Lacrimosa – “Leidenchaft” (2022)
Shinigami Records
#SymphonicGhoticMetal #GothicRock #DarkWave
Para fãs de: Mortiis, Virgin Black, The Awakening, Sopor Aeternus, Onoskelis
Nota: 8,0
É incrível como uma banda com um estilo tão particular como o Lacrimosa, tenha completado 30 anos de carreira e chegando ao 14º álbum de estúdio, algo impensável se você considerar o estilo da banda que incorpora elementos do ghotic rock, industrial, sinfônico e dark wave, e que começou underground dentro de um nicho não tão popular, cantando em alemão, lançando obras sorumbáticas, pomposas e soando até mesmo pretensiosas para o ouvinte leigo.
Um projeto corajoso que saiu da mente de Tillo Wolf e que depois de ter adicionado o talento de sua esposa a bela vocalista/tecladista finlandesa Anne Nurmi alcançou patamares de maestria dentro do estilo Gótico sinfônico que os levaram ao posto de maior nome do estilo.
Trabalhando muito bem sua carreira musical, sempre incorporando novos elementos e trabalhando em ciclos, o fato que é que o Lacrimosa tem uma base de fãs fiéis ao redor do mundo, incluindo o Brasil!
Logo na capa percebemos que o estilo visual foi mantido, apesar de sentir saudades do personagem Arlequim. Eu já havia me encantado com o álbum anterior, o “Testimonium”, que conseguiu equilibrar muito bem as facetas musicais da banda.
“Leidenchaft” foi lançado no final do ano passado, e é um álbum onde não temos aquelas canções gigantescas, como vimos em outros cds do Lacrimosa. Ele é mais enxuto, mas a melancolia está lá, toda a atmosfera dark está preservada, apesar de não enfatizar tanto no lado sinfônico mas buscar uma certa ponte com as raízes do grupo.
O piano é um grande destaque do álbum, responsável por trazer toda a ambientação triste necessária ao trabalho. E não tem como não comentar os vocais da dupla Tillo e Anne, suas interpretações melodramáticas continuam sedutoras e marcantes.
Quem conhece o Lacrimosa sabe que não dá para curtir o trabalho deles, sem realmente praticar uma imersão bem introspectiva, não é um tipo de som para se utilizar de trilha sonora para se escutar executando outras atividades.
Minhas favoritas são: “Kulturasche” cujo andamento é bem marcante com as guitarras pesadas, sendo possível até mesmo banguear, “The Daugther of Coldness” uma balada gótica onde a voz de Anne brilha, uma das que mais se destaca, uma canção criativa com várias passagens agradáveis, nos faz lembrar do título do cd (Paixão traduzido para o português) devido a estas características, “Celebrate the Darkness” um lamento musical característico da banda, com aquelas partes em que a música cresce em drama para voltar a tristeza no trecho seguinte, uma condução parecida com a “Aungenschein”, onde Tillo faz uma interpretação vocal muito inteligente, dando o tom interpretativo que a canção exigia, muito legal essa aqui.
Por fim, temos a “Exodus” que é a minha canção favorita e que encerra de forma perfeita este álbum. Justamente o padrão desta música que queria ter ouvido em todo trabalho durante as 10 músicas presentes, pois quando se lembra do nome Lacrimosa é impossível não lembrar da genialidade e pompa de cds como “Elodia” ou “Inferno”.
Sergio R. Santos

