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Left to Die – Burning House, São Paulo/SP (09/09/2026)

Left to Die – Burning House, São Paulo/SP (09/09/2026)

Produção: Caveira Velha Produções | Open The Road
Assessoria: LP Metal Press

Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Pouco mais de um ano após sua última passagem por aqui, e pela segunda vez em nosso país, o Left to Die retornou ao Brasil. A banda de Death Metal, que celebra o legado oitentista do eterno Death com ex-músicos que fizeram parte daquele período, trouxe ao Brasil a “Scream Bloody More” Tour.

Desta vez, porém, ao contrário da primeira visita, a turnê focou principalmente as regiões Norte e Nordeste do país, tendo seu último show realizado em São Paulo, na quarta-feira (09). Além disso, com produção da Caveira Velha Produções em parceria com a Open The Road, o evento ainda contou com a abertura das bandas nacionais Cemitério e Flageladör.

Iniciando sua apresentação às 19h15, de todas as bandas que eu acredito que poderiam ter sido escolhidas para a data de hoje, o Cemitério teria sido a primeira opção. Uma das bandas mais influenciadas pela fase mais primitiva do Death trouxe para o evento seu Death Metal Old School, carregado de referências a filmes de terror.

Além disso, trata-se de uma das bandas mais consolidadas do gênero e, consequentemente, muito querida pelo público. O fato de cantarem em português sempre foi um elemento-chave de impacto das letras gore sobre seus fãs, que cantaram durante toda a apresentação hinos como “Tara Diabólica”, “Massacre no Texas”, “Holocausto Canibal” e “Natal Sangrento”.

Mesmo com o vocalista Hugo Golon doente, a banda foi capaz de entregar uma apresentação impecável. E, durante o show, um momento cômico aconteceu quando a guitarra do Douglas passou a tocar sozinha ao final de algumas músicas.

Apesar de ser uma falha técnica, a situação acabou divertindo muito mais do que se transformando em um problema. Inclusive, alguns presentes ainda brincaram com a possibilidade de aquilo ser uma manifestação do diabo. Será…?

Realizando o set mais curto da noite, com 30 minutos, o Cemitério entregou um verdadeiro prato cheio para os fãs daquilo que ainda estava por vir.

Às 20h, foi a vez da segunda atração, Flageladör, iniciar seu ataque sonoro. Finalmente, tive a oportunidade de ver a banda ao vivo, um desejo antigo que, felizmente, acabou sendo realizado de maneira muito melhor do que eu poderia esperar.

O show começou com a trinca “Flageladör”, “Perseguir e Exterminar” e “Cruzada ao Lado de Satã”, todas do poderoso disco de estreia da banda, A Noite do Ceifador (2006). O álbum, que neste ano completa 20 anos, foi justamente o motivo para a banda aproveitar a ocasião e tocá-lo na íntegra e em sequência.

Particularmente, gosto demais quando bandas ousam fazer isso, pois sempre existe a oportunidade de presenciar músicas que nunca ou poucas vezes foram tocadas ao vivo. Por isso, a escolha tornou o show ainda mais histórico naquela noite.

Seja por Armando, trajando o clássico capuz da capa de In The Sign of Evil, do Sodom, ou pela atual formação da banda que acompanha o vocalista e guitarrista, simplesmente afiada e perfeita ao vivo, o Flageladör mostrou o porquê de ser um dos nomes mais relevantes do estilo Speed/Heavy Metal.

Assim como o Cemitério, a banda tinha o público na mão, que cantava e batia cabeça incessantemente ao longo dos 55 minutos de seu show destruidor. Além disso, ainda houve espaço para hinos como “Assalto da Motosserra”, “Máxima Voltagem” e “Nas Minhas Veias Correm Fogo”.

Foi, portanto, uma apresentação em que imperaram a velocidade e o peso, mas também a dedicação ao metal em sua essência mais pura.

E, finalmente, às 21h25, o Left to Die subiu ao palco com uma mudança na formação. Por conta de um problema, o baterista Gus Rios precisou ser substituído. A escolha, então, foi ninguém menos que Vinícius Talamonte, baterista da atração anterior, Flageladör, e um dos nomes mais dominantes quando o assunto é metal Old School na atualidade.

