. Em seguida, veio um medley com mais faixas do Mass Illusion, incluindo a faixa-título, a devastadora “Pay For Your Lies” e as inesperadas “Beyond The Limits of Sanity” e “Unpredictable Disease”. Ou seja, praticamente todo o lado A do vinil, somado à faixa-título — um deleite absoluto para fãs de longa data como eu. Mais do que isso, foi uma renovação muito bem-vinda no setlist, que nos últimos anos vinha um pouco engessado, apoiado nos singles. Só essa sequência já lavou a alma de todos os presentes. Foi transcendental.
Depois de todo esse massacre, a banda seguiu com mais clássicos violentíssimos, como “Discipline of Hate”, “Never Die” e “Truth”, todas do Discipline of Hate (2010), além de “What Are You Looking For” (Ties of Blood, 2004). Em meio a um discurso sobre união no metal, veio a deixa para a eterna “Guerreiros do Metal”, imortalizada no SP Metal II, verdadeiro marco do metal paulista. E, finalizando com uma poderosa versão de “Correria” (Ties of Blood, 2004), a banda entregou um show destruidor de 75 minutos, marcado por grandes clássicos, energia de sobra e a prova definitiva do porquê são uma instituição sagrada do metal brasileiro.
Mais um ótimo show do Korzus, com um setlist realmente matador — algo que eu sentia falta. Até então, o melhor que eu havia visto da banda tinha sido quando tocaram Ties of Blood na íntegra em 2019, na abertura para o show dos Cavalera, mas dessa vez foi ainda mais especial. É uma banda muito importante para mim, e vê-los conquistando cada vez mais o destaque merecido é extremamente gratificante.
Obrigado, Korzus, pelo excelente show de domingo — e por permanecerem fiéis ao que representam. Lutamos pelo Metal!