Além dele, claro, estavam os membros que representam o Death nessa empreitada. Na guitarra, Rick Rozz, que gravou Leprosy (1988), além de ter integrado o Mantas, banda que antecedeu o Death. No baixo, Terry Butler, creditado na capa de Leprosy.

Entretanto, ao contrário do imaginário popular, Butler não toca no disco, já que quem gravou as linhas de baixo foi Chuck Schuldiner. Terry, por sua vez, gravou o disco seguinte, Spiritual Healing (1990).

Fechando esse timaço, estava Matt Harvey, vocalista e guitarrista do Exhumed e do Gruesome, sendo esta última uma banda altamente influenciada pelo Death em seus primórdios.

Contexto colocado, vamos ao show!

Começando com “Infernal Death” e “Mutilation”, ambas de Scream Bloody Gore (1987), a fidelidade ao que o Death fazia impressiona. Seja pelo peso histórico das figuras presentes no palco ou até mesmo pela proximidade vocal de Harvey com Chuck no período, a sensação que se tinha era de estar vivenciando algo muito próximo do que a banda fazia naquela época.

E vale lembrar que, como registro dessa fase, temos somente o eterno Ultimate Revenge 2, home video que fez muitos headbangers pirarem nos anos 80 e mostrava ao vivo essa fase primitiva e genuína da banda.

Além disso, aproveitando para apresentar Vinícius ao público, ficou evidente que ele não precisava de introdução. O baterista ainda teve seu nome ovacionado pela galera, afinal, ele é de São Paulo e mal conseguia esconder a emoção de tocar em casa com uma banda tão influente para ele.

Na sequência, vieram duas faixas de Leprosy: a faixa-título e “Primitive Ways”. As execuções foram arrebatadoras e, consequentemente, colocaram o público para rodar em um mosh intenso que tomou conta da casa.

A banda também está divulgando seu primeiro disco, Initium Mortis (2026), que, além de ser um dos melhores do ano, tem uma justificativa mais do que evidente para tal reconhecimento: o álbum consiste em regravações do Mantas, banda que foi a gênese do Death e da qual Rick Rozz fez parte.

Com isso, vieram “Legion of Doom”, que mostrou a face mais heavy metal da banda original, “Death by Metal” e “Corpsegrinder”. Esta última foi imortalizada pela versão que a outra banda de Rick Rozz, o Massacre, fez em 1991 no clássico From Beyond.

Dessa forma, a apresentação seguiu como uma verdadeira avalanche de metal extremo e das antigas.

Aliás, Matt Harvey é um destaque à parte. Sempre carismático e sem parecer uma cópia de Chuck, muito pelo contrário, ele apresentou um estilo muito próprio e funcional, conseguindo interpretar aquele material histórico sem perder sua própria identidade.

Finalizando a primeira parte do set com “Zombie Ritual”, tomando o público de assalto, a banda saiu momentaneamente do palco. Logo depois, porém, voltou para o bis final com duas das melhores músicas da fase mais podre do Death: “Pull The Plug” e “Evil Dead”.

Com seus refrões cativos e eternos, as duas faixas jogaram ainda mais gasolina na fogueira que já era o moshpit. Assim, o Left to Die encerrou seu show de 65 minutos tão violento quanto começou.

Assim como o Death to All, que tive a oportunidade de ver no início do ano, o Left to Die, dentro de sua proposta, dá vida ao que muita gente não teve a oportunidade de ver ao vivo.

Afinal, estamos falando de músicos carregados de história e diretamente ligados à criação e à influência do Death Metal. Por isso, o show possui um peso simbólico muito forte e, ao mesmo tempo, a execução perfeita do material de época tornou a apresentação ainda mais impactante e fiel ao que foi criado há quase quarenta anos.

No fim, o Left to Die não apenas revisita um período fundamental do Death, mas mantém viva uma parte essencial da história do metal extremo. E justamente por isso, a experiência de assistir a esses músicos interpretando esse repertório possui um significado que vai além da simples nostalgia.

Vida longa ao Death, à sua história e à sua influência. E, principalmente, vida longa ao Left to Die, por manter acesa a chama Old School da parte mais primitiva do metal da morte.

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